14-11-08 - Em que crê Barak Obama?
Muitos têm-se interrogado sobre a fé de Obama. Em que crê ele verdadeiramente?
Cathleen Falsani colunista do Chicago Sun-Times, uma das entrevistadoras mais dotadas em questões de religião, entrevistou Barak Obama em 2004, quando o agora Presidente eleito dos EUA concorria, então, para o Senado.
Da longa entrevista que agora veio, na íntegra, a público, destacamos o que a seguir transcrevemos. Leiamos o que ele mesmo disse.
FALSANI:
No que é que crê?
OBAMA:
Sou Cristão.
Portanto, tenho uma fé profunda. Portanto derivo da fé Cristã.
Por outro lado, nasci no Hawaii onde obviamente há uma série de influências Orientais.
Vivi na Indonésia, o maior país Muçulmano do mundo, entre os seis e os dez anos de idade.
O meu pai era do Quénia, e embora ele fosse, com toda a probabilidade, etiquetado de agnóstico, o pai dele era Muçulmano.
Tenho a dizer que, provavelmente, intelectualmente derivo mais do Judaísmo do que de qualquer outra fé.
Portanto, estou enraizado na tradição Cristã. Creio que há muitos caminhos para o mesmo lugar, e que há uma crença de que existe um poder superior, uma crença de que estamos ligados como um povo. Que há valores que transcendem a raça ou cultura, que nos move para diante, e há uma obrigação de todos nós individualmente, como também colectivamente, de tomar a responsabilidade de tornar esses valores vivos.
E assim, parte do meu projecto de vida foi provavelmente passar os primeiros 40 anos da minha vida a compreender o que eu cria – agora tenho 42 – e não é que tenha completado o trabalho, mas agora estou a passar uma série de tempo a tentar aplicar o que creio e a tentar viver por esses valores.
FALSANI:
Foi sempre Cristão?
OBAMA:
Eu fui mais educado pela minha mãe, e a minha mãe era Cristã.
FALSANI:
Algum sabor especial?
OBAMA:
Não.
Os meus avós eram de pequenas cidades no Kansas. A minha avó era Metodista. O meu avô era Baptista. Isto numa altura em que penso que os Metodistas se sentiam ligeiramente superiores aos Baptistas. E quando nasci penso que eles se juntaram a uma igreja Universalista.
Portanto, a minha mãe, que penso que teve uma grande influência nos meus valores como ninguém, não era uma pessoa que usasse a sua religião na manga. Nós íamos à igreja na Páscoa. Ela não era uma senhora da igreja.
Como disse, movemo-nos para a Indonésia. Ela voltou a casar, com um indonésio que não era um Muçulmano praticante. Eu fui para uma escola Católica num país Muçulmano. Por isso estudei a Bíblia e os catecismos de dia, e de noite ia à chamada da oração.
Por isso não penso que como criança que era, tivesse tido uma educação religiosa estruturada. Mas a minha mãe era uma pessoa profundamente espiritual, e que passava muito tempo a falar dos valores e a dar-me livros sobre as religiões do mundo, e a falar-me delas. E penso sempre, que a visão dela era sublinhar sempre estas religiões como um conjunto de crenças sobre como tratar as outras pessoas e como aspirar a uma actuação, não simplesmente em favor de si mesmo mas também em favor do maior bem.
E foi isto assim que levei comigo ao longo da universidade. Não comecei a tornar-me activo nas actividades da igreja antes de me mudar para Chicago.
( Depois de referir-se à sua chegada a Chicago em 1985 e ao seu envolvimento numa acção cívica, social e política com o apoio de um grupo de igrejas que lhe pagavam um ordenado de 13.000 dólares por ano, disse: )
OBAMA:
Tornei-me muito mais familiar com a tradição histórica da igreja negra e a sua importância na comunidade.
