28-12-2025 - Cristã em contentor sem ar na Eritreia vive milagre: ‘Deus providenciou ar para respirar’

Tuwen Theodros. (Foto: SDOK).
A cristã Tuwen Theodros passou 16 anos na prisão, sofrendo tortura e solidão, apenas por seguir Jesus na Eritreia.
Conhecida como a “Coreia do Norte da África”, a Eritreia ocupa a 6ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas.
Apenas quatro religiões são permitidas pelo governo autoritário: o islamismo sunita, a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja Católica Romana e a Igreja Luterana. Igrejas domésticas são proibidas e cristãos são perseguidos constantemente.
Conhecendo o Evangelho
Tuwen cresceu seguindo o catolicismo no país, mas em sua juventude encontrou a verdade do Evangelho ao ler a Bíblia.
“A minha fé consistia em tradições, mas não estava viva. Recebi um Novo Testamento de um padre e ele me aconselhou a ler um capítulo todos os dias. Li Apocalipse e fiquei emocionada com o último capítulo, onde diz que Deus te punirá se tirares algo da Palavra e acrescentares à mesma. Percebi então que muitas coisas ensinadas na Igreja Católica na Eritreia não se baseiam na Bíblia”, contou ela, em entrevista à SDOK (Stichting de Ondergrondse Kerk), uma missão que apoia Cristãos perseguidos.
A mulher passou a questionar a profundidade da sua fé. “Fiquei impressionada com a carta a Laodicéia. A igreja não é nem quente nem fria, e Deus diz que vai cuspi-los da Sua boca. Um medo entrou em meu coração. Deus vai me cuspir também?", disse.
Tocada pela Palavra, Tuwen começou a frequentar uma igreja bíblica secreta e aceitou o Senhor Jesus como seu Salvador. Porém, a sua família não aceitou a sua conversão e confiscou a sua Bíblia e o seu hinário.
Aos 21 anos, ela foi levada presa durante um culto. "A polícia entrou na nossa igreja doméstica e perguntou se éramos Cristãos. Quando concordámos, fomos presos”, lembrou.
“Você não é nem frio nem quente”
Um mês depois, Tuwen foi libertada da prisão ao assinar uma declaração prometendo que não participaria em grandes reuniões da igreja. “O meu pai prometeu que, se eu assinasse, receberia a minha Bíblia e o meu hinário de volta”, comentou.
De forma inocente, a Cristã assinou o documento, foi liberta e voltou a trabalhar no exército da Eritreia. Ao entregar uma carta da prisão ao seu chefe, Tuwen descobriu que havia sido enganada.
"’Diz aqui que você renunciou à sua fé e não se envolverá mais em atividades cristãs'. Eu gritei: Isso não é verdade! O meu chefe respondeu: 'Olha, a tua assinatura está em baixo'. Quando fui ler a carta, realmente li que havia declarado que havia renunciado à minha fé. Eu também teria declarado que voltaria à minha fé católica”, relatou.
“Fiquei chocada, fui para casa e abri meu coração a Deus. Novamente me vieram à mente aquelas palavras de Apocalipse: 'Nem és nem frio nem quente'”.
Naquele momento, a cristã perseguida decidiu entregar toda a sua vida ao Senhor, não se importando com as consequências.
“Eu tive que fazer uma escolha entre ser fria ou quente. Eu estava ajoelhada na frente da minha cama, tive que fazer uma escolha. Eu interroguei-me: estás disposta a abandonar pai e mãe? Os teus irmãos e irmãs? O teu trabalho? Estás disposta a desistir da tua vida? A cada pergunta respondi sim”, disse.
Presa em ontentor no deserto
Oito meses depois, Tuwen foi detida novamente por participar de cultos da igreja secreta. Durante três anos, ela foi mantida enum contentor no deserto.
"Durante o dia era extremamente quente, mas à noite era extremamente frio. Inicialmente, fui presa com outros Cristãos, mas depois fui colocada em isolamento porque falei do Evangelho a outros prisioneiros”, afirmou.
“Tentei secretamente fazer contacto com os Cristãos nos outros contentores através das aberturas da grade de ventilação. Quando [os oficiais] perceberam isso, viraram os contentores e o contacto não foi mais possível”.
Para convencer a Cristã a renunciar à sua fé, os guardas fecharam completamente as grades de ventilação do seu contentor. Sem ar, Tuwen não conseguia respirar mais.
"Lutei pela minha vida, mas era demais e orei: 'Deus, por favor, ajuda-me!'. Vieram-me à mente as palavras da carta de Pedro: ‘Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse, mas alegrai-vos no facto de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.’”, contou.
Após clamar pelo Senhor, algo sobrenatural aconteceu. “Por um lado, experimentei alegria em Deus, mas ao mesmo tempo foi muito doloroso. Então, de repente, Ele providenciou ar fresco para eu respirar. Eu experimentei a presença do Espírito Santo tão forte. Isso me lembrou dos amigos de Daniel no forno ardente. Deus os salvou do fogo. Eu tive a mesma experiência. O contentor ficou fechado por cerca de duas horas, mas eu conseguia respirar”, testemunhou Tuwen.
Quando os guardas abriram a porta do contentor, ficaram surpresos ao encontrarem a Cristã em ótimo estado de saúde.
“Outros cristãos disseram que quando me viram sair do contentor, o meu rosto estava radiante”, destacou.
Mantendo a fé firme
Mais tarde, a mulher foi transferida para a prisão, onde viu Cristãos serem mortos pela sua fé. Ela e outros crentes foram torturados para serem persuadidos a assinar uma declaração negando o Senhor Jesus Cristo.
"Eles usaram um chicote de borracha e um grande bastão. Também tivemos que andar descalços em solo arenoso, cheio de espinhos. Foi muito doloroso. Eu não tive nenhum tato nos pés durante dois anos por causa da tortura”, detalhou.
“Eles tentaram tornar-se meus amigos, esperando me persuadir a assinar. Eles diziam sempre: 'Pense nisso com calma'. Eu respondia: já pensei nisso e não vou negociar”, comentou.
Impacto sobre outros Cristãos
Com a ajuda de Deus, a Cristã permaneceu firme e não abandonou a fé. Após 16 anos na prisão, Tuwen foi libertada no final de 2020, como parte de um acordo de amnistia.
Hoje, ela mora na Europa e tem dado o seu testemunho com outros cristãos. “Do ponto de vista espiritual, isso deu-me muita riqueza. Ouço de outros ex-prisioneiros que eles foram encorajados pela minha fé. Eles disseram: 'Temos comida e visitantes, mas tu não recebeste nada disso. No entanto, vimos uma grande alegria em ti. E através disso conhecemos o Senhor Jesus’. Deus quis usar-me para trazer outros ao Senhor Jesus Cristo”, concluiu.
- in SDOK
_________________________________________
NOTA de esclarecimento importante:
Esta secção de notícias é exatamente isso, e tão somente isso: notícias, visando informar o povo de Deus do que vai acontecendo no mundo. Não significa que subscrevamos princípios, práticas e costumes associados às mesmas. O resto do portal esclarece bem e com rigor o que realmente cremos à luz das Escrituras bem manejadas.




