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08-02-08 - O Delírio de Dawkins, ou Dawkins na mira da fé

o_delirio_de_dawkins.jpg     O professor da Universidade de Oxford, Alister McGrath, rebate as acusações do cientista pró-ateísmo Richard Dawkins em livro publicado pela editora Mundo Cristão.

     “Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso chama-se insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso chama-se religião”. Esta é apenas uma, dentre as muitas acusações hostis que Richard Dawkins faz ao fundamento básico de toda a religião, a fé. Em Deus, um delírio, um manifesto ateísta que questiona a veracidade da Bíblia, a tese do Projecto Inteligente e a existência de Deus, Dawkins chega a comparar a educação religiosa infantil ao abuso sexual e sugere que os “crentes” são pessoas recalcadas, intelectualmente limitadas, mas que apesar de sofrerem de alucinações que roçam a demonstração de doença mental, ao afirmarem que ouvem Deus falar ou que ele atende às suas petições, ainda há possibilidade de recuperá-los. A agressiva ousadia do cientista não pára por aí e vai além das palavras.

     Indignado com o crescimento da fé e convicto de que a religião — seja qual for — gera inimizades e violência, Dawkins alista-se abertamente num movimento internacional pró-ateísmo, defendendo a ideia de que é possível convencer grande parcela da sociedade a lutar pelo fim das religiões.

alister_mcgrath.jpg     Para responder a estas e outras perguntas, o ex-ateu e colega de Universidade de Dawkins, dr. Alister McGrath (foto), professor de Teologia Histórica em Oxford, pesquisador sénior do Harris Manchester College e doutor em Biologia Molecular e Teologia Científica, escreveu O delírio de Dawkins (Mundo Cristão). Nele critica a pobreza lógica utilizada pelo cientista no desenvolvimento das suas principais teorias e desmantela o argumento de que a ciência deve levar obrigatoriamente ao ateísmo. A seguir, confira trechos de entrevista concedida por Alister McGrath.

O que há de novo nas questões levantadas em Deus, um delírio e quais os efeitos práticos desse manifesto ateísta?

     A novidade fica por conta da raiva e de uma retórica voraz, ridicularizando a religião e a crença em Deus. Sobre os efeitos, esse livro pode sim reforçar a descrença de alguns ateístas, mas não creio que consiga atrair muitos adeptos, devido principalmente à maneira ridícula como caricatura a fé religiosa.

Porque é que o ateísmo é tão influente nas universidades?

     Uma das razões é o facto dos estudantes estarem a chegar lá sem a plena convicção da sua fé, e por isso altamente vulneráveis ao ateísmo. É preciso relacionar a espiritualidade e a intelectualidade com as reais preocupações dos estudantes, a fim de habilitá-los a perceber o poder de mudança do Cristianismo, trazendo assim sentido e estabilidade à existência humana.

O ser humano é biologicamente predisposto a acreditar no sobrenatural?

     De facto, para muitos escritores cristãos, a natureza humana possui uma espécie de dispositivo rastreador que nos guia a Deus. Para mim, não se trata de nenhum acidente evolutivo! Isso é parte da nossa natureza. Como diz o Novo Testamento: “Deus pôs a eternidade nos nossos corações”.

     Dawkins diz que “a teologia pensa ter respostas que a ciência não tem”.

     A maioria dos cientistas são claros quando dizem que a ciência não é capaz de responder a questões morais, bem como esclarecer o propósito da vida. Esse aspecto foi enfatizado diversas vezes por Peter Medawar, imunologista de Oxford que recebeu o prémio Nobel de Medicina por descobrir a tolerância imunológica adquirida. Numa importante publicação intitulada “Os limites da ciência”, ele explorou a questão de como a ciência era limitada pela natureza da realidade e enfatizou que as perguntas transcendentais podem ser melhor respondidas pela religião e pela metafísica. Dawkins mostra-se incapaz de entender e, por consequência, apreciar esse aspecto.

     Para Dawkins, Deus é um “deus de lacunas” e, à medida que a ciência evolui, ele tende ao desaparecimento.

Até que ponto Deus é apenas a resposta para aquilo que ultrapassa a escala da nossa compreensão?

