20-08-2021 - Pastores afegãos foram ao governo registar a sua fé, em ‘sacrifício’ pelas gerações futuras

(Foto: Xinhua News Agency/Getty Images)
No início de julho, com a retirada dos militares americanos do Afeganistão, os pastores e líderes Cristãos no país tomaram uma decisão difícil. Eles decidiram registar formalmente a sua fé perante o governo afegão — mesmo sendo uma república islâmica, na qual a conversão ao Cristianismo tem duras consequências.
“Contra o conselho de muitos, estes líderes da igreja afegã sentiram-se impulsionados, pelo bem das gerações futuras, a declarar legalmente a sua verdadeira fé em Cristo”, reportou Mark Morris na passada segunda-feira (16).
“E quanto aos nossos filhos e netos?”, questionaram. “Alguém deve fazer esse sacrifício para que as próximas gerações possam chamar-se abertamente de seguidoras do Senhor Jesus Cristo”, responderam os líderes afegãos.
Morris reporta que enquanto os pastores e líderes se registavam no governo, “todos nós orávamos paralelamente, pedindo a Deus que os protegesse de serem detidos e presos na manhã seguinte. Eles foram entrevistados, mas não presos”.
Morris é diretor de estudos teológicos urbanos da Union University (EUA) e lidera um ministério que evangeliza refugiados na cidade de Memphis, no sudoeste do Tennessee, EUA. Ele conta que, no fim de semana passado, esteve num retiro de uma igreja afegã e inglesa.
“Na primeira noite do retiro, soubemos que um pastor no Afeganistão recebeu uma carta de um Talibã: ‘Nós sabemos quem você é, o que faz e onde o encontrar’. No sábado, o Talibã estava à sua porta, mas ele havia-se escondido. Glória a Deus”, disse.
Morris conta também que ouviu um pastor afegão, em lágrimas, falar sobre o seu amigo — um cuja aldeia foi tomada pelos Talibã três dias antes. “A filha de 14 anos desse querido irmão foi arrancada dos seus braços e forçada à escravidão sexual, no que o Talibã chamaria de ‘casamento’ e seu ‘dever e privilégio islâmico’”, relata.
Quando chegou a notícia no sábado de que os Talibã já estavam a andar pelas ruas de Cabul, a igreja chorou e orou pelos seus irmãos afegãos, enquanto se esforçava por fazer ligações a parentes que tentavam ir para um local seguro. “Ninguém conseguiu sair. As estradas e os voos já haviam fechado”, conta Morris.
Castelo Forte é o Nosso Deus
No domingo de manhã, enquanto os Cristãos afegãos se reuniam como Igreja, eles foram encorajados pela Palavra de Deus: “Em Romanos 10, todos fomos lembrados de que devemos edificar a nossa fé em Cristo, a única pedra angular que pode resistir à tempestade Talibã.”
Ele continua: “Cantámos o hino ‘Castelo Forte’. Enquanto cantávamos o verso final, um irmão afegão veio e sussurrou no meu ouvido: ‘Ashraf Ghani, o presidente do Afeganistão, acabou de renunciar. Os Talibã agora estão no controlo’. E nós cantámos: ‘Se temos de perder, família, bens, poder. E, embora a vida vá, por nós Jesus está. E nos dará Seu reino’”.
Na manhã de segunda-feira (16), cheio de lágrimas, Morris lembra que se sentiu grato pela forma como Deus planeou o fim de semana. “Com um só coração reunimo-nos para nos consolarmos uns aos outros, orarmos juntos, gemermos e chorarmos juntos nestes momentos históricos difíceis”, conta.
Desde este fim de semana, mais relatórios perturbadores estão a chegar e a vida para a igreja afegã está no início de um novo capítulo. “Jovens Cristãs estão a ser perseguidas pelos Talibã. Os Talibã acabam de invadir a casa de outro líder da igreja e confiscar as suas Bíblias e publicações”, reporta Morris.
Em Memphis, um pastor afegão escreveu: “Não tenho palavras para orar agora”. No entanto, ele ainda continua a pregar para o Afeganistão através de transmissões ao vivo. “O Oleiro está a construir os Seus vasos para os Seus propósitos”, observa Morris.
- in Gospel Coalition
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