31-10-2026 - Antigo relato sobre Jesus feito pelo historiador Josefo desafia séculos de dúvidas académicas: «Totalmente autêntico»

O académico da Universidade de Fairfield, T.C. Schmidt, apresentado à direita, defende que uma passagem sobre Jesus, há muito contestada, nos escritos de Josefo poderá ser autêntica, apesar de séculos de ceticismo académico. (Leemage/Corbis via Getty Images; Fox News Digital)
Professor T.C. Schmidt, na foto) utilizou análise informática assistida em cinco línguas antigas na sua investigação.
Um antigo historiador judeu, Josefo, poderá ter conhecido pessoas ligadas à crucificação de Jesus, afirma o investigador.
Um relato sobre Jesus, com quase 2000 anos, poderá ser mais autêntico do que anteriormente se acreditava, segundo uma nova investigação. O académico da Universidade de Fairfield, T.C. Schmidt, explicou à Fox News Digital de que forma as suas conclusões põem em causa dúvidas antigas sobre este texto histórico.
O investigador acredita que um relato sobre Jesus feito pelo historiador Josefa, com quase 2000 anos, poderá ser historicamente mais fiável do que se pensava anteriormente, pondo em causa dúvidas antigas sobre um dos primeiros relatos não cristãos da Sua vida.
T.C. Schmidt, professor associado de Estudos Religiosos na Universidade de Fairfield, no Connecticut, EUA, é o autor de um livro publicado em 2025, intitulado Josephus and Jesus: New Evidence for the One Called Christ (Josefo e Jesus: Novas Provas sobre Aquele que é Chamado Cristo), no qual analisa uma passagem há muito contestada sobre Jesus, escrita pelo antigo historiador judeu Josefo.
Josefo viveu aproximadamente entre os anos 37 e 100 d.C. e escreveu sobre Jesus na sua obra Antiguidades Judaicas, fornecendo um dos poucos relatos não cristãos da Sua vida que chegaram até aos nossos dias.
Nessa passagem, Josefo descreveu Jesus como um homem sábio que atraiu seguidores e foi condenado à crucificação durante o governo de Pôncio Pilatos. O texto também faz referência a relatos segundo os quais Jesus voltou a aparecer vivo depois da Sua morte.
Durante séculos, os académicos têm debatido se os escribas cristãos alteraram esta passagem, que contém afirmações sobre Jesus que alguns historiadores consideram invulgares num escritor judeu não cristão.
Mas Schmidt disse à Fox News Digital que a sua investigação sugere que a passagem é autêntica, apontando para uma análise linguística e para comparações com outros escritos de Josefo.
Schmidt examinou versões antigas do relato de Josefo em grego, latim, siríaco, árabe e arménio, utilizando comparações textuais e uma análise estilística assistida por computador para defender que a passagem contestada é coerente com o estilo de escrita de Josefo.
Segundo Schmidt, a sua análise encontrou semelhanças ao longo de toda a passagem.
«Demonstro que cada uma das frases da passagem pode ser relacionada com textos de Josefo. Tudo soa a algo que Josefo teria escrito», disse Schmidt à Fox News Digital.
«O que esta passagem faz é consolidar a presença de Jesus na História.»
Schmidt argumentou também que algumas das descrições de Jesus feitas por Josefo têm sido mal interpretadas, fazendo com que a passagem pareça mais favorável ao Cristianismo do que Schmidt considera que Josefo pretendia.
Por exemplo, afirmou que a descrição de Jesus, feita por Josefo, como alguém que realizava feitos sobrenaturais não significa necessariamente que o historiador acreditasse que esses poderes provinham de Deus.
Em vez disso, a linguagem é mais ambígua, deixando em aberto a possibilidade de esses poderes serem considerados de origem divina ou demoníaca.
«Isto soa, de facto, a algo que um judeu não cristão teria dito», afirmou Schmidt. «Temos outros relatos de judeus de épocas posteriores que dizem coisas semelhantes sobre Jesus.»

Schmidt, apresentado à direita, disse à Fox News Digital que cada frase da passagem contestada podia ser relacionada com expressões encontradas noutros escritos de Josefo. (Bridgeman via Getty Images; GraphicaArtis/Getty Images; Fox News Digital)
«Assim, quando juntamos tudo, o estilo da passagem corresponde ao de Josefo, e as afirmações nela contidas correspondem ao que Josefo teria dito enquanto judeu não cristão», acrescentou. «Por outras palavras, a passagem parece totalmente autêntica.»
Schmidt afirmou que as suas conclusões poderão reforçar as provas históricas relativas à vida de Jesus.
«O que esta passagem faz é consolidar a presença de Jesus na História», disse Schmidt.
Acrescentou que o relato de Josefo confirma pormenores encontrados nos Evangelhos, incluindo os discípulos de Jesus, a Sua reputação de realizar milagres e a Sua crucificação durante o governo de Pôncio Pilatos.

O antigo historiador judeu Josefo, apresentado à esquerda, escreveu sobre Jesus em Antiguidades Judaicas, fornecendo um dos poucos relatos não cristãos da Sua vida que chegaram até nós. (Universal History Archive/Universal Images Group via Getty Images; Bridgeman via Getty Images)
Schmidt salientou também a referência à ressurreição de Jesus, argumentando que ela constitui uma prova histórica daquilo em que acreditavam os Seus primeiros seguidores.
«O próprio Josefo não afirma a ressurreição, mas confirma que os primeiros cristãos, os discípulos de Jesus, acreditavam que Jesus tinha ressuscitado ao terceiro dia», afirmou Schmidt.
Questionado sobre a recepção do seu livro, Schmidt disse que este tem recebido comentários positivos, levando algumas pessoas a reconsiderar as suas opiniões sobre a autenticidade da passagem.
Schmidt afirmou que a sua própria investigação o levou a questionar aquilo que anteriormente lhe tinha sido ensinado.
A autenticidade do relato de Josefo continua a ser objecto de debate académico, continuando os historiadores a discordar sobre até que ponto a passagem poderá ter sido alterada por escribas cristãos de épocas posteriores.
Olhando para o futuro, Schmidt afirmou ter identificado duas ou três possíveis ligações adicionais entre Josefo e pessoas associadas à crucificação de Jesus, desde a publicação do livro — um tema que será objecto de futuras investigações.
Schmidt encorajou também os leitores a examinarem eles próprios as fontes históricas, salientando que a sua própria investigação o levou a questionar aquilo que anteriormente lhe tinha sido ensinado.

A linguagem utilizada por Josefo deixa em aberto a possibilidade de os poderes sobrenaturais atribuídos a Jesus serem entendidos como divinos ou demoníacos, disse um académico à Fox News Digital. (Universal History Archive/Universal Images Group via Getty Images)
«Durante toda a minha carreira académica, ensinaram-me que este parágrafo de Josefo não era autêntico. E eu acreditava nisso», afirmou Schmidt.
«Mas, à medida que comecei a examinar atentamente as provas, tudo continuava a apontar para a ideia de que é autêntico.»
- in Fox News Digital
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