     Essa ideia do “deus de lacunas” foi manifestada por alguns escritores cristãos no século XIX, mas já foi abandonada há muito tempo. O notável pastor Charles A. Coulson, o primeiro professor de Química Teórica da Universidade de Oxford, argumentava que nós deveríamos desenvolver uma teoria compreensível da realidade que evidenciasse a capacidade de explicação da fé cristã como um todo, em vez de colocá-la sempre na posição de preenchimento de lacunas. Da mesma forma, o filósofo Richard Swinburne, da Universidade de Oxford, argumenta que a capacidade da ciência de se explicar a si própria também requer explicações. Nesse caso, o argumento mais aceitável se enquadraria na noção de um Criador. A fé cristã oferece ampla explicação “do todo”, e não se limita às lacunas que a ciência não pode explicar.

Qual o seu conselho para o povo cristão que começa a ter acesso à obra de Dawkins?

     Não há nada que temer em relação a esse livro. Na realidade, ele só nos ajuda a mostrar a importância de entendermos o motivo da nossa fé e de sermos capazes de defendê-la e explicá-la em público.

     O livro serve, de alguma forma, para despertar a igreja, que precisa de preparar melhor a comunidade cristã para refutar essas críticas, desafiando Dawkins e os seus seguidores no que diz respeito à maneira simplista e errónea com que utilizam os seus argumentos para tentar desmoralizar a fé. Espero que a igreja supere esse desafio e se comprometa no propósito de capacitar as pessoas, principalmente os jovens, a fim de que estejam equipados para defender a sua fé.

Mais sobre a questão ... Notícia complementar:

    Os novos profetas do ateísmo são muito parecidos com os dos séculos XVIII, XIX e XX, que pregavam que a evolução natural da sociedade levaria a avanços tão grandes nas descobertas científicas que tornariam desnecessárias as religiões e o próprio conceito de Deus. O proselitismo ateísta está apenas a ser reciclado em inúmeros livros lançados nos últimos anos e os argumentos, em geral, são semelhantes aos defendidos nos tempos em que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) declarou que Deus estava morto.

     Mas há uma diferença entre os velhos e os novos cientistas e filósofos que defendem uma visão do mundo destituída de Deus: a agressividade. O exemplo máximo desse tom mais virulento, que considera ignorantes e obscuros os que ousam crer no sobrenatural, está em Richard Dawkins, o biólogo autor de Deus, Um Delírio (Companhia das Letras), com milhares de exemplares vendidos pelos quatro cantos do mundo. Esta é a opinião de um colega de Dawkins na Universidade de Oxford, o professor de história da teologia Alister McGrath (foto), ex-ateu, doutor em biofísica molecular, pesquisador sénior do Harris Manchester College. Ao lado de Joanna McGrath, professora de psicologia da religião na Universidade de Londres, ele escreveu uma resposta ao livro de Dawkins.

     Recém-lançado pela Editora Mundo Cristão, O Delírio de Dawkins é uma contra-argumentação contundente, na qual McGrath acusa o colega de ingénuo, superficial, leviano e com uma visão estereotipada das religiões e dos religiosos em geral. Nele, também rejeita a pretensão do biólogo de arvorar-se em porta-voz do universo académico científico, seja ele ateísta ou teísta. "Dawkins trata os cientistas que acreditam em Deus como traidores", disse McGrath.

     Os verdadeiros cientistas, diz ele, deveriam ser ateus. "Mas há muitos cientistas que acreditam em Deus por crerem que esta é a melhor maneira de fazer com que o mundo tenha sentido. E Dawkins coloca-se como um porta-voz dos cientistas, ignorando esses outros colegas. Muitos na comunidade de cientistas discordam dele. E muitos outros cientistas ateus estão a querer dissociar-se desse tipo de retórica agressiva e da sua séria simplificação de questões complexas."

     A fúria snobe de Richard Dawkins contra os que crêem é, para McGrath, o elemento mais perturbador dessa nova retórica ateísta. No seu livro, McGrath vale-se de opiniões pessoais e das de cientistas de renome, ateus ou não, para desmontar argumentos considerados frágeis.

