07-11-2023 - China, país onde o comunismo é semelhante a uma religião

Bandeira da China
Moli (pseudónimo) é uma parceira local dao ministério Portas Abertas na China e especialista sobre o país. Ela explica que, na China, o comunismo também é uma religião, exigindo que o povo seja dedicado e leal apenas ao Partido Comunista. No entanto, para os Cristãos, a prioridade é Deus.
“Até agora, pelo menos onde eu vivo, somos livres para nos reunirmos com a igreja, mas não é mais permitido reunir um grande grupo. Uma reunião com mais de 100 pessoas pode ser alarmante para o Partido. Isso causa-nos problemas, como policiais invadindo o local ao receberem denúncias dos vizinhos. Então, para evitar problemas, as igrejas dividem-se em pequenos grupos”, conta.
Sobre as câmaras de vigilância, ela fala que elas estão por todo lado: “Nós já estamos acostumados a isso, mas há prós e contras”. Por um lado, isso previne crimes. Então se há um roubo, a polícia pode identificar os criminosos e prendê-los. Por outro lado, as câmaras fazem muitos se sentirem como se estivessem sendo vigiados. “Não há câmaras de vigilância nas instalações da minha igreja. Se elas fossem instaladas do lado de dentro, acredito que todos se sentiriam desconfortáveis e inseguros. Ninguém quer ser vigiado. Não sabemos quem está a ver, como pensam e o que farão. Eu acredito que as pessoas querem ser livres de qualquer monitoramento.”
Igrejas registadas têm câmaras instaladas nos seus edifícios; portanto são controladas pelo governo. As igrejas domésticas estão livres disso, pois reúnem-se secretamente e não estão registadas no sistema oficial, sendo consideradas ilegais. O governo quer que todas as igrejas se registem, mas muitas escolhem não o fazer porque não querem ser controladas. Afinal, toda semana, as igrejas registadas devem ter os seus sermões revisados, sendo que ajustes no conteúdo são muito comuns. “Até onde eu saiba, algumas igrejas registadas não podem pregar completamente o Evangelho da Bíblia”, compartilha Moli.
Restrições de conteúdos online
Quanto aos novos regulamentos, que restringem e monitorizam conteúdos online, em 2022, mais um foi aprovado. Depois disso, muitos sites religiosos e contas foram bloqueados ou removidos e artigos desapareceram. “Apesar disso, as pessoas ainda podem cadastrar novas contas e fazer a mesma coisa novamente. Aqui é a China, haverá sempre uma forma. Nós ainda podemos ver artigos religiosos e deixar comentários no post sem consequências imediatas. Podemos nos comunicar no WeChat (um tipo de WhatsApp chinês), fazer anúncios dos cultos de domingo e enviar trechos das Escrituras”, explica.
As pessoas que não são consideradas de destaque ainda podem publicar, desde que não seja algo desfavorável ao Partido. “Por exemplo, se eu mando uma mensagem para uma pessoa de destaque, que provavelmente está no radar do governo, vou usar códigos na minha comunicação. Há um pastor que tem o seu WeChat monitorizado pelas autoridades. Ele não podia mandar nenhuma mensagem, principalmente relacionada com religião. Isso pode ter acontecido por causa da sua igreja ou de outras atividades que podem ter desagradado às autoridades. Novamente, para Cristãos comuns, não é tão restritivo”, finaliza Moli.
Discipulado e Bíblias
As tecnologias são cada vez mais usadas pelo governo chinês como ferramenta de controlo e perseguição aos Cristãos.
- in Portas Abertas
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