09-03-09 - Leitura de Velho e Novo Testamento transforma agnóstico
"Ao ler a Bíblia, muitas vezes sentia como se finalmente se tivesse levantado um véu dos meus olhos ...”
Judeu de nascimento, agnóstico por opção, o blogger David Plotz (foto ao lado) tem um espaço de publicação na revista online Slate, de que é editor, para explicar como se desafiou a si mesmo a ler o Velho e o Novo Testamento de capa a capa, nunca tendo lido a Bíblia antes.
Em 2006 e 2007, David Plotz blogou a Bíblia para a Slate, começando com "No princípio …" e lendo-a até ao fim. Na semana passada, Plotz publicou Good Book (Bom Livro): As Coisas Bizarras, Hilariantes, Inquietantes, Maravilhosas, e Inspiradoras Que Aprendi Quando Li Cada Palavra da Bíblia, um livro saído do projecto Slate. O seguinte excerto é do livro.
Good Book (Bom Livro)
O que aprendi ao ler a Bíblia inteira
Por David Plotz
Devias ler a Bíblia? Provavelmente nunca a leste. Há um século atrás, a maior parte dos Americanos bem instruídos conhecia a Bíblia profundamente. Hoje, a iliteracia bíblica é praticamente universal entre as pessoas não-religiosas. A minha mãe e o meu irmão, professores de literatura e as pessoas com mais hábitos de leitura que conheço, não têm feito muito mais do que examinar ligeiramente Génesis e Êxodo. Mesmo entre os fiéis, a Bíblia é lida de forma errática. A Igreja Católica, por exemplo, inclui apenas uma minúscula fracção do Velho Testamento nas suas leituras oficiais. Os Judeus estudam os primeiros cinco livros da Bíblia bastante bem mas não dão o devido lugar ao restante. Os Judeus Ortodoxos geralmente passam mais tempo com o Talmude e outros comentários do que com a própria Bíblia. Da maior parte de grupos Judeus e Cristãos, só os chamados Protestantes Evangélicos lêem a Bíblia mais obsessivamente.
Para a maioria de nós talvez não faça sentido ler a Bíblia toda. Afinal, há tantas passagens difíceis, repelentes, confusas, e enfadonhas. Porque não saltá-las e escolher as melhores cerejas? Depois de passar um ano com o bom livro, tornei-me num fundamentalista pleno da Bíblia. Todos deviam lê-la – toda ela! De facto, quanto menos crês, mais deverias lê-la. Deixa-me explicar-te a razão – em parte porque a leitura de toda a Bíblia me transformou.
Não quero parecer uma pessoa excêntrica teocrática, mas fico, de facto, surpreso por os estudantes não serem compelidos a ler enormes pedaços da Bíblia na escola e universidade, do mesmo modo que têm de ler Shakespeare, a Constituição ou Mark Twain.




