24-12-2023 - Sermão de Natal de C. S. Lewis pregado no período da 2ª Guerra Mundial sobre "certo e errado"
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Clive Staples Lewis. (Foto: Wikimedia/Creative Commons)
Um sermão de Natal do famoso ex-ateu professor universitário e escritor irlandês, C. S. Lewis (1898-1963), que virou artigo de revista há 77 anos, está a receber atenção renovada na cultura americana pela sua abordagem a “um mundo que não distingue o certo do errado”.
Esse sermão pregado há 77 anos parece assentar que nem uma luva na nossa sociedade de 2023. O artigo “A Christmas Sermon for Pagans” (Um Sermão de Natal para Pagãos) foi publicado em 1946 pela revista britânica Strand.
Na época, Lewis já observava que a estrutura moral da sociedade se estava a desmoronar. “Este Sermão de Natal virou tendência e força nas redes sociais”, observou a Fox News.
“Debates sobre os conceitos de segurança moral que Lewis apresenta têm aparecido em artigos académicos recentes e em discussões entre cristãos e americanos de outras religiões”, disse o órgão noticioso.
‘Sem certo ou errado, cada um inventa a sua ideologia’
Lewis afirmou que existem três tipos de pessoas no mundo: “aquelas que estão doentes e não sabem disso (pós-Cristãos), aquelas que estão doentes e sabem disso (pagãos) e aquelas que encontraram a cura (Cristãos)”.
Para o pós-Cristão, ele escreveu: “Não existe certo ou errado objetivo, cada raça ou classe pode inventar o seu próprio código ou ‘ideologia’ conforme desejar”. Lewis então listou o problema lógico da cosmovisão pós-cristã.
“Se não existe o certo e o errado, nada de bom ou mau em si mesmo, então nenhuma dessas ideologias pode ser melhor ou pior que outra. Um código moral melhor só pode vir daquele que se aproxima de algum código real ou absoluto”, afirmou Lewis no seu sermão.
“Um mapa de Nova York só pode ser melhor que outro se houver uma Nova York real à qual possa ser mais fiel. Se não existir um padrão objetivo, então a nossa escolha entre uma ideologia e outra torna-se numa questão de gosto arbitrário”, continuou.
“Logo, a nossa batalha pelos ideais democráticos contra os ideais nazis (pregação feita durante o período da 2ª Guerra Mundial) tem sido uma perda de tempo porque um não é melhor que o outro”, concluiu o teólogo na sua coluna que foi publicada um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial.
‘Caminho de volta para o céu’
Na opinião de Kerry J. Byrne, da Fox News: “O sermão de Lewis aborda, com uma presciência quase surpreendente, muitas das mesmas questões da guerra cultural que fervilha há anos nos Estados Unidos e explode em todo o país...”.
A coluna de Lewis termina com uma palavra de esperança para os não-Cristãos na audiência.
“Em todo o mundo, mesmo no Japão e até mesmo na Rússia, homens e mulheres encontram-se no dia 25 de dezembro para fazer o que é uma coisa muito antiquada ou, se preferir, muito pagã: cantar e festejar porque um Deus veio a este mundo”, escreveu Lewis.
“Você não tem certeza se isso é mais do que um mito. Bem, se for, então a nossa última esperança desapareceu. Mas não vale a pena tentar a explicação oposta? Quem sabe nisso, e somente nisso, está o seu caminho de volta não apenas para o Céu, mas também para a Terra, e para a grande família humana cujas esperanças mais antigas são confirmadas por esta história que não morre?”, finalizou.
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