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23-12-2021 - Arqueólogos reconstroem como o exército assírio sitiou a cidade bíblica de Laquis

Relevo do palácio de Tiglath Pileser III em Nimrud, retratando uma cena de cerco com dois escudos maciços em forma de L protegendo os soldados assírios. (Foto cortesia: Museu Britânico)
Relevo do palácio de Tiglath Pileser III em Nimrud, retratando uma cena de cerco com dois escudos maciços em forma de L protegendo os soldados assírios. (Foto cortesia: Museu Britânico)

     Em 701 A.C., o império assírio era uma superpotência que empreendeu uma campanha sangrenta contra o Reino de Judá, enquanto zombava abertamente do Deus que os libertara do Egito.

     “Depois dessas coisas e dessa fidelidade, veio Senaqueribe, rei da Assíria, e entrou em Judá, e acampou-se contra as cidades fortes, e intentou separá-las para si” (2 Crónicas 32:1).

     Os assírios controlavam as terras que se estendiam do Irão moderno até o Egito. Em vez de usarem o poder de fogo e dos aviões de guerra que vemos nas batalha hojes, os assírios dominavam com rampas de cerco.

      Agora, pela primeira vez, uma equipa de arqueólogos reconstruiu como os assírios podem ter construído uma rampa de cerco maciça usada para conquistar a cidade bíblica de Laquis (Lachish) – a segunda cidade mais importante depois de Jerusalém naquela época. Os vestígios arqueológicos da cidade de Laquis permanecem até hoje no sul de Israel.

     A equipa de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém e da Universidade de Oakland usou escavações arqueológicas em Laquis, textos assírios e bíblicos, iconografia e imagens de drones do século 21 para criar um mapa digital detalhado de onde ficava a rampa há quase 3.000 anos. Eles publicaram as suas descobertas no Oxford Journal of Archaeology.

     O rei assírio Senaqueribe supervisionou pessoalmente a destruição de Laquis e ordenou que o seu exército construísse uma rampa que pudesse alcançar as muralhas da cidade da Judeia.

     Os pesquisadores descobriram que a rampa era composta de 3 milhões de pequenas pedras pesando cerca de 6 quilos cada. Reunir tantas pedras levaria tempo, então os soldados assírios provavelmente escavaram e extraíram-nas o mais próximo possível da extremidade da rampa - cerca de 80 metros de distância das muralhas da cidade.

     “Em Laquis, há de facto um penhasco exposto da rocha local exatamente no ponto onde seria de se esperar”, disse o Prof. Yosef Garfinkel, da Universidade Hebraica.

Senaqueribe

     Os homens de Senaqueribe trabalharam sem parar para construir a rampa, passando cada pedra manualmente.

     “O tempo era a principal preocupação do exército assírio. Centenas de operários trabalharam dia e noite carregando pedras, possivelmente em dois turnos de 12 horas cada. A mão de obra provavelmente foi fornecida por prisioneiros de guerra e trabalhos forçados da população local. Os trabalhadores eram protegidos por escudos maciços colocados na extremidade norte da rampa. Esses escudos avançavam alguns metros em direção à cidade por dia”, explica Garfinkel.

     O profeta Isaías testemunhou o ataque da Assíria contra Judá e menciona-o em algumas de suas profecias, dizendo: “Não haverá entre elas cansado, nem claudicante; ninguém tosquenejará, nem dormirá; não se lhe desatará o cinto dos seus lombos, nem se lhe quebrará a correia dos seus sapatos" (Isaías 5:27).

     Segundo os pesquisadores, os homens terminaram a rampa em 25 dias.

     “Este modelo presume que os assírios eram muito eficientes, caso contrário, levaria meses a ser concluído”, diz Garfinkel. 

     Enquanto os residentes de Laquis observavam o exército assírio construindo a rampa, eles tentariam defender a cidade atirando flechas e derrubando as pedras.

Rampa

     Na etapa final da rampa, vigas de madeira foram colocadas no topo das pedras e seguradas aríetes com peso de até uma tonelada. Os aríetes bateriam nas muralhas da cidade balançando para frente e para trás.

     A Bíblia diz que enquanto Senaqueribe sitiava Laquis, ele enviou uma mensagem ao rei Ezequias e aos habitantes de Jerusalém, zombando deles enquanto os seus homens cercavam a Cidade Santa.  

     “Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que confiais vós, que vos ficais na fortaleza em Jerusalém? Porventura, não vos incita Ezequias, para morrerdes à fome e à sede, dizendo: O Senhor, nosso Deus, nos livrará das mãos do rei da Assíria?" (2 Crónicas 32:10,11)

     Senaqueribe também ridicularizou a Deus, dizendo: “Assim como os deuses das nações das terras não livraram o seu povo das minhas mãos, assim também o Deus de Ezequias não livrará o Seu povo das minhas mãos” (2 Crónicas 32:17)

     A Bíblia diz que ao ouvir isso, o rei Ezequias e o profeta Isaías clamaram a Deus, “Então, o Senhor enviou um anjo que destruiu todos os varões valentes, e os príncipes, e os chefes no arraial do rei da Assíria; e este tornou com vergonha de rosto à sua terra ... Assim livrou o Senhor a Ezequias e aos moradores de Jerusalém das mãos de Senaqueribe, rei da Assíria, e das mãos de todos ..." (2 Crônicas 32:21,22).

     Garfinkel acredita que há mais a ser descoberto sobre a destruição assíria de Laquis. Ele está planeando novas escavações no sítio arqueológico no futuro.

- in CBN News

 

 

 

 

 

 

 

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