08-11-2021 - Hungria pode sofrer sanções da União Europeia por se declarar um país cristão e investir na família tradicional

No centro da foto, a ministra da Família da Hungria, Katalin Novak, e o primeiro-ministro Viktor Orban (foto: divulgação/Governo da Hungria).
Hungria afirma que “mãe é mulher, e pai é homem” e causa indignação nos líderes da União Europeia (UE).
A Hungria tem-se destacado pelo seu posicionamento pró-vida e pró-família, além de se declarar como nação cristã. Recentemente, um relatório mostrou também que o país é o que mais ajuda cristãos perseguidos no mundo.
Como a nação conseguiu esse estatuto? Na questão da defesa da vida e das famílias, houve uma consciencialização a partir de uma situação específica. Há dez anos atrás, a situação era bem diferente.
Os húngaros perceberam que tinham um grande problema. Os abortos tinham aumentado, a taxa de natalidade baixara e a população diminuira. Portanto, o governo de Budapeste fez algo radical, tornou as crianças e as famílias o recurso mais importante do país.
Ações governamentais
A Ministra da Família, Katalin Novak (foto abaixo), líder do partido político Fidesz, esteve focada em aumentar a taxa da natalidade, quando o seu partido assumiu em 2010. Eles perceberam que tinham duas opções: abrir a porta para mais imigrantes ou atrair os cidadãos húngaros a ter mais bebés.
“O número de casamentos caiu. O número de divórcios aumentou, o número de abortos tornou-se elevado”, disse a ministra à CBN News. Nas últimas quatro décadas, a população da Hungria diminuiu em 10%.
O pregador Nemeth Sandor, outro entrevistado, lembrou que a queda teve relação com o governo comunista. “Muitas pessoas não queriam filhos porque tinham medo de ser pobres”, observou ele.
Katalin também apontou para os anos em que o número de abortos foi maior do que o número de nascimentos, então ela e a sua equipa começaram a trabalhar para que o casamento se tornasse algo mais atraente para os jovens.
Benefícios para aqueles que formam famílias
“Apoiar os jovens para que possam ter tantos filhos quantos desejarem, e no momento em que quiserem, é uma forma de liberdade de escolha”, disse a ministra da família.
Para reforçar a sua campanha, o governo passou a favorecer as mulheres húngaras. As que têm quatro filhos não pagam imposto de rendimento por toda a vida e tiram três anos de folga do trabalho para cuidar dos seus bebés.
Além disso, os casais podem obter um empréstimo de 30 mil dólares sem juros para ajudar a comprar uma casa. O pagamento diminui com cada filho e depois de três filhos a dívida é perdoada.
Resultados obtidos
A campanha húngara funcionou. Na última década, a taxa de natalidade aumentou acompanhando o investimento do governo em políticas favoráveis à família.
“Também oferecemos serviços, não apenas apoio financeiro, mas também creche ou alimentação infantil gratuita, ou acampamentos de verão para as crianças”, acrescenta a ministra.
E os húngaros não estão apenas a ter bebés. Na última década, os casamentos aumentaram 83%, os divórcios chegaram ao ponto mais baixo em 60 anos e os abortos diminuíram drasticamente.
“Para mim, pessoalmente, este é um dos resultados mais importantes das nossas políticas de dez anos voltadas para as famílias. Os abortos caíram 41% e acho que ainda temos muito trabalho a ser feito neste assunto porque temos que apontar o valor da vida”, disse a ministra que é mãe de três filhos.

União Europeia se manifesta contra a Hungria
As políticas pró-família da Hungria estão inscritas na constituição que foi adotada em 2010. Este ano, houve uma alteração para esclarecer que “mãe é mulher e pai é homem”. Além disso, reforçou que “a educação dos filhos, incluindo a educação sexual, pertence exclusivamente aos pais”.
Por causa disso, agora a União Europeia (UE) mostrou-se indignada. “O movimento [pró-vida e pró-família] enlouqueceu os líderes da UE em Bruxelas. Isso criou tal indignação na política que agora eles estão a tentar impor sanções à Hungria”, disse o húngaro Tristan Azbej, secretário de Estado.
O ramo executivo da UE lançou uma ação legal contra a Hungria acusando o governo de discriminar pessoas LGBT. “Somos fortemente atacados e criticados pelas nossas crenças cristãs e também por ideias políticas democráticas cristãs”, acrescentou Azbej.
Zoltan Kovacs, porta-voz do primeiro-ministro, disse que a UE está a exceder-se ao interferir nas políticas de educação de um país membro. “Eles não gostam de nós porque não vamos permitir que a violenta e exagerada propaganda LGBTQ chegue às nossas escolas e à vida dos nossos filhos”, disparou.
Futuro da Hungria
Enquanto a Hungria se antecipa à sua eleição no próximo ano, a oposição está a unir-se para tirar o primeiro-ministro Viktor Orban, que foi devolvido ao cargo três vezes.
“Para mim, é muito difícil entender o que é polémico em dizer que a mãe é uma mulher e o pai é um homem ou que o casamento é entre um homem e uma mulher com base no consentimento mútuo. Acho que é a base do nosso viver e nós apenas temos isso refletido em nossa constituição”, disse ele.
“Eu acho que não temos que explicar sobre isso, porque sempre foi assim e sempre será na Hungria”, disse Kovacs.
“É a resposta a uma oração para que a política do governo se alinhe conosco, e que Deus a torne permanente”, emendou o pregador Sandor.
Quando questionado sobre o que as pessoas nos Estados Unidos deveriam saber sobre a agenda pró-família da Hungria, Kovak disse: “Nunca tivemos a intenção de chamar a atenção internacional para nós e nunca pensamos em dar aulas a ninguém, mas também não queremos ser ensinados por ninguém”, ele disse.
“Tornar a saúde e o crescimento das famílias uma prioridade do governo é algo revolucionário no mundo de hoje, mas as autoridades querem enxergar isso como uma mercadoria que enriquece a sociedade húngara”, concluiu ao se referir às verdadeiras intenções daqueles que estão a conduzir as políticas no país.
- in CBN News
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