29-12-2021 - Pessoas são queimadas vivas em Mianmar na véspera de Natal, diz grupo cristão

Enquanto muitos comemoravam o Natal, dezenas de pessoas foram queimadas vivas em Mianmar, pelo Tadmadaw — nome oficial das forças armadas birmanesas, que perseguem grupos étnicos e religiosos no país.
O grupo militar que tomou o poder em Mianmar está a ser acusado por grupos de Direitos Humanos internacionais de ter executado queimadas vivas 35 pessoas na véspera do Natal.
As vítimas seriam pessoas perseguidas pela ditadura militar do país e estariam refugiadas em um vilarejo do leste do estado de Kayah. O grupo era formado de crianças, mulheres e idosos.
O Grupo de Direitos Humanos Karenni disse que descobriu os corpos das vítimas no sábado, um dia após o massacre perto do vilarejo de Mo So, na cidade de Hpruso: “Ficamos muito chocados ao ver que todos os cadáveres eram de tamanhos diferentes, incluindo crianças, mulheres e idosos”, disse um comandante da Força de Defesa Nacional Karenni (KNDF), uma das maiores das várias milícias de civis que se opõem aos militares que tomaram o poder.
“Fui ver esta manhã. Eu vi cadáveres que foram queimados e também roupas de crianças e mulheres espalhadas”, disse um morador local,
De acordo com Benedict Rogers, analista sénior da Christian Solidarity Worldwide (CSW )para o Leste Asiático, é necessário que haja um embargo global de armas. A CSW é uma instituição de caridade cristã que está a sensibilizar a comunidade internacional para que tomemedidas urgentes depois de denunciar tantas atrocidades.
“Há relatos de que pelo menos 35 civis inocentes foram queimados vivos na véspera de Natal”, disse Rogers. Ele também aponta para outras violações flagrantes contra o povo de Mianmar.

Sobre o massacre
A CSW esclareceu que os crimes foram cometidos no estado de Kayah. Entre as vítimas estavam mulheres, idosos e crianças.
Os corpos foram encontrados pelo Grupo de Direitos Humanos Karenni (KHRG), no dia de Natal, sábado (25). A CSW também recebeu relatos de pessoas sendo usadas como escudos humanos e de minas terrestres colocadas ao redor das aldeias.
O massacre é o mais recente de uma série de ataques violentos no estado de Kayah, que deixaram mais de 600 casas, seis igrejas e pelo menos uma clínica destruídas entre maio e dezembro deste ano.
Crimes contra a humanidade
O Dr. Sasa, porta-voz do Governo de Unidade Nacional de Mianmar e enviado especial de Mianmar às Nações Unidas, condenou fortemente os recentes assassinatos.
“Esses atos constituem claramente os piores crimes contra a humanidade e esperamos que todos os povos e governos em todo o mundo condenem esses atos”, escreveu em comunicado.
Sasa espera que os criminosos sejam levados à justiça e totalmente responsabilizados por suas ações. “Que haja condenação”, ele enfatizou.
“Pedimos, mais uma vez, uma ação internacional urgente e, especificamente, a imposição rápida e abrangente de um embargo global de armas ao país como forma de pressionar o regime militar a pôr fim a essas atrocidades horríveis”, disse.
Governo birmanês nega
Conforme a agência de notícias AFP, a junta militar de Mianmar negou nesta segunda-feira (27) o massacre de civis. Mas, um porta-voz da junta militar, Zaw Min Tun, admitiu que ocorreram confrontos na área, na sexta-feira, e que soldados mataram várias pessoas, sem dar mais detalhes.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros alegou em comunicado que as notícias têm origem em “elementos antigovernamentais, terroristas e grupos rebeldes” e que não foram verificadas, conforme a imprensa oficial. Entre os mortos, porém, havia crianças.
A ONG Save the Children (Salvem as Crianças) anunciou mais tarde que dois de seus funcionários na Birmânia estavam “desaparecidos”. Mianmar está mergulhada no caos desde o golpe ocorrido no início de fevereiro, que encerrou uma transição democrática de 10 anos. Em apenas 10 meses, mais de 1.300 civis morreram, segundo a Associação de Assistência a Presos Políticos (AAPP), uma ONG local.
O subsecretário-geral da ONU, Martin Griffiths, disse neste domingo (26) que ficou horrorizado com as notícias do ataque. “Condeno esses eventos graves”, ele declarou através de comunicado, onde exortou que as autoridades iniciem “imediatamente uma investigação séria e transparente”.
A realidade
Os militares foram acusados de danificar igrejas e outros locais de culto de diferentes religiões, além de vandalizar as casas de civis, violar meninas e mulheres, sequestrar homens para serem usados em trabalhos forçados e executar “rebeldes”.
As minorias étnicas de Mianmar, incluindo cristãos, vivem em várias zonas de conflito nas fronteiras do país com a Tailândia, China e Índia. Centenas de milhares de civis, muitos deles cristãos, viram-se obrigados a fugir de suas casas devido à escalada dos conflitos nas zonas desde o golpe militar de 1 de fevereiro.
- in Christian Today, AFP e France 24
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