Batismo na Água – pequeno detalhe de questões maiores

Carlos Oliveira      Convém clarificar que o erro de o batismo na água estar a ser praticado hoje, como demonstram os artigos ao fundo elencados, resultantes de um manejo correto da Palavra da Verdade (2 Tim. 2:15), é um "pequeno detalhe" inserido num leque questões bem maiores. 

     A natureza do problema que a Igreja enfrenta hoje prende-se com o facto básico de ela normalmente não reconhecer que Deus tem dois povos distintos - um povo terreno (Israel), com uma vocação, programa e destino terrenos e um povo celestial (a Igreja, Corpo de Cristo) com uma vocação, programa e destino celestiais.

     A confusão e mistura que muitos fazem de Israel com a Igreja, do programa que Deus tem para Israel com o programa que Deus tem para a Igreja, e das ordens que Deus deu a Israel com as ordens que o Senhor deu à Igreja, estão na génese de ilações, comportamentos e práticas, como por exemplo, a do batismo na água que, não obstante bíblicos, estão desenquadrados com a natureza da dispensação em que vivemos – a dispensação da graça de Deus (Efésios 3:2). (Saiba mais).
 
     Mais, faz ainda parte da natureza do problema da Igreja a confusão existente do apostolado dos 12 apóstolos com o apostolado de Paulo. Ambos os apostolados são bem distintos: Paulo é o Apóstolo dos Gentios (nosso apóstolo, portanto, Rom. 11:13; 1 Tim. 2:7), enquanto os 12 apóstolos são apóstolos da circuncisão - Israel - (cujo destino é sentarem-se sobre 12 tronos julgando as 12 tribos de Israel, Mat. 19:28; Gál. 2:7,8) . Não é por acaso que constatamos que em relação ao batismo na água, como em relação a muitos outros temas, as ordens de marcha que o Senhor lhes deu sejam diferentes - os 12 foram enviados a batizar (Mat. 28:19); Paulo NÃO foi enviado a batizar (1 Cor. 1:17). (Saiba mais).
 
     Ainda mais, parte da natureza do problema que a Igreja enfrenta hoje, reside no facto de a maioria dos Cristãos não reconhecer que Deus tem DOIS PROPÓSITOS DISTINTOS  - o propósito profético de Deus (profecia), que tem a ver com a Terra, e o propósito secreto de Deus (mistério), que tem a ver com o Céu.
 
     O mistério é, em suma, a dispensação do mistério, ou a dispensação da graça de Deus, que o Senhor, já na glória, deu ao Apóstolo Paulo. 
 
     “SE É QUE TENDES OUVIDO A DISPENSAÇÃO DA GRAÇA DE DEUS, QUE PARA CONVOSCO ME (PAULO) FOI DADA;
 
     “COMO ME FOI ESTE MISTÉRIO MANIFESTADO PELA REVELAÇÃO como acima em pouco vos escrevi;
 
     …
 
      “Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus …
 
      “A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar
 
     “E demonstrar a todos qual seja A DISPENSAÇÃO DO MISTÉRIO …” (Efésios 3:1-9). 
 
     Sobre o mistério lemos que esteve “oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações”, “noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens”, “oculto em Deus”, “desde tempos eternos … oculto” (Col. 1:16; Efé. 3:5,9; Rom. 16:25). 
 
     Por outras palavras, tudo o que pertence à presente dispensação da graça de Deus tratava-se de um segredo (mistério) IGNORADO DE TODOS OS SANTOS E PROFETAS ANTES DO APÓSTOLO PAULO. Não faz, portanto, sentido algum alguém afirmar que o que quer que outros tenham dito ou escrito antes de Paulo, isso diga respeito à atual dispensação, à Igreja Corpo de Cristo, a nós hoje.
 
     Como podia o ministério dos Doze Apóstolos, nas suas várias vertentes, incluindo a prática do batismo na água, dizer respeito à presente dispensação da graça de Deus, se eles a ignoravam por esta ser um mistério? O Senhor Jesus Cristo na Terra também nunca contemplou a Igreja, o Corpo de Cristo, a presente dispensação da graça, nos Seus discursos, pois só a revelou mais tarde, já na glória, ao Apóstolo Paulo.
 
     Como disse bem Scofield, na Bíblia Anotada que tem o seu nome, é somente nos escritos de Paulo que encontramos a doutrina, a posição, a conduta e o destino da Igreja. Será um erro, pois, procurar tudo, ou parte disto, noutras Escrituras.
 
     Para que o leitor veja bem com os seus próprios olhos a diferença entre a natureza dos ensinos de Paulo, que como vimos estavam de acordo com “a revelação do mistério”, da dos crentes que o antecederam, que estavam de acordo com a Profecia, notemos bem o que a Bíblia diz relativamente a estes:
 
     “Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo, e profetizou, dizendo:
 
     “Bendito o Senhor Deus d’Israel, porque visitou e remiu o Seu povo.
 
     “E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi seu servo.
 
     “COMO FALOU PELA BOCA DOS SEUS SANTOS PROFETAS, DESDE O PRINCÍPIO DO MUNDO” (Lucas 1:67-70).
 
      “E quando Pedro viu isto disse ao povo:
 
     “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor.
 
     “E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado.
 
     “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, DOS QUAIS DEUS FALOU PELA BOCA DE TODOS OS SEUS SANTOS PROFETAS, DESDE O PRINCÍPIO.
 
     “Porque Moisés disse: O Senhor vosso Deus levantará dentre vossos irmãos um Profeta semelhante a mim: a Ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
 
     “E acontecerá que toda a alma que não escutar esse Profeta será exterminada dentre o povo.
 
     “E TODOS OS PROFETAS, DESDE SAMUEL, TODOS QUANTOS DEPOIS FALARAM, TAMBÉM ANUNCIARAM ESTES DIAS” (Atos 3:12-24).
 
     O ensino dos que antecederam Paulo era bem conhecido de todos os profetas, desde o princípio, ao contrário do seu, que ignoravam, como vimos, por desconhecerem “a revelação do mistério”. (Saiba mais)
 
     Uma salvaguarda: não se infira daqui que a Bíblia para nós é só as Epístolas de Paulo. Como ele mesmo disse e nós cremos: “TODA A ESCRITURA divinamente inspirada É PROVEITOSA PARA ENSINAR, PARA REDARGUIR, PARA CORRIGIR, PARA INSTRUIR EM JUSTIÇA” (2 Tim. 3:16). Porém, também cremos e procuramos cumprir o que ele disse: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE” (2 Tim. 2:15). Isto é, procuramos distinguir o que nos é dirigido a nós, daquilo que, não obstante sendo para nosso proveito, não é para nossa obediência. (Saiba mais)
- C.M.O.

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