Foi assim que, uma das igrejas que conheci, ou uma das igrejas em que me envolvi, fosse a Trinity United Church of Christ (Igreja de Cristo Trindade Unida). E o pastor ali, Jeremiah Wright, tornou-se um bom amigo. Assim uni-me a essa igreja e dediquei-me a Cristo nessa igreja.
FALSANI:
Respondeu a uma chamada ao altar?
OBAMA:
Sim. Absolutamente.
Foi num dia de culto, durante o mesmo. E foi um momento poderoso. Porque, foi poderoso para mim porque não só dediquei a minha fé, não somente dei forma à minha fé, mas penso que também, me permitiu relacionar com a obra que eu tinha estado a buscar com a minha fé.
FALSANI:
Há quanto tempo?
OBAMA:
Há 16, 17 anos. 1987 ou 88.
FALSANI:
Portanto, nasceu de novo?
OBAMA:
Sim, embora eu não …, retenho da minha infância e das minhas experiências de crescimento uma suspeição sobre o dogma. E não sou uma pessoa que esteja sempre confortável com a linguagem que implica que consegui o monopólio da verdade, ou que a minha fé é automaticamente transferível para outros.
Sou um grande crente na tolerância. Penso que a religião no seu melhor vem com uma grande dose de dúvida. Suspeito de demasiada certeza na busca da compreensão simplesmente porque penso que as pessoas estão limitadas na sua compreensão.
Penso, particularmente como alguém que está agora no domínio público e é estudioso daquilo que une as pessoas e do que as afasta, que há uma enorme quantidade de prejuízo causado em torno do mundo em nome da religião e da certeza.
FALSANI:
Ora muitas vezes?
OBAMA:
Uh, sim, penso que sim.
Não o faço formalmente, colocando-me de joelhos. Penso que tenho uma conversação contínua com Deus. Penso que ao longo do dia, estou constantemente a colocar a mim mesmo questões sobre o que estou a fazer e porquê.
… O grande desafio, penso, é estar sempre a manter o compasso moral. Tenho conversas interiormente. Meço as minhas acções por essa voz interior que para mim, pelo menos, é audível, é activa, que me diz quando estou no trilho ou fora dele.
FALSANI:
Fiscaliza o altruísmo?
OBAMA:
Sim. Quero dizer, algo assim.
Olhando para ... É interessante, os momentos políticos mais poderosos para mim vêm quando sinto que as minhas acções estão alinhadas com uma certa verdade. Posso senti-lo. Quando falo a um grupo e digo algo verdadeiro, posso sentir um poder que advém daquelas declarações, e que é diferente do que quando estou simplesmente a ser eloquente ou engenhoso.
FALSANI:
Que poder é esse? É o Espírito Santo? Deus?
OBAMA:
Bem, penso que é o poder do reconhecimento de Deus, ou o reconhecimento de uma verdade maior que está a ser partilhada entre mim e uma audiência.
É algo que se aprende observando os ministros, bastante. É o que eles chamam de o Espírito Santo. Eles querem que o Espírito Santo desça antes deles pregarem, certo? Não tentam intelectualizar, mas o que se vê é que há momentos que acontece num sermão em que o ministro sai do seu ego e fala de uma fonte mais profunda. E é poderoso.
Há ocasiões em que se pode ver o ego em acção. Em que o ministro desempenha e claramente se esforça pela obtenção do aplauso ou de um Amém. E esses são momentos distintos. Penso que os primeiros momentos são sagrados.
FALSANI:
Quem é Jesus para si?
(Ele ri nervosamente)
OBAMA:
Certo.
Jesus para mim é uma figura histórica, e ele também é uma ponte entre Deus e o homem, na fé Cristã, e alguém que penso que é poderoso precisamente porque serve como o meio de nós alcançarmos algo mais elevado.
E ele também é um ensinador maravilhoso. Penso que é importante que todos nós, de qualquer fé, tenhamos ensinadores na carne e também ensinadores na história.
