11-10-15 - “Evangelho da Esposa de Jesus” teria sido forjado por empresário alemão em troca de dinheiro

O papiro apelidado de “Evangelho da Esposa de Jesus”, que faz referência a uma suposta companheira do Senhor Jesus Cristo foi analisado por pesquisadores e apontado como fraude. Agora, com mais análises, estudiosos acreditam que a invenção do documento teria sido realizada há décadas.
Todo o imbróglio envolvendo a divulgação do papiro arrasta-se desde 2012, quando a professora Karen King revelou o material, que possui uma linha onde é possível traduzir a frase “Jesus disse-lhes: ‘Minha esposa…’”, e em outra parte, há referência a uma mulher chamada “Maria”, que seria Madalena.
A professora King obteve o papiro em 2011 de um colecionador que o havia comprado 12 anos antes, em 1999, de um alemão chamado Hans-Ulrich Laukamp, que o havia adquirido em 1963, na cidade de Postdam, parte leste da Alemanha, que nessa época ainda era dividida em duas.
O site Live Science foi atrás dos detalhes da história e descobriu que Laukamp não poderia ter obtido o material no local e data alegados, pois a separação entre os dois países impunha inúmeras dificuldades para que os moradores viajassem de um lado para o outro. Laukamp vivia na chamada Alemanha Ocidental.
O advogado que representa o património deixado por Laukamp, Rene Ernst, diz que não há registos de que o seu cliente tenha sido proprietário do papiro, pois como vivia na parte oeste de Berlim, não tinha autorização para frequentar a parte leste da cidade.
Ernst destaca ainda que, caso Laumkamp se aventurasse pela Berlim Oriental estaria correndo risco de morte, e a posse do tal papiro só agravaria sua situação do ponto de vista legal. Ainda segundo o advogado, Laukamp jamais manifestou interesse em juntar antiguidades.
Uma hipótese levantada pelo Live Science é que algum dos funcionários de Laukamp tenha produzido uma falsificação. O empresário alemão era proprietário de uma fábrica de ferramentas chamada American Coporation for Milling and Boreworks, com uma unidade em Berlim e uma filial na Flórida.
Essa empresa tinha entre seus funcionários representantes comerciais, engenheiros, e, curiosamente, cientistas, que poderiam ter produzido uma falsificação. Essa hipótese é levantada por questões ligadas à gramática incomum a documentos da mesma época a que o papiro supostamente pertenceria, assim como a escrita rudimentar.
O motivo que poderia ter levado o empresário a falsificar o papiro seria a expansão dos negócios da sua empresa, pois um ano antes de vender o papiro, Laukamp abriu uma nova fábrica em Berlim e comprou uma casa na cidade de Venice, na Flórida.
A teoria do Live Science sugere que, por necessidades financeiras, Laukamp teria ordenado a falsificação, usando técnicas modernas de envelhecimento, para que posteriormente o vendesse por um valor que custeasse as suas novas despesas.