     Ele cita, por exemplo, um dos mais afamados biólogos evolucionistas americanos para ilustrar a sua ideia sobre a incapacidade da ciência de oferecer respostas absolutas para os mistérios mais profundos da existência. "Já vimos como Stephen Jay Gould rejeitou qualquer ideia imprudente de igualar excelência científica e fé ateísta. Com base nas concepções religiosas dos principais biólogos evolucionistas, Gould observou: 'Ou metade dos meus colegas é absurdamente estúpida, ou então a ciência darwinista é totalmente compatível com as crenças religiosas convencionais, e, assim, compatíveis com o ateísmo.'", escreve o cientista de Oxford.

     Para McGrath, a questão apresentada por Gould é amplamente aceite nos meios científicos, mas ignorada por Dawkins no seu panfleto materialista: a de que a natureza pode ser interpretada tanto de uma forma teísta quanto ateísta - mas sem impor nenhuma das duas. "Ambas as interpretações representam possibilidades intelectuais genuínas para a ciência.", afirma McGrath.

     Para o teólogo de Oxford, uma das razões que levam Richard Dawkins a esbracejar contra as religiões é a associação destas com a política e os seus consequentes impactos na forma de violência e guerras. Todos precisam de lutar contra a violência religiosa, prega Dawkins, um apelo com o qual Alister McGrath concorda. Mas ele lembra que a violência não é sequer necessária à fé religiosa e muito menos exclusiva dela. O ateísmo por si já promoveu muita destruição de vidas. Ditaduras de direita e de esquerda produziram tanta violência quanto as religiões, um facto que Richard Dawkins parece ignorar, afirma McGrath.

     "Está claro que Dawkins é um ateu encerrado numa torre de marfim, desligado do mundo real e brutal do século XX. Os factos são diferentes. Nos seus esforços de forçar a ideologia ateísta, as autoridades soviéticas destruíram e eliminaram sistematicamente a maioria das igrejas e dos seus ministros entre 1918 e 1941-45. As estatísticas apresentam um quadro terrível."

     A violência e a repressão foram empreendidas na busca de um programa ateu: a eliminação da religião. (...) A história da União Soviética está repleta de incêndios e explosões de inúmeras igrejas. A sua contestação de que o ateísmo é livre de violência e opressão, as quais ele associa com a religião, é simplesmente insustentável e sugere um significativo ponto cego", escreve McGrath.

     Para o professor de Oxford, a real motivação por detrás do livro de Dawkins é a percepção de que o velho sonho ateu de eliminar a religião simplesmente não vai acontecer. "E ele está agora muito irritado com o facto de que a religião sobreviveu e na verdade está a ganhar força em muitos lugares. O seu livro é uma última tentativa de virar a maré."

     Mas se para alguns cientistas a fé pode perfeitamente conviver com o darwinismo, que linguagem comum poderia haver entre a teoria da evolução e o livro do Génesis? McGrath afirma que, realmente, a interpretação do primeiro livro da Bíblia divide os cristãos há eras. Uns dizem que ele tem que ser interpretado literalmente como um registro de seis dias de criação. Outros, que se trata de uma apreciação muito mais complexa sobre como a vida veio a existir sobre a face da Terra. "Existe uma linguagem comum, mas a principal diferença é esta: para Dawkins, o darwinismo significa que não existe nenhum propósito para a vida. Para os cristãos, a evolução é uma das formas pelas quais Deus opera os seus propósitos."

     A sua interpretação particular do livro do Génesis é a de que o livro é melhor entendido como um relato de que toda forma de vida criada responde a Deus e é dependente de Deus para sua existência. "Não o vejo como um relato preciso, cronológico e detalhado de como a vida apareceu, mas sim como uma afirmação sobre um aspecto fundamental, o de que existe apenas um Deus e este único Deus é responsável por trazer à existência a vida da forma como nós a conhecemos."

     Para McGrath, a pergunta que a maioria dos cientistas faz não é tanto se ciência ainda vai produzir evidências de que o universo tem um sentido, mas se o universo tem um propósito. "Acho que Stephen Jay Gould está certo quando afirma que a ciência simplesmente é incapaz, pelos seus diferentes métodos, de identificar um propósito para o universo. Isso não significa que não exista um propósito, mas que a ciência não tem as ferramentas necessárias para identificá-lo. Para mim, portanto, o elemento importante na fé cristã é poder tratar do propósito da vida por detrás do universo e da vida em cada indivíduo. Isso não é contradizer a ciência. É apenas ir aonde a ciência não consegue ir."

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