15-02-2023 - “Vergonha”, diz Franklin Graham após igreja aprovar bênção para "casamento" gay

Franklin Graham foi ao Twitter manifestar-se contra a decisão da Igreja da Inglaterra. (Foto: Franklin Graham)
Franklin Graham usou o seu Twitter para se manifestar sobre a decisão da Igreja da Inglaterra de oferecer bênçãos a casais do mesmo sexo. A deliberação saiu na quinta-feira (10), após dois dias de intensos debates sobre o tema.
Apesar da decisão, os membros do clero podem optar por não usar as orações, e a igreja manterá a proibição do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo, segundo informa a NPR.
Na sua longa mensagem para os padrões do Twitter, Graham chama a atitude da Igreja da Inglaterra de abençoar o "casamento" gay de “vergonha, vergonha, vergonha”. Antes, ele discorre sobre o que a Bíblia diz:
“O pecado é a desobediência à Palavra de Deus. A Bíblia também chama isso de ilegalidade. Quando o primeiro homem e a primeira mulher desobedeceram a Deus, o pecado entrou no mundo e infetou toda a raça humana como um cancro na alma”, escreveu.
Julgar a humanidade
O pregador diz que contra isso, Deus enviou o Seu Filho que pagou o preço pelos nossos pecados. “Ele levou os nossos pecados à cruz onde morreu e derramou o Seu sangue pelos nossos pecados”.
Ele fala ainda da ressurreição de Jesus e que Ele virá como Juiz, para julgar toda a humanidade. “A Bíblia diz que se nos arrependermos dos nossos pecados e nos voltarmos para o Senhor Jesus Cristo pela fé, seremos salvos”.
Em seguida, Graham condena a decisão a Igreja da Inglaterra sobre abençoar o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.
“Eles usam 1 João 4:16 para defender este decreto ilegal: ‘Deus é amor, e aqueles que permanecem no amor permanecem em Deus, e Deus neles’. Eles estão interpretando que amor = sexo dá licença para fazer sexo com quem eles dizem que amam. Não é isso que Deus ensina. A Igreja da Inglaterra está a abençoar o pecado. Ao fazer isso, eles estão a tentar anular a obra expiatória de Cristo na cruz. Vergonha, vergonha, vergonha”.
Género neutro
Na semana passada foi anunciado que a Igreja da Inglaterra está a considerar se deve parar de se referir a Deus como “Ele”, depois que líderes pediram permissão ao sínodo para usar termos neutros em relação ao género.
Segundo o jornal britânico The Guardian, a igreja pretende lançar uma nova reunião sobre o assunto na primavera. Quaisquer possíveis alterações, que aasinalem um afastamento dos ensinamentos tradicionais, devem ser aprovadas pelo sínodo, o órgão de decisão da Igreja.
Michael Ipgrave, Bispo da cidade Lichfield e vice-presidente da comissão litúrgica responsável pelo assunto, disse que a igreja tem “explorado o uso da linguagem de género em relação a Deus por vários anos”.
Votação
A votação sobre a bênção à união entre pessoas do mesmo sexo aconteceu durante uma reunião do Sínodo Geral, órgão governante da Igreja, onde a abordagem de compromisso foi avaliada de diversas formas, sendo descrita como um progresso, um compromisso fraco ou um equívoco completo.
"Eu sei que o que propusemos como um caminho a seguir não vai longe o suficiente para muitos, mas muito longe para outros", disse a "bispa" de Londres, Sarah Mullally, que supervisionou o desenvolvimento das propostas. E, acrescentou, “este é um momento de esperança para a Igreja”.
O texto da moção adotada começa com um reconhecimento absoluto, já que os membros do sínodo disseram que "lamentam e se arrependem" do dano histórico causado às pessoas LGBTQI+ pela Igreja da Inglaterra, no seu fracasso em recebê-los.
Casais do mesmo sexo ainda não poderão se casar na igreja, mas podem “vir à igreja após um "casamento" civil ou parceria civil para agradecer, dedicar seu relacionamento a Deus e receber a bênção de Deus”, de acordo com a medida.
A votação do Sínodo Geral da Igreja ocorreu após um momento de silêncio e oração.
Os participantes do debate, vindos de todos os lados da questão, apresentaram várias crenças teológicas e sociais. O debate destacou as complexidades não apenas de conciliar o aspecto humano com o divino, mas também de uma instituição centenária acompanhar as mudanças nas normas sociais. Isso é feito de uma forma que represente a diversidade de seus membros, tanto dentro quanto fora do Reino Unido.
"A Igreja continua a ter profundas diferenças sobre essas questões que atingem o cerne da nossa identidade humana", disseram o arcebispo de Canterbury Justin Welby e o arcebispo de York Stephen Cottrell num comunicado conjunto.
Haverá resistências
De acordo com Busola Sodeinde, comissária da Igreja da Inglaterra em Londres, ao permitir a bênção de "casamentos "entre pessoas do mesmo sexo, a igreja pode enfrentar "injustiça racial, desunião e segregação racial" entre as suas paróquias. Busola é originária de Leeds, mas também viveu na Nigéria, onde a sua família tem as suas raízes.
Sodeinde alertou que a decisão do sínodo pode levar a um êxodo de igrejas na África e na Ásia, onde as opiniões sobre as uniões do mesmo sexo podem ser muito diferentes das opiniões predominantes no Reino Unido.
“O problema é que há uma arrogância, que reconheço que pode não ser intencional”, disse Sodeinde, “do colonialismo de uma época, que insiste que a cultura ocidental é progressiva, enquanto vozes dissidentes na África e em todos os outros lugares são silenciadas – somos ignorados."
Em oposição a esta questão estava Vicky Brett, de Peterborough, no leste da Inglaterra. Usando a metáfora de multidões sendo convidadas a se sentar à mesa de Deus, Brett questionou o sínodo: "Vocês têm algum negócio riscando pessoas da lista de convidados ou interferindo nas boas-vindas de Deus?"
"Se vocês acham que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é errado", disse Brett à reunião, "não se "casem" com alguém do mesmo sexo que vós".
Continuação dos debates
Os líderes da Igreja lembraram sobre o esforço de anos necessário para chegar à votação realizada na quinta-feira. Embora celebrem o momento, eles também buscam a unidade.
“Pela primeira vez, a Igreja da Inglaterra receberá publicamente, sem reservas e com alegria, casais do mesmo sexo na igreja”, disseram os arcebispos Welby e Cottrell.
Eles pediram um novo começo e uma continuação do debate ponderado.
“Acima de tudo, continuamos a orar, como o próprio Jesus, pela unidade de sua Igreja e para que nos amemos uns aos outros”, disseram os arcebispos.
- in NPR
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