15-11-2021 - Cristãos afegãos fogem para áreas desertas afim de escapar do ‘inferno’ dos Talibã
A situação de risco constante de morte para os Cristãos no Afeganistão após a retomada do poder pelos Talibã tem levado muitos crentes a deixarem as cidades rumo a áreas desertas, numa tentativa de sobrevivência ao que definem como um “inferno”.
Um dos complicadores para os Cristãos afegãos é o encerramento das fronteiras com países vizinhos. Dessa forma, a única alternativa é fugir para áreas remotas e esperar que isso baste para que escapem da repressão.
A organização Release International relatou que mesmo antes da queda do governo do Afeganistão, os Cristãos do país sofriam com perseguição. Na visão do diretor dessa entidade, Paul Robinson, esse histórico amargo pode ter uma função positiva agora, com o agravamento da situação.
“A única coisa boa que podemos dizer sobre isso é que a Igreja subterrânea está cada vez mais bem equipada para resistir à tempestade”, comentou Robinson.
A perseguição que os Cristãos sofriam no Afeganistão transformou-se em risco iminente de morte porque os Talibã consideram-nos apóstatas e, por conta disso, dignos de morte.
De acordo com informações do portal Christian Today, a Release International diz que muitos dos Cristãos sobreviventes estão escondidos após receberem ameaças de morte.
“A Igreja é invisível e já aprendeu a operar no subsolo”, reiterou Robinson, acrescentando que a Release International tem feito parceria com outras organizações para fornecer literatura cristã, material de discipulado digital e transmissões para encorajar e capacitar os crentes no Afeganistão e países vizinhos.
‘Inferno’
“O apoio e o incentivo […] seja pela rádio, televisão por satélite ou redes sociais, nunca foram tão necessários como hoje. A Igreja está a ter que aprender a operar como a Igreja primitiva no livro dos Atos – sob a contínua ameaça de perseguição”, acrescentou.
Para agir de forma assertiva, sem riscos de se pautar por boatos, a organização tem priorizado manter o contacto com os perseguidos: “Conversamos com parceiros que estão a trabalhar diretamente com a igreja clandestina”, disse, citando como exemplo o ministério cristão SAT-7 Pars, que transmite programas cristãos para o país por satélite.
Um dos relatos mais aflitivos é o de um cCistão que está preso no país e enviou um pedido de oração: “Ó Senhor Deus, por favor, proteje-nos, porque estamos a enfrentar um inferno”.
“A minha família e eu viemos a Cristo há dois anos. Eu e minha família recebemos ameaças de morte. Não tenho outra maneira a não ser fugir do país. Ajudem-nos a sermos ouvidos para que possamos fugir deste inferno”, disse outro.
Uma mensagem de um terceiro Cristão dizia: “Os terroristas estão em processo de nos ocupar, demolindo o que possuímos. Para onde podemos ir? O que podemos fazer? Por favor, continuem a orar por nós”.
Panayiotis Keenan, diretor do ministério SAT-7 Pars, afirmou que tem sido difícil ouvir os relatos e estar de mãos atadas: “Cristãos afegãos estão a fazer-nos relatos diariamente, descrevendo como a situação é difícil. Eles estão a esconder-se e a reunir-se em locais secretos. Mas o inverno está a chegar e isso obviamente se tornará cada vez mais difícil”.
- in Crescer
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