O Baptismo na Água (VIII)

cmo.jpgUMA GRANDE PERDA

     Como já tivemos ocasião de ver, ao ignorarem a primeira menção do baptismo na água, os crentes que defendem a sua prática nos nossos dias ficaram privados do seu verdadeiro significado, mas como veremos agora, ficaram igualmente privados do seu propósito real, incorrendo numa grande perda. E que perda!
 
     Já vimos que a palavra baptismos é usada nas Escrituras para definir as cerimónias de lavagem ou purificação da lei. Mas, para que é que Deus ordenou a prática desta cerimónia? Qual o propósito? Para quê o baptismo?

     Deus ordenou esta ordenança com um propósito quádruplo:

     1. Para impressionar os Israelitas de que o Senhor é um Deus santo — ninguém que estivesse impuro poderia entrar em Sua presença. Estas lavagens, ou baptismos, denotavam, pois, que todos os efeitos contaminadores do pecado tinham que ser removidos a fim dos adoradores se poderem aproximar de Deus. Uma eventual recusa a esta prática significaria morte certa. Eram verdadeira e praticamente baptismos para a remissão dos pecados (Êxo. 30.20; Num. 8.7). Figuravam a perfeita e eterna purificação do pecado que a expiação do sangue de Cristo providenciou para o Seu povo. Em si não tinham eficácia intrínseca; eram apenas figuras. No entanto, quem não se sujeitasse ao baptismo ficava imundo e sujeitava-se ao juízo de Deus. É claro que tendo agora a realidade, a figura foi por Deus abolida. Em Lucas 7.29,30 vemos que nesta altura o baptismo ainda era absolutamente essencial para os Judeus; uma recusa ao baptismo seria equivalente a uma rejeição do conselho de Deus. Ao serem baptizados justificavam a Deus, isto é, declaravam que Deus estava certo tanto ao julgá-los como pecadores, como ao providenciar para eles o meio de perdão, nomeadamente, o baptismo na água. Leiamos bem a passagem:

     "E todo o povo que o ouviu e os publicanos, tendo sido baptizados com o baptismo de João, JUSTIFICARAM A DEUS.

     "Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não tendo sido baptizados por ele".

     Vem a propósito chamar aqui a atenção do leitor mais distraído que eles não rejeitaram o conselho de Deus ao não crerem, mas ao não se sujeitarem ao baptismo.

     2. Para que os sacerdotes fossem consagrados ao sacerdócio (Êxo. 29.4). Os candidatos elegíveis para o sacerdócio levítico não o podiam ser se não se sujeitassem a estas lavagens ou baptismos. Ora, segundo lemos em Êxodo 19.5,6 Deus prometeu fazer da nação de Israel "UM REINO SACERDOTAL" — um reino de sacerdotes — "e POVO SANTO" — um povo purificado ou santo, como já vimos anteriormente. Enquanto isso não sucedesse apenas uma pequena família seria consagrada ao sacerdócio — a família de Aarão. Em Isaías 61.6 Deus garantiu-lhes o cumprimento dessa Sua promessa:

     "Mas vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros do nosso Deus, comereis a abundância das nações, e na sua glória vos gloriareis".

     Ao contrário do profeta, que é um intermediário entre Deus e os homens o sacerdote é um intermediário entre os homens e Deus, ou melhor ainda, enquanto o profeta representa Deus no meio dos homens, o sacerdote representa os homens na presença de Deus. São os sacerdotes que levam os homens a Deus. Segundo vemos confirmado em Zac. 8.20-23 Deus pretende tornar a nação de Israel um reino de sacerdotes por meio de quem os Gentios se aproximarão de Deus. É então que os Judeus, "a semente de Abraão", serão sacerdotes no sentido pleno do termo Bíblico. Como acontecia com os filhos de Aarão, também todos eles, no reino, não trabalharão. É por isso que lemos que eles "comerão a abundância das nações".

     Em face disso não admira, pois, mais tarde, quando o reino prometido começou a ser proclamado, vermos João Baptista, a baptizar "Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão". Fazia-o porque o reino estava em vias de ser estabelecido com a proximidade da vinda do Rei. E como o reino será um "reino sacerdotal", e não se pode ser sacerdote sem se ser baptizado, daí ele baptizar toda a nação.

     3. Para que Cristo fosse manifestado à nação de Israel. Notemos as palavras claríssimas de João:

     "E eu não O conhecia; mas, PARA QUE ELE FOSSE MANIFESTADO A ISRAEL. VIM EU, POR ISSO, BAPTIZANDO COM ÁGUA" (João 1.31).