FALSANI:
Jesus é alguém com quem agora sente ter um relacionamento pessoal na sua vida?
OBAMA:
Sim. Penso que algumas das coisas que referi antes são canalizadas por meio da minha fé Cristã e de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo.
FALSANI:
Tem lido a Bíblia?
OBAMA:
Absolutamente.
Não a leio tão regularmente como gostaria. Nestes dias não tenho tido muito tempo para ler ou reflectir.
FALSANI:
… Diz que é Cristão e fica por aí.
OBAMA:
Há a crença, em alguns quadrantes, claro, de que as pessoas que não têm abraçado Jesus Cristo como seu salvador pessoal vão para o inferno.
FALSANI:
Não crê nisso?
OBAMA:
Acho difícil de acreditar que o meu Deus envie quatro quintos do mundo para o inferno.
Não consigo imaginar que o meu Deus permita que um pequeno miúdo Hindu, na Índia, que nunca interagiu com a fé Cristã arda de algum modo por toda a eternidade.
Isso não faz parte da minha composição religiosa.
FALSANI:
Crê no céu?
OBAMA:
Se creio nas harpas e nuvens e asas?
FALSANI:
Um lugar para onde espiritualmente vai depois de morrer...
OBAMA:
O que eu creio é que se viver a minha vida tão bem quanto posso, eu serei recompensado. Não presumo ter conhecimento do que acontece depois de morrer. Mas sinto muito fortemente que se a recompensa for aqui e agora ou no mundo vindouro, o alinhamento com a minha fé e os meus valores são uma coisa boa.
Quando deito as minhas filhas à noite e sinto como tenho sido bom pai para elas, e vejo nelas que estou a transferir valores que recebi da minha mãe e que elas são boas pessoas e que são pessoas honestas, e que são pessoas curiosas, isso é um pequeno pedaço do céu.
FALSANI:
Crê no pecado?
OBAMA:
Sim.
FALSANI:
O que é o pecado?
OBAMA:
Estar desalinhado dos meus valores.
FALSANI:
O que acontece se peca na sua vida?
OBAMA:
Penso que é a mesma coisa que a questão do céu. Do mesmo modo que se eu for verdadeiro para mim mesmo e a minha fé, isso será a minha própria recompensa. Quando não sou fiel, isso constitui o próprio castigo.
(colocado originalmente no blog de Steve Waldman em Beliefnet.)
COMENTÁRIO:
Não obstante Barak Obama andar numa igreja evangélica, deixa transparecer na entrevista uma grande confusão espiritual.
Clarifiquemos:
- O céu existe na presença de Deus (não é aqui na terra);
- O pecado é não atingir o padrão de Deus; não o padrão de algum de nós;
- O inferno é real e a maioria vai mesmo para lá (Mateus 7:13); Jesus não lançará lá ninguém injustamente e as crianças estão contempladas pela Redenção que há em Cristo.
- A salvação alcança-se como um dom da graça de Deus, por meio da fé, e não vem de nós; não vem das obras para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-10);
- Não há muitos caminhos para o céu. Jesus disse claramente que era o único caminho (João 14:6);
- A Bíblia dá certezas ao crente; a dúvida é semente de Satanás (1 João 5:13; cf. Gén. 3:1);
Infelizmente são muitas as pessoas, e vão sendo já muitas as igrejas, que têm pensamentos contrários ao ensino das Escrituras (Mat. 22:29).
Oremos por Barak Obama. Oremos para que Deus levante alguém que o possa ajudar, que o esclareça espiritualmente.
Um dia dois crentes caminhavam juntos e passaram junto ao edifício de uma igreja infiel que estava em obras. Sobre os taipais de protecção estava uma placa que dizia: "PERIGO. NÃO SE APROXIME."
Um deles comentou para o outro: "Seria bom que quando as obras acabassem a placa continuasse ali."
Infelizmente há muitas igrejas assim. Também devemos orar pelos que as constituem.




