A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (3)

Realidade e mitos

 

OBJEÇÕES AO DISPENSACIONALISMO (continuação)

2. O Dispensacionalismo opõe-se à inspiração igual de toda a Escritura

     Alguns poderão pensar que acreditar nas dispensações coloca uma parte das Escrituras num nível de inspiração superior ao de outra. Pensam que porque quem defende ensinamento dispensacionalista da Bíblia ensina que as epístolas paulinas destinam-se especificamente à Igreja, o Corpo de Cristo, colocam-nas num plano de inspiração superior às demais Escrituras.

     Contudo, queremos deixar isto bem claro: ninguém coloca qualquer parte das Escrituras, nem sequer uma palavra, acima de outra. Acreditamos na inspiração plenária, o que significa que toda a Bíblia é completa em todos os aspetos, sem limitações, sendo plenamente abrangente. A palavra «inspiração» significa «soprada por Deus». O ensinamento bíblico das dispensações nunca põe em causa a inspiração plena. A própria Bíblia é, a este respeito, muito clara: «Toda a Escritura é divinamente inspirada» (2 Timóteo 3:16).

     Deus soprou as Suas palavras. Na verdade, é assim que todas as palavras das Escrituras, sem exceção, surgem. Na Bíblia, não existe tal coisa como «inspiração parcial». Muitas das pessoas mencionadas na Bíblia eram ímpias. No entanto, o registo das suas palavras nas Escrituras é exato. As palavras que saíram da boca dessas pessoas não foram pronunciadas por Deus. Contudo, o relato daquilo que disseram é verdadeiro.

     Um exemplo é a mentira de Caim. Quando Deus lhe perguntou onde estava o seu irmão, Caim respondeu que não sabia. As suas palavras, que eram mentiras, foram registadas.

     Devemos observar que Deus pode até sobrepor-Se às palavras proferidas pelos ímpios. Isto é, as palavras de homens ímpios podem tornar-se palavras de Deus. Para ver um exemplo disso, leia Números 24:15-25. Deus não está limitado.

     A inspiração estende-se aos documentos registados. Tanto a receção como o registo das «palavras» na Bíblia são inspirados por Deus. Por conseguinte, os acontecimentos ali registados constituem um relato completo e exato daquilo que foi dito.

     O ensinamento das dispensações não afirma que algumas partes da Bíblia sejam mais ou menos inspiradas do que outras. Deus preservou a Sua Palavra para o mundo nos textos originais. Toda a Escritura é dada por Deus e é igualmente inspirada por Ele.

 

3. O Dispensacionalismo representa um afastamento dos princípios de Deus

     As dispensações têm um princípio e um fim; os princípios permanecem firmes. Por exemplo, Moisés e Israel acharam graça aos olhos do Senhor enquanto estavam sob a Lei:

     «Assim diz o Senhor: O povo que escapou da espada encontrou graça no deserto; é Israel mesmo, quando eu o fizer descansar.» (Jeremias 31:2)

     Noé achou graça aos olhos do Senhor enquanto estava sob a dispensação da consciência:

     «Noé, porém, achou graça aos olhos do Senhor.» (Génesis 6:8).

     Até Ló experimentou a graça de Deus enquanto vivia em Sodoma:

     «Eis que, agora, o teu servo tem achado graça aos Teus olhos, e engrandeceste a Tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida…» (Génesis 19:19).

     A graça é um princípio de Deus e é tão eterna como o próprio Deus. Ele sempre demonstrou, e continuará sempre a demonstrar, graça à Sua criação. Mas uma coisa é a graça de Deus em Tuma dispensação, em todas as dispensações, e outra, bem diferente, é a dispensação da graça de Deus. Existe uma «dispensação» ou «mordomia» ou «administração» da graça que foi confiada ao Apóstolo Paulo. Teve um princípio e terá um fim. Chamamos-lhe graça porque se estende a todos sem obras, sem a mediação dos Judeus ou da Lei.

     Outro princípio é o da Lei. Embora não estejamos sob a dispensação da Lei, não estamos sem lei. Paulo deixa claro que não estamos apenas sujeitos à lei de Cristo, mas também à lei do amor e às leis da sociedade em que vivemos:

     «O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.» (Romanos 13:10; ver também Romanos 13:1-6).

     Nós não conhecemos ninguém que ensine que a passagem de uma administração para outra nos liberta dos princípios permanentes de Deus.

     A consciência não deve ser ignorada só porque estamos sob a administração da graça. Ninguém deve presumir que a passagem do Antigo para o Novo Testamento significa abandonar os princípios permanentes. No entanto, existe uma diferença entre dispensações e princípios.

(Continua)

A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (1)
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