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19-02-2022 - Fé leva médico de volta ao Zimbábue para viver “cristianismo prático”

Tongai Chitsamatanga trata crianças em hospital no Zimbábue. (Foto: CURE International)
Tongai Chitsamatanga trata crianças em hospital no Zimbábue. (Foto: CURE International)

     O médico Tongai Chitsamatanga, de 41 anos, poderia ser recompensado com altos salários pela sua experiência em hospitais no Reino Unido. Em vez disso, ele está na cidade de Bulawayo, no Zimbábue, em um hospital infantil de apenas 13 leitos, inaugurado em abril de 2021.

     “Para mim, isso é cristianismo prático”, disse Chitsamatanga. “Em vez de dizer que se é Cristão e não ter nada para mostrar.”

     Há apenas dois cirurgiões ortopédicos pediátricos num país de mais de 15 milhões de habitantes. Um é Chitsamatanga e o outro, seu colega Rick Gardner.

      Os dois trabalham na CURE Zimbábue, o único lugar no país que oferece atendimento a crianças com condições complicadas, como pé torto, joelhos tortos e pernas tortas. 

     O recém-inaugurado hospital infantil, que tem três salas de cirurgia e um ambulatório, é um dos oito hospitais que a organização cristã CURE International opera em todo o mundo.

     Os baixos salários e condições de trabalho precárias provocaram um êxodo de profissionais de saúde qualificados do Zimbábue. Mais de 2.200, incluindo médicos, enfermeiros e farmacêuticos, deixaram o serviço público no ano passado, de acordo com o Conselho de Serviços de Saúde do governo. 

Vivendo a chamada

     Apesar do sistema de saúde precário no país, Chitsamatanga explica que oseu regresso ao Zimbabué é um verdadeiro compromisso. “Tem que ser por vocação”, avalia.

     E mesmo quando se sente que é por vocação, pode-se levar muito tempo. 

     Para Chitsamatanga, a jornada começou há 15 anos, quando foi transferido para o Hospital da Missão Mutambara, nas montanhas remotas de Chimanimani, perto da fronteira do Zimbábue com Moçambique.

     Ele estudou durante 5 anos na faculdade de medicina da Universidade do Zimbábue e depois passou 2 anos em residência no principal Hospital Parirenyatwa de Harare, capital do país. 

     Em 2006, quando chegou ao hospital missionário administrado pela Igreja Metodista Unida, viu uma necessidade extrema: o hospital não tinha médico há quatro anos.

     No meio das tensões políticas, o país era tomado pela pobreza, sistema de saúde precário e altas taxas de HIV. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média de expectativa de vida para o zimbabuano era de 40 anos.

     O hospital era um dos cinco no país que podiam distribuir medicamentos para prevenir mortes relacionadas com a SIDA, mas os pacientes muitas vezes não conseguiam chegar ao hospital. 

     Por isso, Chitsamatanga e a sua equipa viajavam por Manicaland — a segunda província mais populosa do país — para administrar a medicação que salva vidas em pequenas clínicas rurais.

Seguir a vontade de Deus

     Chitsamatanga fez especializações e treinamentos em ortopedia passando por faculdades em África, além de bolsas em hospitais no Reino Unido. Mas quando a escolha veio, ele decidiu voltar e trabalhar no novo hospital em Bulawayo, a segunda maior cidade do Zimbábue.

     A CURE International trabalhou com o governo para lançar o hospital e se comprometeu a tratar crianças menores de 18 anos gratuitamente.

     “Nossa organização está aqui por causa da chamada do Senhor Jesus Cristo para 'curar os doentes e proclamar o reino de Deus'”, disse Jonathan Simpson, diretor executivo da CURE Zimbábue. “O nosso hospital é um lugar seguro para as crianças, onde esperamos que elas experimentem o amor de Cristo.”

     Chitsamatanga sabia que o trabalho teria os seus desafios. Financeiramente, para um médico que poderia trabalhar no Reino Unido, a sua decisão não fazia muito sentido. Mas Chitsamatanga é um homem de fé e calcula as suas decisões de forma diferente.

     “Se eu pensar ou orar sobre algo e perceber que esta é a direção que Deus quer que eu tome, então eu simplesmente tomo-a”, disse ele. “Preciso seguir o caminho que o Senhor está a indicar.”

 

- in Christianity Today

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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