     O baptismo tinha a ver com a manifestação de Cristo à nação de Israel. Por isso não está hoje em vigor, uma vez que Deus suspendeu temporariamente os Seus tratos com a nação, face à sua incredulidade. Cristo, hoje, está a ser manifestado ao mundo. O baptismo na água vigorou enquanto Cristo esteve a ser manifestado à nação de Israel, enquanto Deus não a pôs de parte. Como Cristo esteve a ser oferecido à nação de Israel até ao fim dos Actos dos Apóstolos, não é pois de surpreender encontrarmos a prática do baptismo na água até então. Foi em Roma que Deus pôs definitivamente de parte a nação. Notemos as palavras de Paulo em Actos 28.28:

     "Seja-vos pois notório que esta salvação de Deus é enviada aos Gentios, e eles a ouvirão".

     Foi aqui, ou a partir daqui, que Cristo deixou de ser manifestado à nação de Israel, e por isso deixou de ter significado o baptismo na água.

     4. Para a nação de Israel, como nação, nascer de novo. São muitos os crentes que pensam que o novo nascimento se trata duma necessidade individual de toda a pessoa que se encontra sem a salvação. Se bem que isto seja verdade, não o é na totalidade. As Escrituras falam também do novo nascimento como uma necessidade nacional. Leiamos atentamente o que o Senhor disse em Mateus 19.28:

     "E Jesus disse-lhes: Em verdade em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração (ou, novo nascimento), o Filho do Homem se assentar no trono da Sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel".

     Segundo esta passagem a nação de Israel vai nascer de novo um dia. Segundo Ezequiel 37 a nação está actualmente morta e "sepultada" entre as nações, mas o Senhor diz que chegará o dia em que "abrirá as suas sepulturas", e eles, então, como nação, nascerão outra vez. Muitos ignoram que quando Nicodemos foi de noite ter com o Senhor, que o tenha feito a título não pessoal, mas representativamente e que a resposta do Senhor foi igualmente representativa e não pessoal. Vejamos:

     "Rabi, bem sabemos que és Mestre..." (João 3.2). Notemos que ele não disse, "bem sei", mas antes, "bem SABEMOS". A resposta do Senhor também foi: "Não te maravilhes de ter dito: necessário VOS (Não, TE) é nascer de novo" (João 3.7). Independentemente da sua necessidade individual, Nicodemos foi ter com o Senhor como príncipe dos Judeus, representando-os — "Bem SABEMOS", e o Senhor deu a resposta adequada: É necessário que a nação, como nação, nasça de novo. Até então o novo nascimento revelado por Deus era nacional e não individual, ainda que este incluísse aquele. Um pouco mais adiante, no versículo 10, o Senhor perguntou-lhe: "Tu és Mestre em Israel, e não sabes isto?". O que o Senhor lhe acabara de revelar a respeito do novo nascimento não era nada novo. As Escrituras do chamado Velho Testamento eram claras a esse respeito, e como Mestre em Israel ele tinha obrigação de o saber. Mais, o novo nascimento da nação, já tinham revelado há muito os profetas, processar-se-ia por meio da água e do Espírito. Assim, quando o Senhor disse a Nicodemos que era necessário nascer-se "da água e do Espírito" (Ver. 5), não lhe estava a dar nenhuma novidade. Por exemplo, Ezequiel 36.24-27 (ler bem), escrito séculos antes, encerrava uma profecia, a respeito da restauração da nação no reino, dizendo que Israel nasceria de novo através da água e do Espírito. Assinalemos bem estas duas palavras no processo de regeneração da nação, nessa passagem. Notemos também que em João 3 o Senhor foi muito claro quando disse a Nicodemos que se eles não nascessem de novo, ou seja, da água e do Espírito, não poderiam, não só, entrar no reino, como também VER o reino. É óbvio que, quer pelo contexto, quer por este pormenor, "o reino de Deus" a que o Senhor se referiu tratava-se do reino milenar que será estabelecido na terra quando Ele vier reinar, e não o reino espiritual. Porquê? Pela simples razão que este não pode ser visto e aquele sim. Se Nicodemos, pelo novo nascimento, poderia ver o reino, era porque se tratava do reino terreno Messiânico. Quando, cheio do Espírito Santo, Pedro, em Actos 2, ofereceu o reino à nação, ao abrir-lhes as suas portas com as chaves que o Senhor lhe concedera, ele mostrou claramente que eles teriam que nascer da água e do Espírito. Assinalemos uma vez mais estes dois elementos — água e Espírito — no versículo 38. A nação não pode ser regenerada se não nascer da água e do Espírito, e foi sempre isso que lhes foi requerido. Para que um candidato ao sacerdócio fosse tornado sacerdote tinha necessariamente que ser LAVADO COM ÁGUA e ASPERGIDO COM O AZEITE DA UNÇÃO (Espírito) (Levítico 8.6,30). Cá temos uma vez mais o nascimento da água e do Espírito. Quando o Senhor veio à terra, chegou o tempo não de uma família, mas de toda a nação se tornar sacerdócio de Deus. Todos teriam que nascer da água e do Espírito.

     Quão longe tem andado "a Igreja em geral" do propósito real do baptismo na água. Que grande perda!



 
(Continua)
Carlos Oliveira

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