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27-11-2022 - Como um ateu veio à fé através de hinos

Gareth Davies 

 

     A minha vida como ateu foi maravilhosa!

     Foi uma montanha-russa de experiências positivas e negativas que remontam à primeira infância. Todas elas me moldaram para me tornar no que eu era, e eu não teria mudado nada disso, nem mesmo as partes más.

     Algumas das coisas más que aconteceram comigo incluíram ter sido criado em Aberfan, ter frequentado a escola Pantglas. Lembra-se do desastre de Aberfan? Eu estava lá naquele dia – o meu irmão e eu sobrevivemos. Outra, foi a morte do meu pai num acidente de automóvel a caminho de casa, depois de me ter deixado na universidade, no meu primeiro dia ali, no dia em que eu estava a sair de casa. Também tive um negócio falido, tive que contar a todos os funcionários, lidar com dívidas e todas as repercussões disso. Mas sobrevivi e aprendi muitas lições.

      Tive uma carreira fabulosa e variada: além de um fracasso nos negócios, também administrei negócios de sucesso e depois consegui um ótimo emprego no qual eu era bom. Eu tinha o respeito dos meus colegas e clientes, e ganhava um bom dinheiro. Não éramos ricos, mas podíamos comprar o que quiséssemos e gostávamos dessa liberdade.

     Depois de 17 anos disso, decidi que já tinha o suficiente e aposentei-me cedo. Tínhamos dinheiro suficiente para viver se apertássemos os cintos, então fomos em frente. Nós tínhamos mudado para Pembrokeshire uns anos antes, então eu passava o meu tempo a vaguear pela casa e pelo jardim, cuidando dos nossos cães e galinhas e entregando-me aos meus hobbies de andar de bicicleta, com e sem motor. A vida não poderia ser melhor.

     Eu estava convencido de que tudo isso aconteceu porque eu era muito inteligente, tomava boas decisões (principalmente) e talvez apenas um pouco de sorte e algumas coincidências ao longo do caminho… mas acima de tudo era EU!

     Eu era ateu, orgulhoso disso, e podia sustentar a minha crença com todos os argumentos, e muitas vezes fi-lo. Eu estava certo, e eu sabia disso!

     Porque mudar? Eu tinha tudo!

     A resposta honesta é que eu não tive escolha! Eu não tive uma visão, nem ouvi a voz de Deus, ou algo assim, mas o que aconteceu na minha vida não foi menos dramático para mim.

     A minha esposa, Vanessa, sempre foi crente, mas não praticava a sua fé há muitos anos. Então, há cerca de três anos, ela teve um susto de saúde. Fez muitos exames, e todos apontavam para o Big C (tumor maligno). No dia em que ela estava a receber os resultados finais e conclusivos, eles já haviam marcado uma consulta com um cirurgião – pelo que era bastante óbvio o que eles pensavam.

     Contudo os exames finais tinham sido claros. Não havia cancro. Vanessa estava, é claro, muito feliz, mas havia algo mais. Ela sabia que havia sido curada pelo poder da oração – a sua mãe e tia estavam a orar, assim como muitos dos seus amigos. A mão de Deus estava naquilo.

     Ela voltou para casa e começou a procurar um lugar de culto para adorar. Ela encontrou Penuel em Roch, Pembrokeshire, apenas a alguns quilómetros da nossa casa e sentiu-se muito bem-vinda na primeira visita que fez.

     Aquilo não tinha nada a ver comigo, o ateu.

     Depois de um tempo, Vanessa perguntou-me se eu iria com ela um dia, só para conhecer os seus amigos.

     Foi a primeira vez que eu ouvi um sermão. Eu não sei porque fui, mas fui... e gostei. Então, voltei e escutei outro.

     Penuel tem pastores visitantes de toda aquela área, então ouvi pessoas diferentes com estilos diferentes e gostei muito. Cantámos hinos, mas eu só me juntava, sem entusiasmo, até que cantámos 'A Deus seja a glória'. Especificamente o verso dois – O mais vil transgressor que realmente crê, nesse momento recebe de Jesus o perdão. Eu não conseguia cantar aquelas palavras; Eu estava a lutar contra as lágrimas. Ora eu não sou um homem dado a explosões de lágrimas, mas eu simplesmente não conseguia cantar aquelas palavras! Porque não? O que estava errado comigo? O pregador falou sobre uma história que o Senhor Jesus Cristo contou, que dizia que nunca é tarde demais para uma pessoa se voltar para Ele, qualquer que tenha sido a sua vida antes. Eu sabia que não era tarde demais para mim.

     Cantámos 'Amazing Grace’ (Graça Admirável, ou Sublime Graça) e desta vez não consegui cantar o verso três – 'Por muitos perigos labutas e ardis, eu já passei; esta graça trouxe-me seguro até aqui, e a mesma graça me levará ao lar celestial.' E foi então que eu soube porque eu não conseguia cantar o hino anterior. Eu tinha vivido como “o mais vil transgressor” – ou pelo menos eu tinha vivido de acordo com minhas próprias regras. E eis-me ali a encarar a possibilidade da graça e do perdão destes hinos se poderem aplicar a mim, alguém que havia negado a própria existência de Deus por toda a sua vida adulta!

     Algo tinha acontecido, e eu achei muito difícil durante algum tempo aceitar o que era. Eu ainda tinha muitas perguntas, e o meu velho ego racional terreno ainda tinha todos os argumentos ateus na minha cabeça. Mas logo depois, assisti a um culto dominical em Penuel, e na Ceia do Senhor comecei a perceber a enormidade do que o Senhor Jesus Cristo havia feito - que Ele morrera por todos, inclusive por mim! Significava que os meus pecados poderiam ser perdoados e que eu poderia ter um novo começo – uma nova vida. Eu tornei-me Cristão! Eu sou Cristão!

     Então, eu perdi tudo…?

     Toda a minha grande vida, toda a minha autoconfiança, toda a felicidade que ganhei através do acúmulo de estatuto e posses, tudo isso ficou arruinado porque eu me ter associado a este pensamento fantasioso?

     Oh não! De jeito nenhum!

     Sim, eu mudei. Não apenas as minhas crenças, mas eu; eu mudei. Deus transformou-me! A forma como penso, as coisas que digo e faço... Tudo. Ainda sou eu e ainda tenho os meus amigos e hobbies, mas não sinto mais que faço algo só para mim.

     Não estou mais aposentado – agora administro uma linha de ajuda de caridade e serviço de apoio a agricultores no oeste do País de Gales, Tir Dewi.

     Mas a maior mudança é que eu sei com certeza, sem dúvida alguma, que não fui eu! Deus tem tido a Sua mão sobre mim desde o primeiro dia. Ele sabia que eu viria a Ele e Ele estava à espera, no Seu tempo. Ele simplesmente cuidou de mim ao longo do caminho.

     Eu era feliz como ateu, mas nunca me lembro de usar a palavra ‘alegria’. Agora eu uso-a o tempo todo, e agradeço a Deus diariamente por tudo que ele faz por mim e comigo.

Nota:

Gareth Davies frequenta a Igreja Penuel, Roch. Depois de se aposentar como recrutador, ele agora dirige a Tir Dewi, uma linha de ajuda de caridade e serviço de apoio para agricultores em West Wales.

- in Christian Post

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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