16-03-2022 - Igrejas na Polónia abrigam refugiados e pastores clamam por missionários para os ajudar

O gigantesco êxodo de ucranianos que foge da Guerra para a Polónia fez com que a igreja precisasse de ampliação para receber essas pessoas. Pensando nisso, um pregador polaco perto da fronteira começou a organizar o atendimento aos refugiados à porta das instalações da igreja onde se congrega.
Precisando de ajuda, ele ligou para o plantador de igrejas Ben Layer, que mora na cidade polaca de Siedlce. “Alguém poderia vir pregar no domingo?”, perguntou.
O pedido foi atendido por um pregador na igreja onde está Layer. Ele fez a viagem e pregou em dois cultos perto da fronteira, onde os crentes na igreja local arranjaram colchões e suprimentos num prédio lotado de refugiados.
Enquanto o pregador pregava em polaco, outros traduziram o seu sermão para ucraniano, bielorrusso e inglês (a um grupo de americanos que estava no local). “É esmagador”, diz Layer sobre o ministério durante o agravamento da crise. “Todo a gente está esgotada.”
Entende-se a expressão do pregador, tendo em vista que na Polónia, uma nação predominantemente católica, os Cristãos bíblicos compreendem uma pequena fração da população. Layer acha que é cerca de 0,2 por cento (um pouco menor do que algumas estimativas). Ele muitas vezes tem que explicar a outros crentes: “Não é dois por cento – é zero vírgula dois por cento.”
O número é bem baixo mesmo na Europa, onde os Cristãos bíblicos são uma pequena minoria na maioria das nações. Os Cristãos bíblicos ucranianos representam menos de 4% da população do seu país. A Operação Mundo faz uma comparação gritante com uma nação do Médio Oriente: a Arábia Saudita tem um número de Cristãos bíblicos semelhante ao da Polónia.
“Aqui no leste da Polónia, pode-se conduzir até cerca de 90 quilómetros entre as igrejas bíblicas”, diz Layer. “E essas são geralmente compostos por 20 ou 30 membros.”
Layer, um americano que serviu no país durante 21 anos, diz que essa é “a realidade do Cristianismo no leste da Polónia”, por isso diz ter poucas mãos para o trabalho, havendo sempre uma necessidade desesperada de mais pregadores e missionários no país.
Se essa realidade é um desafio para o ministério em tempos de paz, pior ainda no meio de uma guerra. Layer diz que ficou ainda pior conseguir ajuda ministerial. Além dos refugiados que fogem da Ucrânia, as igrejas na Polónia estão a assistir muitos outros.
Crise de refugiados
De acordo com a imprensa, mais de dois milhões de ucranianos e pessoas de outras nacionalidades fugiram da Ucrânia na crise de refugiados que mais cresce na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Quase 5% da população da Ucrânia já deixou o país. Mais de um milhão desses refugiados cruzaram a fronteira para a Polónia.
Para atender essas pessoas, igrejas cristãs, escolas e grupos missionários estão a oferecer refúgio aos que fogem das suas cidades natais.
Yaroslav Pyzh, presidente do Seminário Teológico Batista Ucraniano em Lviv, disse que o local deixou de ministrar aulas para hospedar refugiados durante a noite. Ao final da primeira semana, o seminário havia recebido mais de 700 refugiados. “Estamos a orar por um grande milagre para que a guerra pare”, disse ele num vídeo descrevendo a crise.
Conforme os bombardeamentos se intenseificavam, mais e mais refugiados chegavam a solo polaco. Na quarta-feira, autoridades ucranianas relataram o brutal bombardeamento de uma maternidade na cidade de Mariupol.
Esse tipo de ataque empreendido pelas tropas russas fez com que muitos refugiados saíssem de abrigos em cidades como Lviv, para se juntarem à fronteira com a vizinha Polónia.
Uma família de sete ucranianos chegou à igreja de Layer, a cerca de 100 quilómetros a oeste da fronteira, após 36 horas, incluindo 20 horas passadas na fronteira.
Anya contou que estava a fugir com os seus quatro filhos pequenos e dois pais. Diácono numa igreja ucraniana, o seu marido precisou de ficar na Ucrânia para defender o país juntamente com milhões de outros homens de 18 a 60 anos.
O pai de Anya conseguiu sair – ele tem 61 anos. O número cada vez maior de refugiados que encheu a Europa Oriental nas últimas duas semanas é maioritariamente de mulheres, crianças e idosos. Desde o início da crise, Layer disse que não encontrou um homem ucraniano com menos de 60 anos: “Só tive contacto com mulheres, crianças e homens mais velhos”.
Futuro incerto
Para essa multidão que chega à Polónia, o futuro é incerto. Algumas igrejas encontram famílias que ficam por curtos períodos e se mudam. Outros estão a instalar-se e esperando para ver o que acontece na Ucrânia.
Daniel Kryston, pregador em Piotrków Trybunalski, explica que a sua igreja enfrentou um dilema quando começou a preparar-se para receber refugiados, pois estava com a conta do gás, responsável pelo aquecimento durante o inverno, atrasada devido os altos preços do gás natural.
“Devemos aceitar os refugiados ucranianos, aquecer o prédio e depois não ter como pagar a conta?”, interrogava-se. O pregador polaco, que serve nana igreja desde 1993, diz que até agora, a sua abordagem tem sido “vamos ajudá-los e preocuparmo-nos com as despesas mais tarde”.
Uma das famílias que a igreja ajudou é uma mãe solteira que fugiu da Ucrânia com so eu filho de 12 anos. A igreja comprometeu-se a cuidar da pequena família num de seus cinco quartos por pelo menos um mês.
A maioria dos refugiados que estão a abrigar vem de contactos de membros da igreja ucraniana que já vivem na Polónia. Um punhado está a ficar com os membros da igreja em suas casas. A maioria espera retornar à Ucrânia em breve, mas Kryston diz: “Não temos ideia do que vem a seguir”.
Por enquanto, eles continuam a servir – e adorar – ao lado dos ucranianos. “Ontem tivemos tantos ucranianos quanto polacos no culto”, diz ele. “A igreja estava lotada.”
- in The Gospel Coalition
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