09-04-2023 - Homem que fugiu da Coreia do Norte volta para alimentar famintos
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Joon Bai. (Foto: Captura de tela/Vídeo Fox News)
Joon Bai, na foto, conta que se inspirou na fé da mãe e da esposa e agora quer ser inspiração para outras pessoas: ‘Vamos espalhar o amor pelo mundo’.
Joon Bai, hoje com 85 anos, é um premiado autor e produtor de cinema. Ele também é autor do livro “Promessas: A Vida e o Amor de um Americano Nascido na Coreia do Norte".
Ao descrever sua obra, ele resume com poucas palavras: “O relato de uma vida extraordinária e histórias de coragem, superando adversidades e encontrando esperança”.
Ele revela que o principal objetivo do livro é “falar em nome dos 23 milhões de norte-coreanos que não têm voz”.
Ele fugiu da Coreia do Norte na adolescência, mas a sua fé em Cristo fê-lo retornar ao país diversas vezes para matar a fome de muitas pessoas e para salvar vidas. Bai mantém um trabalho filantrópico com fazendeiros e órfãos norte-coreanos.
‘Não sabemos nada sobre a Coreia do Norte’
“O que sabemos sobre a Coreia do Norte é muito pouco. Na verdade, não sabemos nada. A única coisa que sabemos é o que os média nos dizem sobre mísseis e Kim Jong Un”, resumiu ao falar sobre o seu país de origem.
Quem são os norte-coreanos e no que acreditam? Ao voltar no tempo em suas memórias, Bai fala da sua infância e de como sentiu a devastação da Segunda Guerra Mundial e da Guerra na Coreia, tentando encontrar uma resposta.
A sua família acabou por deixar a cidade natal na Coreia do Norte — perto da fronteira chinesa — e foi para Seul a pé, na Coreia do Sul. Mais tarde, Bai foi para os EUA como estudante de intercâmbio e formou-se em engenharia.
Ele transformou-se num empresário de sucesso no ramo de gás natural, abrindo o seu próprio negócio na Pensilvânia, com 400 funcionários. “Essa foi a minha maneira de retribuir pelo que recebi desse país maravilhoso”, disse.
Mas, um dia, conduzuindo o automóvel durante uma forte tempestade, com o rádio do carro ligado, Bai ouviu uma notícia sobre 100.000 crianças que morriam de fome na Coreia do Norte. Ao chegar a casa, contou à esposa e, naquela noite, nem conseguiram dormir.
Crianças que morrem em orfanatos
No dia seguinte, Bai e a sua esposa Kyuhee conversaram sobre as crianças. Como poderia haver tantos órfãos na Coreia do Norte? Ele explicou que os pais morreram de fome primeiro e como as crianças geralmente vivem mais, sejam semanas ou apenas dias, elas morriam logo depois.
“Os bebês bebem o leite da mãe até que os pais morram. O governo então pega nas crianças e leva-as para orfanatos”, disse Bai ao revelar que elas acabam por morrer nestes orfanatos por desnutrição.
“Geralmente, não há leite, então eles dão às crianças alimentos duros como o milho, por isso o organismo não consegue digerir”, contou.
‘Do outro lado da montanha’
Nas suas visitas ao país nas últimas duas décadas, Bai foi para os lugares mais desolados para se sentar e conversar com os fazendeiros e os órfãos. “Eles não têm vizinhos com veículos BMW ou Mercedes-Benz. Em vez disso, eles vivem de rações, apenas do que o governo lhes fornece para comer”, mencionou.
Sobre tudo o que viu, Bai escreveu e co-produziu o premiado filme “Do Outro Lado da Montanha”, uma longa-metragem que foi a primeira colaboração entre um governo americano e o norte-coreano.
O filme detalha uma história de amor com uma mensagem próxima aos coreanos de ambos os lados da fronteira, a unificação. Durante a produção do filme, Bai não pagou um centavo aos atores porque “não existe pagamento na Coreia do Norte”.
Sobre a fé dos norte-coreanos
Segundo Bai, os norte-coreanos não conhecem a religião: “Eles não conhecem Jesus Cristo, Maomé ou Buda. Estou a semear fé, semeando a Bíblia nas suas mentes, ensinando-lhes que há vida depois da morte e que existe uma eternidade. Essa é minha maior conquista”, revelou.
Mas, diante de tanta fome e miséria, é preciso alimentar primeiro o corpo para mantê-lo vivo e assim poder alimentar a alma com a palavra de Deus.
Bai conta que durante o período em que esteve batalhando para ensinar os fazendeiros a semear e cultivar — o que ele chama de sua pequena revolução agrícola — num daqueles dias no hotel onde estava hospedado, ele caiu no chão e chorou. “Aquele foi o momento em que Deus dominou o meu coração”, disse.
“Foi no processo de poder e querer ajudar outras pessoas que a minha fé cresceu. E acho que Deus me chamou. Aconteceu muito naturalmente. A minha mente estava cheia de paixão para ajudar aquelas crianças. A cada segundo, a minha mente estava focada nisso”, revelou.
Inspirado na fé da mãe e da esposa, Bai conta que o livro é uma homenagem a essas duas mulheres que ele considera os “pilares brilhantes da sua vida”.
Agora, o seu único desejo é que ao ler a sua história através do livro, as pessoas encontrem inspiração para fazer uma mudança e espalhar o amor pelo mundo.
“Hoje, acredito que tudo o que fiz é da vontade de Deus. Ele me escolheu para isso. É disso que se trata. A fé de Deus em mim deu-me coragem para amar outras pessoas. Não sei quanto tempo de vida ainda terei, só sei que estou feliz”, concluiu.
- in Fox News
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