21-12-2022 - Ministério no carro: crentes viram condutores auto para evangelizar passageiros

Imagem ilustrativa. (Foto: Aylin Çobanoğlu/Unsplash)
Cristãos que são motoristas de aplicativo têm usado os seus automóveis como instrumentos de evangelismo, nos Estados Unidos.
O os crentes Kenneth Drayton, do Brooklyn, (homem) e Tomika Reid, de Nova Jersey, (mulher) conduzem para o aplicativo Lyft e têm olhado para as suas profissões como uma extensão do seu ministério.
“Uma pessoa nem sempre tem que ir a uma igreja ou templo para experimentar a restauração e o poder de Deus”, disse Kenneth, de 61 anos, à AP News. Ele é pregador no Brooklyn, Nova Iorque.
Kenneth começou a conduzir para a em 2015, após se aposentar de uma carreira na indústria dos seguros. Ouvindo as histórias dos passageiros, ele entendeu que seu automóvel poderia tornar-se numa extensão da igreja.
“O carro é um lugar ideal para fazer isso porque é pessoal”, disse Kenneth, que agora conduz para a Lyft. “Posso testemunhar da minha fé e isso é muito importante, porque é para isso que vivo.”
Fora das quatro paredes
Num dia típico, Kenneth diz que começa o dia orando no seu carro. Ele coloca sempre tocamúsica clássica (sua favorita é Mozart) para estimular um ambiente calmo e agradável. Ele começa com uma saudação e uma palavra gentil. A sua prioridade é apresentar os passageiros a Cristo, mas ele é respeitoso se eles não forem recetivos.
Muitas vezes são cristãos, mas ele também fala com ateus, budistas, hindus, judeus e muçulmanos. Em vez de tentar pregar, ele diz que concentra a sua mensagem no amor de Deus.
Tomika também se concentra mais em dar o seu testemunho, esperando que possa ajudar outras pessoas a lidar com os seus desafios.
“Isso é algo que Deus me me deu para eu fazer”, disse ela. “E eu gosto muito disso porque gosto muito de inspirar as pessoas e incentivá-las a nunca desistir.”
A vida de Tomika foi marcada por perdas, como a morte da sua mãe, irmã e dos pais das suas duas filhas. Ela costuma contar a sua história aos passageiros.
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Tomika escreveu um livro sobre sua história. (Foto: Facebook/Author Tomika Reid)
“Eu queria desistir, mas por causa da minha fé em Deus, ainda estou aqui de pé”, disse a mãe viúva de 40 anos. “E eu só quero usar a minha história para encorajar outras pessoas a nunca desistir, não importa o que lhes esteja a acontecer.”
Em 2017, ela começou a conduzir para a Lyft a fim de sustentar as suas filhas, que agora têm 14 e 20 anos. No automóvel, ela costuma levar os cinco livros que escreveu, incluindo um para crianças sobre como lidar com o luto.
“Quando ouço as pessoas dizerem: 'A senhora fez o meu dia', sei que posso causar impacto na vida das pessoas”, disse Tomika. “Isso traz-me alegria. É como se eu tivesse transformado minha dor em um propósito para inspirar outras pessoas.”
Nova estratégia de evangelismo
As diretrizes da empresa Lyft não proíbem o evangelismo nem as conversas sobre religião, destacam apenas a sua oposição à discriminação, seja por motivos de raça, género ou religião.
Robert Geraci, professor de estudos religiosos no Manhattan College, lembra que ao longo da história do Cristianismo, a tecnologia e as inovações têm sido usadas para divulgar a Palavra de Deus. Um dos exemplos é a TV e a rádio, usados pela Igreja durante décadas.
“A Uber e a Lyft têm-se tornado um meio de comunicação do Evangelho e não apenas uma estratégia de transporte”, disse ele. “Também é uma estratégia espiritual.”
Profissionais que têm muita interação com o cliente podem ter oportunidades de evangelismo em conversas quotidianas, avalia Ed Stetzer, diretor do Billy Graham Center no Wheaton College.
“Num mundo onde a interação interpessoal é menos comum – os nossos caixas de banco agora são todos caixas eletrônicos – testemunhar da fé é menos comum. Então as pessoas estão a encontrar maneiras criativas”, disse Stetzer. “Isso é o que os cristãos têm feito há séculos, muito antes dos aplicativos de transporte de passageiros.”
- in AP News
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