11-09-2021 - Coreia do Norte acusada de tortura e assassinato de Cristãos por posse de Bíblias

O regime comunista da Coreia do Norte está a ser acusado de promover tortura associada à perseguição religiosa, além de escravidão e assassinatos. A denúncia parte de parlamentares do Reino Unido.
De acordo com o grupo de parlamentares de vários partidos no Reino Unido, um inquérito sobre o regime da Coreia do Norte descobriu que funcionários do ditador cometeram crimes contra a humanidade.
Há evidências do envolvimento de funcionários da República Popular Democrática da Coreia em “homicídios e assassinatos; tortura, penas ou tratamentos desumanos ou degradantes; violência sexual e de género, incluindo violações, tráfico sexual, abortos forçados e infanticídio; escravidão moderna; perseguição com base na religião ou crença; e muito mais”, lista um relatório divulgado na semana passada.
O documento traz análises de evidências de violações dos direitos humanos ocorridas desde 2014, quando a Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos na Coreia do Norte divulgou um parecer sobre o país.
O relatório de 2021 adverte que há “razões para acreditar que algumas das atrocidades atingem o limiar do genocídio, particularmente em relação a três grupos: Cristãos; crianças meio chinesas; e o grupo ‘hostil’”.
O inquérito cita um relatório de 2020 do Departamento de Estado dos EUA, dizendo que as execuções foram realizadas “por posse de Bíblias, circulação de material de propaganda anti-regime e atividades supersticiosas”.
Cobardia
“Algumas detidas relataram que sofreram ou observaram violência sexual, incluindo violação em instalações de detenção e interrogatório”, afirma o relatório do Grupo Parlamentar do Reino Unido.
“Os entrevistados disseram que agentes da polícia, da polícia secreta e do Ministério Público, a maioria encarregados de seu interrogatório pessoal, tocou os seus rostos e os seus corpos, incluindo os seus seios e quadris, seja através das suas roupas ou colocando as mãos dentro das suas roupas. Eles disseram que eram impotentes para resistir porque o seu destino estava nas mãos daqueles homens”, acrescenta o documento.
Em outro trecho, os parlamentares exortam o governo do Reino Unido a “avaliar os casos de possíveis atrocidades genocidas” e “garantir assistência humanitária abrangente a todos os afetados por crimes de atrocidade” na Coreia do Norte.
Mervyn Thomas, presidente fundador da Christian Solidarity Worldwide, uma entidade sediada em Londres que monitora a liberdade religiosa, pediu ao governo do Reino Unido “que acate as recomendações do relatório e continue a apelar à Coreia do Norte para garantir que todos os direitos humanos sejam respeitados e defendidos pelo governo”.
Durante anos, a Coreia do Norte foi classificada como o pior país globalmente quando se trata de perseguição cristã na Lista da Missão Portas Abertas, que relata que dezenas de milhares de cristãos estão detidos em campos de prisioneiros norte-coreanos.
Estimativas conservadoras sugerem que cerca de 80 mil a 120 mil pessoas são mantidas em campos de trabalho forçado e prisioneiros políticos dentro da Coreia do Norte.
“Pessoas podem ser enviadas para esses campos de prisioneiros por algo tão simples como ler a Bíblia, assistir a um drama sul-coreano, ouvir K-pop”, explicou Olivia Enos, analista de política em estudos asiáticos.
Ela acrescentou que o ditador Kim Jong Un “vê a religião como uma ameaça potencial à sua liderança”.
- in The Christian Post
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