Inferno, Sheol, Hades, Paraíso e Sepultura (1)

Inferno, Sheol, Hades, Paraíso e Sepultura
Parece haver alguma confusão na cabeça de alguns, sobre o significado de Inferno e quem vai para lá por causa da maneira como a palavra hebraica Sheol e a palavra grega Hades foram traduzidas nas nossas Bíblias. Visto que essa confusão levou alguns a um entendimento erróneo do que a Bíblia realmente ensina sobre o estado intermédio e o estado final dos mortos, pensamos que é importante abordarmos esse assunto aqui.
Sheol encontra-se na Bíblia sessenta e cinco vezes. É traduzido em várias versões por “cova” três vezes, “sepultura” trinta e uma vezes e “inferno” trinta e uma vezes. Hades é usado onze vezes, sendo traduzido como “inferno” dez vezes e “sepultura” uma vez. Para aumentar a confusão, duas outras palavras também são traduzidas por inferno no Novo Testamento. Tratam-se de Tártaro, que é encontrado uma vez, e a Gehenna, que é usada doze vezes.
O termo “Inferno” é comumente entendido como um lugar de tormento para onde as almas dos ímpios vão após a morte física. Isto é verdade. No entanto, porque Hades no Novo Testamento e Sheol no Velho Testamento são interpretados como inferno ou sepultura, tem havido alguns mal-entendidos sobre o que são o inferno e a sepultura. Antes de olharmos para essas palavras, porém, devemos primeiro prestar a nossa atenção na palavra grega Gehenna, que é sempre traduzida por inferno e usada em referência ao Lago de Fogo. Encontra-se em Mateus 5:22,29,30; 10:28; 18:9; 23: 15,33; Marcos 9:43,45,47; Lucas 12:5; e Tiago 3:6.
O INFERNO FINAL
O Lago de Fogo, ou Inferno, é um lugar literal de fogo eterno que foi originalmente criado por Deus como um lugar de punição para Satanás e os anjos que o seguiram na sua rebelião contra Deus (Mat. 25:41). Por ser referido como lugar de “trevas exteriores” (Mat. 8:12; 25:30), acreditamos que provavelmente está localizado nos confins da criação. Gehennaé descrito nas Escrituras como uma “fornalha de fogo” (Mat. 13:42); “Tormento, ou catigo, eterno” (Mat. 25:46); “escuridão das trevas” (2 Pedro 2:17); “o dano da segunda morte” (Apocalipse 2:11 cf. 20:6,14; 21:8); “ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap 19:20; 20:10; 21:8).
Enquanto o Inferno foi criado para Satanás e anjos decaídos, os não salvos da humanidade de todas as eras estarão com eles neste lugar de tormento onde “haverá pranto e ranger de dentes” (Mat. 13:42). Esta é a “recompensa eterna” de todos os que morrem em seus pecados.
Embora não haja ninguém no Lago de Fogo neste momento, um dia este terá uma vasta multidão. Os primeiros residentes deste lugar de justa retribuição serão a Besta (o Anticristo) e o Falso Profeta que, no final da Tribulação, serão “lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre” (Ap. 19:19-20) . Ir-se-ão juntar a eles os não salvos das nações que sobreviverem à Grande Tribulação (Mat. 25:31-32,41-46). Além disso, no retorno de Jesus Cristo à Terra, os israelitas rebeldes, isto é, os judeus descrentes, que sobreviverem à Grande Tribulação, terão a sua entrada negada no Reino Milenar, sem dúvida para se juntarem aos seus homólogos gentios no “lugar do fogo eterno” (Ezequiel 20:33-38; Mat. 7:21-23; cf. Mat. 24:29-31,45-51). Depois, no final do Reino Milenar de Jesus Cristo, Satanás será “lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e, de dia e de noite, serão atormentados, para todo o sempre.” (Apocalipse 20:10). E, finalmente, os mortos não salvos de todas as eras serão ressuscitados e julgados no Grande Trono Branco por Jesus Cristo e depois lançados no Lago de Fogo (ver Apocalipse 20:11-15).
O nome Gehenna vem de uma ravina estreita e profunda ao sul de Jerusalém, onde alguns pais hebreus realmente sacrificavam os seus filhos ao deus amonita, Moloque, durante o tempo dos reis (2 Reis 16:3; 2 Crónicas 28:1-3; cf. Lev. 18:21; 1 Reis. 11:5,7,33). Essa divindade pagã também é conhecida como Malcham, Milcom e Moloch na Bíblia. Este vale mais tarde serviu como lixeira da cidade e, como havia ali uma queima contínua de lixo, tornou-se um símbolo gráfico do local de punição para os ímpios. Era chamado de “Vale de Hinom”, que traduzido para o grego se torna Gehenna. As passagens onde a palavra é encontrada no Novo Testamento mostram claramente que naquela época era uma expressão comummente usada para o Inferno. A palavra é encontrada doze vezes nas Escrituras, sendo usada onze vezes pelo Senhor Jesus e uma vez por Tiago. Quando consideramos o contexto, fica claro que o Senhor usou essa palavra em referência ao lugar de punição eterna para os iníquos mortos e não à lixeira da cidade.
