28-10-2021 - As redes sociais são como “vitrinas” para o tráfico sexual, alertam especialistas

UM ALERTA, ESPECIALMENTE A PAIS E EDUCADORES
“Os Cristãos deveriam estar indignados com o tráfico de meninos e meninas no nosso próprio quintal”, disse Kevin Malone, presidente e cofundador do Instituto dos EUA Contra o Tráfico Humano.
A organização administra o único lugar seguro e credenciado do país para menores traficados. Malone é um ativista e ex-gerente geral do LA Dodgers — uma equipa profissional de beisebol, em Los Angeles, na Califórnia.
Ele mostra como as redes sociais criam a plataforma para que as pessoas sejam uma “criatura sexual atraente para outras pessoas” e explica que o tráfico humano encontra nisso uma espécie de “vitrina”.
Em entrevista ao The Christian Post, Malone dá alguns detalhes sobre como crianças e jovens caem nessa armadilha. “Vemos os nossos filhos a ser traficados por meio de fraude ou coerção por pessoas que são conhecidas deles”, disse.
O que é tráfico humano
De acordo com o Gabinete das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, a definição de tráfico de pessoas é qualquer situação em que alguém experimente “força, coerção, abdução, fraude, engano, abuso de poder ou vulnerabilidade, ou ainda, recebendo pagamentos ou benefícios de alguém que está no controlo”.
Porém, a tendência é que as pessoas associem o tráfico humano ao sequestro. “Muitas vezes, achamos que é algo feito à força, como no filme 'Taken', onde a menina é sequestrada. Acho que a maioria das pessoas pensa que o tráfico acontece dessa forma”, disse Micah Washinski, que é chefe de operações do Instituto dos EUA Contra o Tráfico Humano.
Segundo ela, vários relatórios mostraram que centenas de milhares de americanos com menos de 18 anos são atraídos para o comércio sexual, todos os anos. “Os EUA são o consumidor número um de vítimas de tráfico em todo o mundo”, disse Washinski.
“Portanto, nós somos os compradores. Somos nós que estamos a comprar bens e serviços de mão de obra das vítimas de tráfico e também estamos a comprar sexo a um ritmo acelerado”, alertou.
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, o tráfico de pessoas representa uma indústria de 150 bilhões de dólares por ano, em todo o mundo e os EUA estão a liderar a procura, conforme Washinski.
Ela esclarece que nas redes sociais, as pessoas não são elas mesmas, mas se transformam no que os outros querem que elas sejam. “Nós colocamos uma máscara e os nossos filhos aprenderam a colocar essa máscara também para fazer com que as outras pessoas gostem deles”, disse. Preocupando-se com o que os outros pensam, as pessoas não estão mais focadas no que “Deus pensa sobre elas”.
Estupro e maus tratos
Os especialistas explicam que as vítimas tornam-se objetos nas mãos dos traficantes e que muitas crianças e adolescentes vivem cenas de horror. “São pessoas feitas à imagem de Deus, mas são vistas como objetos para serem usadas para o prazer de alguns”, explicou Washinski.
Ela compartilhou que a maioria das crianças foi violada várias vezes antes dos 15 anos. Uma criança foi tão maltratada que foi hospitalizada durante semanas antes de ser transferida para um local seguro.
O perigo das mídias sociais
As plataformas das redes sociais têm contribuído muito para o problemo da tráfico humano, pois muitos jovens hoje usam essas ferramentas para chamar a atenção. “Penso que as redes sociais usadas como uma fachada”, explicou Washinski.
Ela esclarece que nas redes sociais, as pessoas não são elas mesmas, mas se transformam no que os outros querem que elas sejam. “Nós colocamos uma máscara e nossos filhos aprenderam a colocar essa máscara também para fazer com que as outras pessoas gostem deles”, disse. Preocupando-se com o que os outros pensam, as pessoas não estão mais focadas no que “Deus pensa sobre elas”.
“Deus não deseja que Seu povo busque a aprovação dos outros”, ponderou. “Os nossos filhos estão a deixar-se explorar por meio das redes sociais, numa conotação sexual, seja para ser popular, para ser cantor profissional ou modelo ou para ganhar dinheiro”, especificou.
Carência emocional
“Eles [traficantes] estão a procurar preencher uma necessidade. Então, eles encontram uma criança que precisa de atenção, que não está a receber atenção em casa, que não está a ser ‘aprovada’ pela sua família ou amigos. Eles entram e desempenham esse papel”, explicou.
Especialistas dizem que, muitas vezes, as meninas traficadas são abordadas por um homem jovem e bonito que se aproveita das suas vulnerabilidades. Então, quando ele a tem nas suas mãos, ele força-a a “fazer algo por ele” que se transforma em tráfico.
A Exodus Road, outro ministério que está a lutar para acabar com o tráfico sexual, forneceu à polícia evidências de traficantes explorando crianças usando “fotos pornográficas das vítimas como meio de controlo, ameaçando envergonhá-las ao expor as fotos aos seus familiares”.
As fotos são vendidas para sites pornográficos, ao mesmo tempo que são usadas para explorar as vítimas que são coagidas à prostituição.
Identidade em Cristo
“A nossa sociedade está a tornar-se cada vez mais sexualizada e incentiva isso a cada dia”, lembrou Malone.
“Acho que há uma grande ênfase sobre esse assunto, na América em particular. Fala-se muito sobre identidade sexual. Além de meninos e meninas, agora existem todas essas outras identidades transgénero por aí, com tantos pronomes”, mencionou.
“Porém, o mais importante é a nossa identidade em Cristo. Quem somos nós em Cristo? Sabemos que somos filhos e filhas de Deus, mas realmente sabemos o que isso significa?”, questionou.
“O mundo lá fora diz que a tua identidade não é quem tu realmente és. O mundo não quer saber de Deus, só quer saber de identificar-te sexualmente e fazer-te pensar sobre o que podes fazer com a tua sexualidade”, concluiu.
- in The Christian Post
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