30-09-2018 - Seitas buscam pessoas jovens, idealistas e inconformadas

Alicia Rodríguez fala da seita que a atraiu e confunde as palavras. É como se não pudesse ou não quisesse falar do assunto. “São sequelas. Doutrinaram-me para que jamais contasse o que se passava lá dentro”, conta, preferindo não dizer o seu verdadeiro nome. E observa que as pessoas podem passar anos em um desses grupos sem saber disso: “As seitas não põem um cartaz na porta”. “Entrar é fácil”, afirma. “Difícil é sair.” Os especialistas concordam que qualquer pessoa é passível de ser apanhada”.
“Quem diz que nunca vai cair é o primeiro”, alerta Rodríguez em um bar de Madrid. Ela, que passou mais de cinco anos em um desses grupos sem estar consciente disso, garante: “Acreditava que me estava ajudando a mim mesma e aos outros, que iria ajudar uma ONG, como Patricia [Aguilar],” referindo-se à espanhola de 19 anos resgatada no Peru no dia 6 de julho. A jovem de Elche (Alicante), que voltou no fim de semana para a casa da família, estava sob a suposta influência de Félix Steven Manrique, que se diz chamar Príncipe Gurdjieff e permanecerá nove meses em prisão preventiva.
“As seitas escondem-se por detrás de um discurso socialmente aceite”, afirma Miguel Perlado, coordenador do grupo de trabalho sobre desvio sectário da Ordem Oficial de Psicologia da Catalunha. O psicólogo explica que esses grupos conseguem adaptar-se a cada época: “Agora não falam de ovnis, como nos anos 80, mas podem disfarçar-se por detrás de grupos de yoga ou meditação”. Perlado especifica, com base em diferentes estudos, que 0,9% da população espanhola é atraída por esses grupos, um percentual similar ao de outros países europeus.
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