O Evangelho do Reino (1)

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     O Evangelho dos nossos dias é o Evangelho da Graça de Deus (At 20.24). A palavra “Evangelho” (εὐαγγέλιον) significa “boas notícias”. O Senhor ascendido e glorificado revelou este Evangelho ao apóstolo Paulo. A definição mais clara do mesmo está na primeira carta de Paulo aos Coríntios:

     “Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15.1-4).

     Este era o Evangelho de Paulo. Paulo repetidamente referiu-se a ele como sendo seu (Romanos 2,16; 16,25; Gálatas 2,2,7; 2 Timóteo 2,8).

      João Batista, Jesus e os Doze proclamaram o Evangelho do Reino, não o Evangelho da Graça de Deus (At 20.24). O Evangelho da Graça de Deus não foi pregado antes de o Senhor, ascendido e glorificado, o ter revelado a Paulo depois que Ele o comissionou para ser o Apóstolo dos Gentios (Romanos 11.13). O que era esse Evangelho, ou boas notícias, que eles proclamaram e como era diferente do Evangelho de Paulo?

     A tabela a seguir compara o Evangelho do Reino com o Evangelho da Graça de Deus.

 

Evangelho do Reino

Evangelho da Graça de Deus

Proclamado por João Batista, Jesus e os Doze.

Proclamado por Paulo.

Pregado apenas aos judeus.

Pregado fundamentalmente aos Gentios.

Requeria arrependimento, batismo e fé + obras.

Requer apenas fé, fé + 0.

O conteúdo da mensagem era que Jesus era o Messias, o Filho de Deus.

Conteúdo da mensagem é a morte, sepultura e ressurreição de Cristo.

Começou com João Batista e foi interrompido durante o período dos Atos (Atos 15.11). Continuará após o Arrebatamento.

Começou depois que Jesus comissionou Paulo como o Apóstolo dos Gentios.

Terminou na descrença judaica. Será retomado depois que o Corpo de Cristo estiver completo. Termina na crença judaica e cumpre a "grande comissão" e a profecia.

Termina com a finalização do Corpo de Cristo composto por Judeus e Gentios (Arrebatamento).

Evangelho durante o ministério terreno de Jesus e em Atos. Futuro Evangelho da “grande comissão”, logo que o Corpo de Cristo esteja completo.

O nosso atual Evangelho - até o Corpo de Cristo ficar completo.

 

A proclamação do Evangelho do Reino

     João Batista agiu como o precursor, o arauto do Messias. O seu ministério e mensagem era proclamar as boas notícias do reino. Mateus registou:

     “E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E este João tinha a sua veste de pelos de camelo e um cinto de couro em torno de seus lombos e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então, ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:1-6).

     Depois que João foi preso, o próprio Senhor Jesus Cristo apresentou a mensagem do reino vindouro. Mateus registou:

     “Jesus, porém, ouvindo que João estava preso, voltou para a Galileia. E, deixando Nazaré, foi habitar em Capernaum, cidade marítima, nos confins de Zabulom e Naftali; para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zabulom, e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia das nações; o povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:12-17).

     “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mateus 9:35).

     Marcos registou sucintamente a mensagem e o ministério de João:

     “Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados. E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Marcos 1:4,5).

     Até à chegada de João Batista, a salvação Judaica baseava-se na Lei mosaica e na fé nos sacrifícios levíticos. Desde a época de Moisés, os profetas proclamavam um reino no qual Israel seria a cabeça e não a cauda entre as nações (Deuteronómio 28:13) e em que Deus colocá-los-ia acima das nações da terra (Deuteronómio 28:1). Centenas de passagens nas Escrituras profetizam este reino. As características essenciais são que a nação de Israel será suprema entre as nações da terra, o Messias governará a partir de Jerusalém sobre toda a Terra como o maior Filho de Davi (Zacarias 14.9), a terra será restaurada ao esplendor edénico (Jesus referiu-se a isto como "regeneração" (Mateus 19.28), a expectativa de vida será estendida abundantemente, o reino animal ficará em paz (Isaías 11.6-8), a Terra ficará sem guerra (Isaías 2.4), e este reino será de grandeza inigualável (Isaías 2.2) Quando João apareceu, o Evangelho do Reino foi acrescentado à Lei e aos Profetas, o Rei prometido havia chegado e, portanto, o Senhor Jesus Cristo proclamou:

     “A lei e os profetas duraram até João: desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” (Lucas 16:16).

As Cláusulas do Evangelho do Reino

     O Evangelho do Reino exigia que o ouvinte se arrependesse, fosse batizado e cresse que Jesus era o Messias predito.

     “E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o Evangelho do Reino de Deus, e dizendo: o tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no Evangelho” (Marcos 1:14,15).

     “Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judeia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados” (Mateus 3:5,6).

     “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam (Atos 19:1-6).

     Após a ressurreição e ascensão do Senhor Jesus Cristo, o Evangelho do Reino continuou a ser pregado por Pedro e pelos outros apóstolos, o qual requeria o arrependimento, o batismo e a fé. Por isso, Pedro declarou no seu sermão no Pentecostes:

     “Saiba pois com certeza toda a casa d’Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, varões irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:36-38).

     As mesmas regras operacionais estavam ativas no ministério de Filipe, tendo ele testemunhado ao eunuco etíope:

     “E, respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? De si mesmo, ou dalgum outro? Então Filipe, abrindo a sua boca e começando nesta escritura, lhe anunciou a Jesus. E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado? E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizo” (Atos 8:34-38).

- Don Samdahl
(Continua)

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