22-02-2022 - “Fome por Jesus”: Cristianismo cresce na Albânia, país que já teve apenas 16 Cristãos

Na década de 1980, a Albânia estava a ser devastada pelo comunismo, classificando-se como o terceiro país mais pobre do mundo. Os albaneses sofriam com escassez de alimentos básicos, como leite e pão, energia elétrica e remédios.
Ter uma religião era proibido e possuir uma Bíblia podia levar a cinco anos de prisão. O governo doutrinava a população através da TV estatal e o país estava entre os três países mais fechados do mundo, ao lado da Coreia do Norte e da Mongólia.
O governo ditatorial de Enver Hoxha tomou o poder após a Segunda Guerra Mundial e em 1967 declarou a Albânia como o primeiro estado ateu do mundo. Antes do comunismo, o país era formado por uma maioria muçulmana, seguida por ortodoxos gregos e católicos romanos.
Nessa época, havia uma pequena comunidade cristã com cerca de 100 Cristãos, grande parte participando de uma missão batista na cidade de Korce. Mas, com a chegada do governo comunista de Hoxha, todos os missionários americanos foram expulsos do país. Durante os 50 anos seguintes, nenhum missionário estrangeiro foi autorizado a entrar na Albânia.
O governo passou a perseguir líderes religiosos e centenas foram torturados, presos durante décadas e forçados a trabalhar em minas e canais de esgoto. Os edifícios das igrejas foram transformadas em fábricas.
Enviando Bíblias por ar e mar
Com as fronteiras fechadas, ninguém conseguia entrar na Albânia para pregar o Evangelho. Então, organizações começaram a contrabandear Bíblias como conseguiam.
Após a Segunda Guerra Mundial, alguns soldados americanos sobrevoaram o país e lançaram Bíblias de paraquedas. Em 1985, um navio da Operation Mobilization (Operação Mobilização), um ministério missionário, ancorou o mais perto que pôde da costa albanesa, mas ainda se mantendo em águas internacionais.
Depois, a tripulação lançou ao mar exemplares do Evangelho de Marcos, traduzidos para o Albanês, em grandes sacos plásticos herméticos, que eram enchidos de ar para flutuar na água. Com a maré, as Bíblias chegaram à praia.
“Conte-me sobre Jesus”
Em 1991, as fronteiras da Albânia foram finalmente abertas com o fim do regime comunista e as organizações cristãs puderam voltar a enviar missionários. Don Mansfield, missionário da Campus Crusade for Christ, contou que antes de chegar ao país, o número de cristãos era tão baixo que não existia ao menos uma estimativa.
“Lembro-me que estava numa reunião na Holanda com todas as agências de missões globais. Na época, eu não sabia de nada. Eles falavam sobre o que estava a acontecer, e eu levantei a minha mão. Perguntei: 'Quantos crentes existem no país?'”, relatou Don.
“‘Conhece a Sónia?’ uma pessoa perguntou. ‘Kristi?’ sugeriu outra pessoa. ‘Maria é cristã’. As pessoas lançaram nomes e cheguei ao total de 16. Todo mundo olhou em volta e disse: 'Alguém mais conhece alguém?'”.
Os primeiros missionários que chegaram à Albânia, após o fim do comunismo, depararam-se com uma grande fome por Jesus, com muitos albaneses sedentos por ouvir o Evangelho.
Dom lembra-se de encontrar três jovens na praia, na sua primeira viagem, que perguntaram se ele poderia falar de Jesus. “Há cinco minutos, estávamos a conversar e dissemos: 'Temos que encontrar alguém para nos falar de Jesus'”, disse Leonard, um dos jovens.
O missionário Mansfield perguntou como eles sabiam perguntar sobre Jesus, após 40 anos de ateísmo estatal. Leonard contou que trabalhava para a guarda costeira e um dia encontrou um saco com o Evangelho de Mateus, na praia.
De 16 a centenas de cristãos albaneses
Depois de alguns meses plantando a semente da Palavra no campo albanês, os missionários já contavam centenas de conversões a Cristo.
“Tivemos o que Jonathan Edwards chamaria de janela de graça. Por cerca de cinco anos, se pregasse o Evangelho de maneira simples, teria 300 pessoas na igreja no domingo seguinte. As pessoas estavam com muita fome e as igrejas estavam a crescer rapidamente”, lembrou Albert Kona, um cristão albanês que se converteu ao Senhor Jesus Cristo naquela época.
Num período de três décadas, quase toda população ateia da Albânia adotou alguma religião. Em 2018, os ateus caíram para menos de 1% no país. Hoje, de acordo com o Joshua Project (Projeto Josué), estima-se que existam 17 mil crentes albaneses.
Embora o número não represente 1% da população, a taxa de crescimento dos crentes no país (4,6%) é quase o dobro da taxa do resto do mundo (2,6%).
"Ainda somos pequenos e não somos significativos aos olhos deste mundo. Mas nós temos um grande Deus e adoramo-Lo. Sabemos que ele edifica a sua Igreja”, declarou Andi Dina, ancião numa igreja local na Albânia.
- in The Gospel Coalition
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