14-07-2021 - Abusada em viagem missionária, jovem cria ONG para resgatar crianças da exploração sexual

Becky Murry fundou a organização missionária “One by One” para levar esperança a crianças em extrema pobreza. (Foto: Reprodução/Instagram).
Becky Murray viu o seu sonho de ser missionária quase acabar antes mesmo de começar, depois de ter sido abusada sexualmente na sua primeira viagem missionária. Em 2004, a jovem embarcou para Moçambique, com o propósito de atuar com crianças e os mais vulneráveis, através de uma organização humanitária cristã.
A Cristã contou, em entrevista ao Christian Today, que num raro dia de folga, decidiu ir à praia para tomar um banho do sol tropical de Moçambique. Na cultura do país, mulheres não devem deixar os joelhos descobertos, porque caso eles estejam à mostra é um anúncio de que a mulher é uma prostituta.
Porém, Becky relata que queria tanto apanhar sol e ficou tão encantada com a beleza da praia ao seu redor, que não notou que um homem a seguia.
“Olhando para trás, eu deveria ter pensado melhor, mas eu queria aquele bronzeado, então eu enrolei a minha saia e caminhei até a praia. A praia tinha estrelas do mar como eu nunca tinha visto antes. Na verdade, nunca vi nada parecido desde então. Cores vibrantes, lindos tons de vermelho, verde e azul, com tantos tons intermédios. Fiquei cativada por eles, por isso não vi um homem vir por trás de mim. Quando eu estava a curvar-me, ele levantou a minha saia e empurrou o seu corpo contra mim. Eu gritei, virei-me e recuei”, relata a missionária.
Em choque, Becky conta que vislumbrou pelo canto do olho o café localizado na praia e caminhou rápido para lá a fim de pedir ajuda. “Eu também precisava de ser corajosa e não mostrar medo. Gritei 'não' tanto em português como na língua tribal local. Mas mesmo assim ele veio na minha direção, exposto”, relembra.
Duas meninas da sua base missionária que estavam no café, avistaram Becky e correram para socorrê-la. Assim que o abusador viu ela com outras pessoas, recuou e fugiu correndo. “A minha educação foi protegida. Eu tenho uma família amorosa. Eu mal tinha saído do Reino Unido. Então, ser atacada desta forma foi um choque. Olhando para trás, deveria ter denunciado o homem à polícia, mas não o fiz”, diz a missionária.
A chama missionária não pôde ser apagada
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Becky Murry fundou a organização missionária “One by One” para levar esperança a crianças em extrema pobreza. (Foto: Reprodução/ Facebook One by One).
Mas o drama de Becky ainda não havia acabado. Dois dias depois do abuso, ela e outros jovens estavam a ouvir as palestras matinais na base missionária, que eram exclusivas para os alunos da missão. No meio da aula, um homem bêbado entrou no local e sentou-se na cadeira em frente a Becky. A jovem reconheceu-o logo: era o seu abusador.
“Eu queria gritar. Era ele. Senti um aumento de raiva e tive que me conter para não bater nele”, relembra.
Uma das garotas que a tinha ajudado no café, Meredith, viu o que estava a acontecer e dirigiu-se até Becky e começou a orar por ela, enquanto a palestra acontecia.
“Toda a raiva e todo o medo me deixaram. Foi imediato. Assim, eu fui capaz de ir até ao homem após a palestra e dizer-lhe: 'Jesus ama-o.' Ele olhou para mim, surpreso e perplexo. Ele saiu a cambalear da tenda e eu nunca mais o vi, mas sei que no momento em que ele deveria ter esperado raiva e retaliação, ele viu o amor de Deus. Eu oro para que ele o tenha encontrado”, testemunha a missionária.
Embora Becky tenha perdoado ao homem, as lembranças do trauma ainda existiam e ela se questionava se conseguiria continuar o seu ministério missionário. “Eu interrogava-me se sera corajosa o suficiente para fazer esse tipo de trabalho. E se acontecer de novo? E se eu fosse atacada de forma mais severa? Eu poderia lidar com isso?”, indagava.
Mas a missionária entendeu que o seu compromisso com a sua chamada precisava de ser mais forte do que as suas emoções e permaneceu no trabalho. Dois anos depois, Becky viveu mais um incidente em África, que mudaria a sua vida e a levaria a dar um passo maior no seu ministério.
Esperança para crianças exploradas
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Becky Murry fundou a organização missionária “One by One” para levar esperança a crianças em extrema pobreza. (Foto: Reprodução/ Facebook One by One).
Em 2006, caminhando pelas ruas pobres da cidade de Bo, na Serra Leoa, Becky avistou Felicity, uma menina de 9 anos, implorando por dinheiro e descalça. Então, a missionária e suas amigas compraram sapatos e deram à menina. Mas Becky ficou estarrecida ao perceber que a garota presumiu que ela queria favores sexuais em troca do par de calçados.
Foi neste momento, que a missionária percebeu o terrível problema da exploração sexual de crianças em países de extrema pobreza e decidiu fazer algo por elas. Em 2011, Becky criou a “One by One” (Um por Um) uma organização missionária que alcança crianças em vulnerabilidade social em países do Terceiro Mundo.
O primeiro projeto do “One By One” foi a construção do King's Children's Home (Lar dos Filhos do Rei) no Quénia, com o objetivo de realojar e dar esperança às crianças que, de outra forma, estariam a viver em extrema pobreza. A organização de Becky também desenvolve um programa para viúvas no norte do Sri Lanka, cujos maridos foram mortos na guerra civil.
Além disso, o The Dignity Project (Projeto Dignidade) - que fornece educação e artigos sanitários reutilizáveis para adolescentes - foi formado em 2016 e expandiu-se para várias nações, como Serra Leoa, Paquistão, África do Sul e Suazilândia. O projeto mais recente é o King's Children's Home, no Paquistão, que resgata crianças do trabalho forçado em fábricas de tijolos.
- in Christian Today
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