A compreensão do dispensacionalismo - realidade e mitos (1)

Realidade e mitos

 

A compreensão do Dispensacionalismo

     «Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da verdade.» — 2 Timóteo 2:15

Introdução

     Antes de um filho de Deus poder avançar no estudo sério da Bíblia, tem de compreender as diferentes dispensações nela reveladas. A incapacidade de compreender o verdadeiro ensinamento acerca das dispensações levou muitas pessoas a fazer aplicações erradas da Bíblia. Alguns, por não compreenderem a verdade sobre as dispensações, atacaram este ensinamento e até se recusam a acreditar que elas existem.

     O objetivo deste simples artigo é procurar responder a algumas dessas objeções e ajudar o leitor a compreender a natureza verdadeira das dispensações. Talvez uma definição clara da palavra, logo no início, seja útil.

     Definição: o ato de distribuir ou administrar, ou aquilo que é distribuído; uma disposição ou sistema específico através do qual algo é distribuído ou administrado. Moisés administrou a Lei. A palavra «dispensação» não significa um período de tempo. No entanto, uma administração terá, geralmente, um princípio e um fim.

     Ao mordomo de uma casa é confiada a responsabilidade de administrar os assuntos que o seu senhor lhe atribui. Assim, Moisés foi encarregado de administrar a Lei. Foi o mordomo de Deus naquela dispensação. O Evangelho da graça de Deus e a era da Igreja foram confiados a Paulo. Era sua responsabilidade anunciar as boas-notícias aos Gentios. Ele foi o mordomo de Deus nesta dispensação.

     Com esta compreensão, deverá ser fácil identificar as várias dispensações dentro do plano de Deus. Saberemos distinguir entre o Judeu, o Gentio e a Igreja de Deus.

A realidade do Dispensacionalismo

     Alguns críticos partem do princípio de que o Dispensacionalismo é uma doutrina recente, inventada pelo Dr. C. I. Scofield, editor da famosa Scofield Reference Bible (Bíblia Anotada de Scofield), e por J. N. Darby, insinuando que se trata de uma doutrina moderna, sem autoridade bíblica. No entanto, a investigação demonstrará que nem C. I. Scofield nem J. N. Darby inventaram o Dispensacionalismo, nem são a autoridade final sobre o assunto.

     Desde o primeiro século, houve escritores que acreditavam em diferentes economias ou administrações. Larry V. Crutchfield, professor de Bíblia em Baumholder, na Alemanha Ocidental, escreveu um artigo intitulado Ages and Dispensations of the Ante-Nicene Fathers («Épocas e Dispensações dos Pais Pré-Niceia»). Nesse artigo, salienta que os Pais da Igreja primitiva acreditavam em divisões da história baseadas na maneira como Deus lida com o ser humano. Afirma:

     «Entre aqueles cujas doutrinas acerca das épocas e dispensações sobreviveram do período pré-niceno encontram-se Justino Mártir, Ireneu, Tertuliano, Metódio e, em menor grau, Victorino de Petávio.»

     Justino Mártir (100–165 d.C.): segundo Crutchfield, Justino acreditava que o plano de Deus abrangia quatro fases da história humana. A primeira ia de Adão a Abraão; a segunda, de Abraão a Moisés; a terceira, de Moisés a Cristo; e a quarta, de Cristo ao estado eterno.

     Ireneu (120–202 d.C.): o esquema dispensacionalista de Ireneu compreendia quatro divisões:

  1. Da Criação ao Dilúvio.
  2. Do Dilúvio à Lei.
  3. Da Lei ao Evangelho.
  4. Do Evangelho ao estado eterno.

     Ensinava que havia quatro regiões do mundo e da humanidade. Via uma ligação entre essas regiões, os rostos dos «quatro seres viventes», os quatro Evangelhos e as quatro dispensações.

     «Alguns Pais da Igreja apresentavam apenas quatro dispensações; outros aproximavam-se bastante das mesmas divisões que os dispensacionalistas modernos fazem», afirma Crutchfield.

     Continua:

     «O número de dispensações de Ireneu, Victorino de Petávio e Metódio está artificialmente limitado a quatro […] Os primeiros Pais da Igreja referem-se às dispensações, na maioria das vezes, em termos das pessoas mais proeminentes.»

     Enumera essas pessoas: Adão, Noé, Abraão, Moisés e Cristo. Crutchfield conclui: «As divisões dispensacionalistas eram habitualmente estabelecidas com base nos limites das vidas e das épocas destes cinco homens.»

     Scofield segue mais de perto este padrão. O Dr. Scofield ensinava:

  1. Inocência (Adão).
  2. Governo (Noé).
  3. Promessa (Abraão).
  4. Lei (Moisés).
  5. Graça (Cristo).

     Foi John Nelson Darby (1800–1882) quem primeiro deu uma forma sistemática às épocas e dispensações. Contudo, estava longe de ser o primeiro a descobrir diferentes épocas e dispensações na Palavra de Deus. A fonte das dispensações é o próprio Deus, que fala delas na Sua Palavra. Devemos, portanto, atribuir ignorância deliberada àqueles que rejeitam o ensinamento dispensacionalista das Escrituras, alegando que só surgiu nos séculos XIX e XX.

     A Bíblia Anotada de Scofield procurou organizar corretamente as divisões do propósito de Deus, segundo a compreensão de Scofield.

     Temos a obrigação de examinar as Escrituras para verificar se a Bíblia ensina diferentes administrações. Se as ensina, devemos aceitar esse ensinamento. Se concluirmos que algum ensinamento de dispensações não é uma doutrina bíblica, então temos a obrigação de o rejeitar.

(Continua)

 

Sermões e Estudos

José Carvalho 11AGO26
Pressa para chegar a lado nenhum

Tema abordado por José Carvalho em 11 de outubro de 2026

Carlos Oliveira 07AGO26
Metáfora da tecnologia digital

Tema abordado por Carlos Oliveira em 09 de outubro de 2026

Carlos Cerqueira 04OUT26
A plenitude da vida cristã

Tema abordado por Carlos Cerqueira em 04 de outubro de 2026

Estudo Bíblico
1 Timóteo 3:8

Estudo realizado em 30 de setembro de 2026

ver mais
  • Avenida da Liberdade 356 
    2975-192 QUINTA DO CONDE 





     
  • geral@iqc.pt 
  • Rede Móvel
    966 208 045
    961 085 412
    939 797 455
  • HORÁRIO
    Clique aqui para ver horário