26-05-2024 - “Evangelho é imparável na Coreia do Norte”, diz Cristão que escapou da perseguição
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600 norte-coreanos que moravam na China foram repatriados à força ao país. (Foto ilustrativa: Unsplash/Thomas Evans)
Illyong Ju, um cristão fugitivo da Coreia do Norte, mantém a esperança viva para a sua nação, apesar de ter vários familiares aprisionados em campos políticos.
Há dois anos, ele contou em um vídeo, que toda a família de uma tia sua teve de ser levada para um campo de prisioneiros políticos só porque o avô dela era Cristão.
Na ocasião, ele também testemunhou em primeira mão como, apesar dos esforços incansáveis do partido no poder para suprimir a disseminação do Cristianismo, o "Evangelho é imparável".
A (ICC) divulgou o testemunho em vídeo de Illyong durante a edição de 2022 da (IRF, sigla em inglês) e, recentemente, a ICC fez uma entrevista com ele, enquanto persiste na sua defesa pelos Cristãos na Coreia do Norte.
Perseguição religiosa e esperança
Sobre a divulgação de sua história, Illyong agradeceu a partilha do seu testemunho sobre a perseguição religiosa que sofre o seu país.
Ele disse que se sente na obrigação de contar a sua história esperando que ela contribua para informar o mundo sobre a opressão que o povo norte-coreano sofre, que até agora não era bem conhecida.
“Espero também que a minha história e a da minha família se torne uma oportunidade para as pessoas se interessarem pelo povo da Coreia do Norte”, declarou, dizendo que com ela também espera que os norte-coreanos que a ouvirem tenham esperança.
Illyong contou que quando dá o seu testemunho e conta a sua história a Cristãos nos EUA e em todo o mundo, a sua intenção é que “olhem para a Coreia do Norte e sintam o potencial do seu povo, as mudanças que fizeram e o Deus que vive e trabalha dentro deles”.
Ele diz que seria extraordinário se aqueles que oram pela Coreia do Norte e pelo seu povo se conscientizassem das mudanças surpreendentes que o povo norte-coreano fez, que existem em seu país pessoas que realmente adoram, e que Deus está com eles. “Porque acredito que isso pode dar -teforça”, justificou.
Cristãos são alvo
Sobre a igreja clandestina e a perseguição cristã na Coreia do Norte, Illyong disse que ainda é muito grave o que o regime faz.
“A maior prioridade para a perseguição na Coreia do Norte são os Cristãos e, em segundo lugar, as pessoas que comunicam com a República da Coreia”, disse.
E continuou: “Isto porque, no momento em que os residentes norte-coreanos leem a Bíblia, percebem que a ideologia Juche é uma ideologia falsa.
A ideologia Juche, que serve como fundamento para o governo da Coreia do Norte, foi desenvolvida por Kim Il-sung, fundador do país. A palavra "Juche" significa autossuficiência ou autodeterminação, portanto, o povo deve ser o dono de seu próprio destino e que todas as políticas devem ser orientadas para promover os interesses do Estado e da nação.
O regime norte-coreano, disse o Cristão, é um pseudogrupo criado pela imitação da Bíblia.
“É por isso que o regime norte-coreano dá prioridade à perseguição aos Cristãos e não hesita em executá-los”, disse Illyong.
Ordem para matar
Recentemente, a opressão não só dos Cristãos, mas de toda a população tornou-se mais severa, contou Illyong, explicando que uma cerca dupla de arame farpado foi erguida na fronteira entre a Coreia do Norte e a China, e dada ordem para matar qualquer pessoa que tente cruzar a fronteira, ordem que ainda está em vigor até hoje.
No entanto, ele diz que Deus está a realizar “coisas incríveis com osSeus filhos na Coreia do Norte.”
“Em primeiro lugar, recebi um relatório de que a Bíblia se tornou mais popular nos mercados da Coreia do Norte há alguns anos, sendo chamada de livro de bênçãos”, disse.
Ele explicou que Deus o tem ajudado nestes últimos dois anos, sobre o trabalho que realiza para socorrer o povo norte-coreano e asiático.
“Acreditamos que Deus está satisfeito por trabalharmos com e para os Cristãos na Coreia do Norte. Recentemente, fiz uma viagem missionária de curta duração ao Sul da Ásia para espalhar o amor de Deus. Deus está connosco e continua a andar connosco”.
Torturas e assassinatos
Illyong falou ainda sobre refugiados Cristãos na China que foram repatriados para a Coreia do Norte no ano passado.
Segundo disse, cerca de 600 norte-coreanos que moravam na China foram repatriados à força para a Coreia do Norte, numa medida surpresa do governo chinês no final do ano passado.
“Consideramos lamentável que a China, membro do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, tenha simpatizado com as ações assassinas do regime norte-coreano”, declarou, dizendo ainda que ouviu que eles serão interrogados para contar, à força, sobre as 1.000 pessoas restantes que ainda não foram repatriadas para a Coreia do Norte.
“Sem dúvida que serão torturados nos campos e alguns serão executados. Nunca devemos considerar este facto levianamente. O regime norte-coreano continua a cometer atos equivalentes ao genocídio contra o seu próprio povo, e o governo chinês está a fechar os olhos a isto e a apoiar isto tacitamente”.
Ele diz que sente muito pelos norte-coreanos que foram repatriados à força para a Coreia do Norte, mas que, acredita que Deus está a fazer a Sua obra por meio desse incidente.
“Entre as 600 pessoas que foram repatriadas à força para a Coreia do Norte, deve haver pessoas que creem no Senhor Jesus. Eles espalharão o Evangelho onde quer que vão. Assim como a irmã Kim, que trabalha comigo, evangelizou oito pessoas enquanto esteve numa prisão norte-coreana devido à repatriação forçada”.
Trabalho missionário
Illyong fala sobre a sua vida atual, dizendo que o seu plano original era estudar no exterior, nos EUA, para obter o título de doutor no primeiro semestre deste ano. No entanto, neste momento o seu desejo maior é trabalhar para o povo norte-coreano.
“Por isso decidi suspender o meu doutoramento e trabalhar para missões norte-coreanas. Atualmente, estamos a trabalhar para formar uma organização que conduza o trabalho missionário na Coreia do Norte de forma mais sistemática na Coreia do Sul.”
Ele disse ainda que desertores norte-coreanos, como ele, são os que desempenham o papel de comunicação entre eles.
“Agora podemos espalhar o Evangelho na Coreia do Norte através dos desertores norte-coreanos. ... Sonhamos com uma península coreana onde o Senhor Jesus Cristo seja o único Rei. Então, o que fazemos é chamado de movimento ‘Um só Rei, uma só Coreia’”, concluiu.
in International Christian Concern
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