18-06-2021 - EUA denunciam China por violar direitos humanos, em relatório sobre liberdade religiosa

Antony Blinken discutindo o Relatório 2020 sobre Liberdade Religiosa Internacional, no Departamento de Estado em Washington, dia 12 de maio de 2021. (Foto: AFP)
O tema “Liberdade Religiosa Internacional” ocupou o centro do palco no Departamento de Estado dos Estados Unidos, no mês passado, quando Anthony Blinken, o secretário de Estado, divulgou o atual relatório de 2020.
Blinken dirigiu-se aos repórteres na sala de coletiva de imprensa, lembrando que a liberdade religiosa é um direito humano.
“Na verdade, vai ao cerne do que significa ser humano — pensar livremente, seguir a própria consciência, mudar as crenças caso os nossos corações e mentes nos levem a fazer isso, expressar essas crenças em público e em privado”, iniciou.
Declaração Universal dos Direitos Humanos
Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi aceite globalmente como o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.
“A liberdade religiosa está consagrada na Declaração Universal e também faz parte da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. O compromisso do nosso país em defender a liberdade de religião e crença remonta há séculos. E continua até hoje”, reafirmou o secretário.
“Todas as pessoas, em todos os lugares, têm direito a ela, não importa onde vivam ou no que acreditam. A liberdade religiosa é igual a outros direitos humanos porque os direitos humanos são indivisíveis”, continuou.
Blinken defende que a liberdade religiosa não é mais nem menos importante do que a liberdade de falar e de se reunir, de participar da vida política do seu país, de viver livre de tortura e escravidão ou de qualquer outro direito humano”, disse.
“Quando os direitos são negados gera divisão”
“A liberdade religiosa não pode ser plenamente realizada a menos que outros direitos humanos sejam respeitados, e quando os governos violam o direito do seu povo de acreditar e adorar livremente, isso prejudica todos os outros”, ressaltou.
Para o secretário, a liberdade religiosa é um elemento-chave de uma sociedade aberta e estável. “Sem isso, as pessoas não são capazes de dar sua contribuição total para o sucesso do seu país. E sempre que os direitos humanos são negados, isso acende a tensão, gera divisão”, observou.
O secretário também citou a pesquisa do Pew Research Center de que 56 países, abrangendo uma maioria significativa da população mundial, têm restrições altas ou severas à liberdade religiosa. Alguns dos piores criminosos destacados no relatório deste ano incluem Irão, China, Birmânia, Rússia, Nigéria e Arábia Saudita.
China aparece no estudo como “repressora de cristãos”
A pesquisa de 2.400 páginas examinou a tolerância religiosa em cerca de 200 países e territórios. A China representou a maior secção e o Departamento de Estado citou relatos persistentes de violações dos direitos humanos no país, incluindo tortura, abuso físico, prisões, detenções, doutrinação forçada da ideologia do Partido Comunista e mortes sob custódia de crentes religiosos.
Blinken chegou a citar a China como “repressora” de Cristãos, muçulmanos e budistas tibetanos e anunciou a imposição de sanções a um funcionário do Partido Comunista (PC) por graves violações dos direitos humanos.
Ao divulgar o relatório, o secretário de Estado disse que o oficial do PC, Yu Hui, ex-diretor de um escritório de Chengdu que visa suprimir "religiões heréticas", teria a sua entrada negada nos Estados Unidos, junto com a sua família imediata.
Ele foi designado pelo seu envolvimento em graves violações dos direitos humanos, ou seja, a detenção arbitrária de praticantes do Falun Gong por causa das suas crenças espirituais”, disse Blinken, referindo-se ao grupo de exercícios e meditação fundado em 1992 e proibido na China como um “culto maligno" em 1999.
“A China criminaliza amplamente a expressão religiosa e continua a cometer crimes contra a humanidade e genocídio contra uigures muçulmanos e membros de outros grupos religiosos e étnicos minoritários”, disse Blinken a repórteres.
Continuaremos a considerar todas as ferramentas adequadas para responsabilizar aqueles que promovem violações e abusos dos direitos humanos na China”, concluiu.
- in CBN News e SOUTH CHINA MORNING POST
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