22-09-2023 - Tábuas do Iraque revelam evidências dos amorreus bíblicos, adversários dos israelitas
Segundo a Sociedade de Arqueologia Bíblica, a primeira tábua inclui listas de divindades, constelações, alimentos e vestimentas. (Foto Ilustrativa: Pxhere)
Duas tabuletas do Iraque confirmam a existência de um povo antigo que frequentemente se opunha aos israelitas no Antigo Testamento.
Embora a Bíblia mencione frequentemente os amorreus, um povo nómada que se acredita ter vivido há cerca de 3.000 anos na região atualmente conhecida como Síria e Israel, os pesquisadores não haviam achado muitas evidências de que eles tivessem uma língua própria.
Agora, de acordo com um artigo de pesquisa intitulado "Two Remarkable Vocabularies: Amorite-Akkadian Bilinguals" (Dois Vocabulários Notáveis: Bilingue Amorita-Arcadiano) publicado na Revue d'Assyriologie et d'Archeologie Orientale (Revista de Assiriologia e Arqueologia Oriental), existe evidência de que não apenas uma língua amorita existiu, como também possivelmente foi utilizada no leste da antiga Mesopotâmia (atual Iraque).
Segundo os autores do livro de estudo, Manfred Krebernik, professor e presidente de estudos do antigo Oriente Próximo na Universidade de Jena, na Alemanha, e Andrew R. George, professor emérito de literatura babilónica na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, alguns especialistas questionavam a existência da linguagem. Eles afirmaram à Live Science (Ciência Viva) que muitos pesquisadores duvidavam da existência da língua amorita.
O nNosso conhecimento do amorreu era tão lamentável que alguns especialistas duvidaram que tal linguagem existisse", disseram eles à Ciência Viva.
E continuaram: "As tabuinhas resolvem essa questão mostrando que a linguagem é articulada de forma coerente e previsível e totalmente distinta do acadiano”.
Antiga Babilónia
De acordo com a Sociedade de Arqueologia Bíblica (BAS), os pesquisadores descrevem um par de tabuletas da Antiga Babilónia, datadas de cerca de 1894 A.C., como tendo vocabulários semelhantes e divididas em duas tabuletas.
A linguagem das colunas da direita é o acadiano, enquanto as colunas da esquerda são escritas em uma língua que os pesquisadores chamam de "semita do noroeste, com alguma mistura de acadiano".
Acredita-se que os artefactos sejam o que a BAS chama de "objetos não comprovados", que provavelmente foram retirados ilegalmente do Iraque a cerca de três décadas atrás, após a Primeira Guerra do Golfo.
Segundo o Bradenton Herald, cada tabuinha foi encontrada décadas depois em coleções particulares, uma em Londres e outra em Nova York.
Após uma análise mais detalhada das tabuletas, os pesquisadores concluíram que a linguagem nelas presente é uma variedade do amorreu, possuindo semelhanças em vários aspectos com o ugarítico, hebraico e aramaico.
Segundo a BAS, a primeira tábua inclui listas de divindades, constelações, alimentos e vestimentas, além de apresentar uma seção escrita totalmente em amorreu. Já a segunda tábua contém frases bilingues em amorreu e acadiano.
Línguas ligadas
De acordo com os pesquisadores, as tabuinhas não só fornecem informações adicionais sobre o tempo e o lugar em que as línguas foram utilizadas, mas também podem indicar uma ligação entre a língua amorreia e o grupo linguístico cananeu, que engloba o hebraico e o moabita.
Diz-se que as tabuinhas têm uma notável semelhança com a língua cananeia usada nas Cartas de Amarna do século 14 A.C., com algumas das frases “quase idênticas ao hebraico moderno”, de acordo com a BAS, que disse que as descobertas também mostram “como barreiras linguísticas fluidas existiam na antiguidade”.
De acordo com estudiosos, como o amorreu nunca foi tão amplamente falado como outras línguas na antiga Síria e Iraque, ele nunca se tornou a língua escrita predominante e pode ter desempenhado um papel mais semelhante ao do aramaico durante o primeiro milénio A.C., conhecido como o período neo-assírio.
Embora tenham um destino bíblico, os amorreus são mencionados várias vezes nos primeiros cinco livros da Bíblia, também conhecidos como Pentateuco ou Torá. Na lista de nações em Génesis 10, é dito que os amorreus são descendentes de Canaã, neto de Noé.
Terra Prometida
De acordo com Génesis 15:16, Deus não permitiu que Abrão destruísse a nação amorreia porque os pecados deles "ainda não estavam completos". No entanto, mais tarde, o Senhor disse a Abrão que retiraria a Sua mão protetora dos amorreus.
Enquanto os israelitas tomavam a Terra Prometida, Josué advertiu os que estavam na terra a “escolher" naquele dia se serviriam ao único Deus verdadeiro ou aos falsos deuses dos amorreus:
“Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-O, com sinceridade e com verdade: e deitai fora os deuses, aos quais serviram os vossos pais, dalém do rio e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram os vossos pais, que estavam dalém do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais: porém, eu e a minha casa serviremos ao Senhor”. (Josué 24:14-15).
No livro de 1 Reis 9, é mencionado que os amorreus foram levados cativos e escravizados sob o reinado do rei Salomão. Posteriormente, o profeta Amós faz uma referência final aos amorreus, declarando: “Também vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos guiei no deserto, para que possuísseis a terra do amorreu.”
- in The Christian Post
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