28-01-2022 - Inverno leva outra crise ao Afeganistão, mas cristãos não perdem a fé: ‘Deus vai agir’

Enquanto a temperatura cai, os afegãos enfrentam mais uma crise. A comida já era escassa, e agora, além do risco de morrer de fome, há também o risco de morrer de hipotermia.
Lembremo-nos que o Afeganistão foi atingido também por um terremoto de magnitude 5,3, no dia 17 de janeiro, abalando o oeste do país, deixando 26 mortos, várias pessoas feridas e muitas casas destruídas no distrito de Qadis.
“O Afeganistão é um país muito frio porque é montanhoso. E a fase do frio mais severo está a acontecer agora”, disse Reza do Global Catalytic Ministries (GCM) — organização de ex-muçulmanos que seguem a Cristo e pregam o Evangelho em diversos países.
O GCM é um dos poucos grupos com acesso ao Afeganistão. A equipa presente nas regiões mais afetadas diz que tem feito todo o possível para manter as pessoas vivas.
Colapso da economia no Afeganistão
Aproximadamente 80% do antigo orçamento nacional do Afeganistão era dos Estados Unidos e de outros doadores estrangeiros.
Mas, em agosto de 2021, a economia entrou em colapso após a desastrosa retirada das tropas dos EUA e a tomada dos Talibã.
Sendo uma nação sem litoral, o Afeganistão depende de importações de alimentos e de todos os demais artigos para sobreviver, e o Ocidente provavelmente não levantará sanções ou restrições bancárias tão ced.
De acordo com o Programa Alimentar Mundial, cerca de 23 milhões de afegãos enfrentam fome aguda; mais de 8,5 milhões estão “à beira da fome”. E, mesmo com o apelo da ONU — o maior apelo de todos os tempos — os doadores internacionais continuam céticos.
Reza explica que o pedido que a ONU fez de 5 bilhões de dólares para ajudar o Afeganistão, fez com que os doadores temessem que essa assistência dê ainda mais poder aos Talibã.
Os Talibã não aceitas ajuda de organizações
O receio dos doadores internacionais é que os Talibã não ajudem o povo como tem prometido.
Afinal, o que tem sido observado, é que os extremistas islâmicos não aceitam ajuda de organizações que atuam no país. “Por esse motivo, não tem sido realizado muito trabalho de socorro ao povo afegão”, disse Reza.
Enquanto metade do país enfrenta a fome, um dos líderes dos Talibã usou linguagem religiosa para descrever a situação, chamando a fome de “teste da parte de Deus depois que as pessoas se rebelaram contra Ele”.
“Muitas pessoas estão a passar fome. As pessoas estão até a vender os seus filhos por comida”, indicou Reza, tal o desespero dos cidadãos.

“Eles estão apenas à espera para ver quando vão morrer porque não há esperança. Esses alimentos realmente trazem esperança novamente aos seus corações e os fazem ver que sim, Deus cuida deles”, disse um líder cristão que preferiu não ser identificado. (Foto: Cortesia do Global Catalytic Ministries)
Levando um pouco de esperança
“Trouxemos dinheiro para dentro do país para comprar comida para as pessoas; comprar carvão e madeira porque está muito frio”, disse Reza.
“Nem todo lugar no Afeganistão tem gás natural e eletricidade, então muitas pessoas usam carvão e madeira para manter as suas casas aquecidas. Conseguimos distribuir muitos quilos de comida até agora”, continuou.
Ainda com tantas dificuldades visíveis, Reza disse que acredita que “o Senhor está prestes a fazer algo inspirador no Afeganistão”.
“Queremos reconstruir e restaurar a Igreja porque dois terços dos crentes deixaram o país”, revelou ao contar que essa é a meta da organização para 2022.
“O que aconteceu com os Talibã tomando o país gerou um momento que eu chamo de ‘momento Gideão’. Os crentes estão a diminuir para talvez umas meras centenas. Mas através de algumas centenas, o Senhor irá dominar a nação”, concluiu.
- in MNN
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