O batismo na água, juridicamente

Carlos M. Oliveira     Um pretenso argumento jurídico em favor do batismo na água para os nossos dias tem sido apresentado. Tem sido dito que um mandamento só pode ser revogado por outro. Querem com isso dizer que o mandamento para batizar com água de Mateus 28:19,20 continua de pé, visto não haver um outro mandamento que o revogue. 

     Pois bem, os que assim argumentam enfermam duma tripla ignorância.

     Primeiro, ignoram que uma revogação, do ponto de vista jurídico, pode ser tácita ou expressa: é expressa quando o autor do segundo ato jurídico declara expressamente revogado, em todo ou em parte, o primeiro; é tácita quando, embora expressamente o não declare, se subentende que as segundas disposições contrariam ou alteram as primeiras. 

     Segundo, ignoram, ou fazem vista grossa, ao facto da prática do batismo na água ter claramente a sua revogação expressa em

     "... deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo ... a doutrina dos batismos ..." (Hebreus 6:1,2;
 
     "Ora também o primeiro tinha ordenanças  (inclui batismos)  de culto divino, e um santuário terrestre ... Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções [Grego, baptismos] e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção" (Hebreus 9:1,10);
 
     "... Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar ..." (I Cor. 1:17),
 
     e tácita em
 
     "Porque Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças (inclui batismos), para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz" (Efé. 2:14,15);
 
     "Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças (inclui batismos), a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz ... Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças (inclui batismos) ...? (Col. 2:14-22);
 
     "... um só batismo ..." (Efésios 4:5)
 
     e na vasta gama de outros textos bíblicos abordados nos artigos escritos sobre este assunto aqui, como o leitor já terá tido oportunidade de se certificar.
 
     A revogação da prática do batismo na água nas Escrituras, por ser expressa, é mais clarividente e notória que, por exemplo, a revogação dos dons de curar, milagres (com as inerentes expulsão de demónios, ressurreição de mortos, etc.), por ser simplesmente tácita.
 
     Terceiro, ignoram que há revogações aceites, sem nenhum mandamento revogatório. A título de exemplo: Onde está o mandamento revogatório do mandamento para se vender o que se tem (Lucas 12:33), de vender e deixar TUDO (Mateus 19:21-27) e isto para TODOS, tendo TUDO em comum (Atos 2:44) - TODAS AS COISAS … e TODOS (Atos 4:32,34)? Onde está o mandamento para se poder voltar a ter propriedades e bens próprios? Não há? Como se chegou, então, a esta conclusão? Eis uma boa pergunta para uma boa reflexão. Talvez ajude alguns a compreender a questão da revogação do batismo na água hoje.   
 
     Apenas mais um exemplo: onde está o mandamento revogatório do mandamento para não se ajuntar tesouros na terra (Mateus 6:19) - um mandamento em harmonia com o do parágrao anterior? O Apóstolo Paulo diz: "não devem os filhos entesourar para os pais mas os pais para os filhos" 2 Coríntios 12:14. Portanto, como se vê aqui, Paulo, passou a justificar e sancionar o entesourar, porém sem vislumbrarmos um único mandamento revogatório explícito. O que aconteceu? 
 
     O mesmo que subjaz à revogação da prática do batismo na água - Deus pôs de parte a nação de Israel, devido à sua incredulidade e sequente rejeição do reino, e começou a formar a Igreja, o Corpo de Cristo, com um programa diferente. Hoje não está errado ter o chamado pé de meia, e está errado batizar na água.

- C.M.O.

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