Gehenna, ou Lago de Fogo, pode ser referido como o Inferno futuro, ou final, porque será ali onde todos os ímpios de todas as eras irão finalmente terminar. Satanás, os anjos decaídos e todos os perdidos da humanidade habitarão ali em tormento para todo o sempre.
SHEOL / HADES: O INFERNO ATUAL
As passagens das Escrituras em que a palavra Gehenna é usada, devem ser diferenciadas daquelas que usam a palavra Hades, que se refere a um lugar de tormento temporário ao qual podemos nos referir como o Inferno imediato ou presente. O que queremos dizer com isso é que, na hora da morte, as almas dos perdidos vão diretamente para o Hades, onde sofrerão em tormento até à hora do Julgamento no Grande Trono Branco, quando ressuscitarão e serão lançados no Lago de Fogo . As almas de todos os perdidos que já morreram estão atualmente ali e os que morrem nos seus pecados vão imediatamente para lá a fim de se juntarem a eles.
Hades é o equivalente do Novo Testamento para a palavra Sheol do Antigo Testamento. As palavras gregas e hebraicas falam do mesmo lugar, o Inferno atual. No entanto, isso tem sido problemático para alguns, porque a palavra Sheol foi traduzida por “sepultura” tão frequentemente quanto “inferno” e alguns erroneamente têm ensinado que Sheol e Hades são apenas referências à sepultura, e não ao Inferno. Este ensino erróneo conduz à negação da existência de um Inferno imediato ou presente. A falsa doutrina do “sono da alma” e outras ideias erróneas que ensinam o estado inconsciente dos mortos entre a morte e a ressurreição derivam desse erro.
A palavra comum para “sepultura” no Antigo Testamento é a palavra queber. Das sessenta e quatro vezes em que é usada, é traduzida por “sepultura” trinta e quatro vezes, “sepulcro” vinte e seis vezes e “cova” quatro vezes. Queber é usada cinco vezes como parte do nome de um lugar, Kibroth-hattaavah, que significa “túmulos de luxúria”. Sheol é encontrada sessenta e quatro vezes, sendo traduzida por “sepultura” trinta e uma vezes, “inferno” trinta e uma vezes e “cova” três vezes.
Uma comparação de como as palavras Sheol e queber são usadas revela oito pontos de contraste que nos dizem que não são a mesma coisa.
Sheol nunca é usada no plural. Queber é usada no plural 29 vezes.
Nunca é dito que o corpo vai para o Sheol. Queber fala do corpo ir para lá 37 vezes.
Nunca se diz que Sheol está localizado na face da terra. Queber é mencionada 32 vezes como estando localizada na Terra.
Nunca é mencionado um Sheol individual. Um queber individual é mencionado 5 vezes.
Nunca se diz que o homem coloca alguém no Sheol. Indivíduos são colocados em um queber pelo homem (33 vezes).
Nunca é dito que o homem tenha cavado ou formado um Sheol. É dito que o homem cavou, ou formou, um queber (6 vezes).
Nunca é dito que o homem tebha tocado no Sheol. O homem toca, ou pode tocar, um queber (5 vezes).
Nunca é dito que o homem seja capaz de possuir um Sheol. É dito que o homem é capaz de possuir um queber (7 vezes).
(Estes oito pontos de comparação foram adaptados de “Life and Death” (A Vida e a Morte) de Caleb J. Baker, Bible Institute Colportage Ass’n, 1941).
Pelas diferenças como as palavras Sheol e queber são usadas nas Escrituras, é óbvio que não se tratam da mesma coisa. A palavra grega Hades no Novo Testamento encaixa na coluna Sheol da nossa lista, indicando fortemente que é a mesma coisa que Sheol. A palavra Hades é usada onze vezes, sendo traduzida por Inferno dez vezes e sepultura uma vez.
Palavras associadas a queber são quabar e qeburah. Quabar é um verbo que significa enterrar ou ser enterrado e qeburah é um substantivo que significa uma sepultura ou local de sepultamento. O uso dessas palavras relacionadas ajuda a reforçar a diferença entre queber e Sheol, pois elas têm claramente a ver com a sepultura como um local de sepultamento, enquanto o Sheol não.
- por W. Edward Bedore
(Continua)



