A PRESENTE VERDADE (II)

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     REVELAÇÃO PROGRESSIVA

     O que é que, então, o apóstolo queria dizer com a frase, “a presente verdade”? A verdade não é eterna? No seu caráter, não é horizontal? Sim, mas a revelação da verdade é vertical, e não horizontal, e a frase de Pedro, “a presente verdade”, refere-se à verdade revelada para aqueles dias – dias de graça, que Deus, em misericórdia, tem estendido até agora. Enfatiza a sua crença no princípio bíblico da revelação progressiva. Assim como Deus tinha começado a revelar o Seu propósito a respeito de Israel a Abraão; assim como deu a lei por meio de Moisés; assim como deu revelações adicionais por meio dos profetas; assim como proclamou o cumprimento dessas profecias como estando “próximas”, por intermédio de João Batista, Cristo e os doze, assim também revelara agora glórias muito mais elevadas por meio de Paulo, o apóstolo de “o mistério”, e essas verdades, como veremos, tinham afetado profundamente a vida e o ministério de Pedro.

     Lembremo-nos que Pedro se encontrava entre aqueles a quem Paulo comunicara “o Evangelho” que “pregava entre os Gentios”, e Pedro era um daqueles a quem ele disse por inspiração: “… viram … conheceram … a graça que se me havia dado”, com o resultado de “darem as dextras, em comunhão comigo e com Barnabé”, num acordo público solene, para que daí em diante Paulo “fosse aos Gentios, e eles à Circuncisão” (Gál. 2:2-9).

     O Senhor tinha prometido aos Seus discípulos que na Sua ausência o Espírito Santo guiá-los-ia “em toda a verdade” e revelar-lhes-ia “o que há-de vir” (João 16:13), e esta promessa foi observada.

     Pedro, lembremo-nos de novo, tinha sido enviado a “todas as nações” sob a chamada “grande comissão”, para proclamar os direitos reais de Cristo. Todavia, Paulo falou-lhes agora acerca da dispensação da graça que o Senhor glorificado lhe revelara, e Pedro “viu” e “conheceu” que era essa “a presente verdade”, que seria manifestada “a todas as nações para a obediência da fé” por Paulo e seus associados, concordando ele em, dali em diante, limitar o seu ministério a Israel.

     E o que é que Pedro pregou depois de concordar em restringir o seu ministério a Israel? Certamente que os certificou que o estabelecimento do reino terreno profetizado, ainda que tivesse sido agora suspenso, não fora abandonado; que Deus cumpriria as Suas promessas e profecias a respeito da futura glória de Israel com Cristo como Rei (2 Ped. 1:16-19). E ter-lhes-ia ele também contado, na própria natureza do ocorrido, que a interrupção do programa profético se deveu à introdução da dispensação da graça? Nós concordamos com J. C. O’Hair quando diz que se Pedro não tivesse feito isso teria sido “desqualificado como apóstolo e demitido do apostolado”. Contudo, Pedro falou-lhes acerca da dispensação da graça. É por isso que ele se refere na sua segunda epístola à “presente verdade”. É por isso que ele insta com os seus leitores, em 1 Ped. 4:10, para que estes sejam “bons dispenseiros da multiforme graça de Deus”, e os saúda duas vezes com a saudação “graça e paz vos sejam multiplicadas” (1 Ped. 1:2; 2 Ped. 1:2). Para ele era admirável como é que depois de Israel ter rejeitado a graça que se lhe tinha sido oferecida numa segunda oferta de “arrependimento e perdão de pecados”, Deus salvara o próprio líder da rebelião, o principal dos pecadores, e oferecia agora, não apenas a Israelitas, mas a todos os homens em toda a parte, “redenção por meio do Seu (de Cristo) sangue, o perdão dos pecados segundo as riquezas da Sua graça” (Efé. 1:7). Em face do que recentemente tinha sido divulgado, isto era na verdade graça multiforme” e “multiplicada”.

     Isto explica a impressionante diferença entre a mensagem Pentecostal de Pedro e os seus escritos posteriores, os quais contêm tantos “Paulinismos”, como os teólogos os denominam. Também explica a razão de Pedro terminar a sua segunda epístola com as palavras: “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2 Pedro 3:18).

- Cornelius R. Stam
(Continua)

 

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