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12-03-2021 - Luis Palau, chamado pelo Senhor aos 86 anos de idade

Luis Palau: Why It Matters that Pope Francis Drinks Mate wit... |  Christianity Today

 

     Luis Palau (na foto), o evangelista argentino que passou de tradutor de Billy Graham a pregador que terá çlevado milhões de pessoas, de mais de 80 países, a seguirem Jesus, foi chamado pelo Senhor com 86 anos de idade.

     Luis Palau faleceu de cancro de pulmão. Imigrante da Argentina que viveu nos Estados Unidos, Palau seguiu as pisadas de Billy Graham e pregou o evangelho em mais de 80 países ao redor do mundo. O seu ministério terá levado milhões de pessoas a tomarem a decisão pessoal de seguir Jesus.

     Palau pregou o Evangelho a vários chefes de estado da América Latina.

     Quando jovem, Palau atuou como intérprete de Billy Graham, que mais tarde o ajudou na sua própria ação evangelística, quando ela começou oficialmente, em 1978.

     Palau começou a evangelizar durante um momento histórico para o evangelicalismo latino-americano. Nas décadas de 1960 e 1970, o equatoriano René Padilla e o peruano Samuel Escobar começaram a defender a Missão Integral, desafiando um evangelicalismo que eles acreditavam centrar-se muito estreitamente na salvação pessoal e individual, em detrimento de questões sociais mais amplas. Palau não seguiu essa trajetória. Os seus escritos em espanhol criticavam a Teologia da Libertação e o seu ministério estava focado na conversão das almas. Muito do seu trabalho posterior, no entanto, buscou envolver ativamente a comunidade, especialmente na cidade em que vivia nos EUA, Portland, no estado do Oregon. Ele não pregava um Evangelho social, mas a sua mensagem estava ciente das questões sociais.

     Em 1999, o New York Times fez uma sondagem sobre quem poderia suceder Billy Graham. Palau foi o mais votado.

     Apesar de ter vivido sua vida adulta nos Estados Unidos, Palau permaneceu ligado à América Latina em grande parte pela rádio — o mesmo meio pelo qual ouviu Billy Graham pregar pela primeira vez, quando era adolescente, evento que inspirou a sua ação no evangelismo. Ele frequentemente contratava canais de televisão para que fizessem a transmissão simultânea das suas cruzadas, em horário nobre. Além das suas pregações públicas, ele também aparecia no canal de TV local, respondendo a perguntas dos telespectadores e levando os moradores ao Senhor.

     Palau cresceu em Ingeniero Maschwitz, uma pequena cidade a cerca de 50 quilómetros de Buenos Aires. Ele nasceu em 1934, o único rapaz de sete filhos. A sua família era bilingue, pois os seus avós paternos imigraram da Espanha, após a Primeira Guerra Mundial, e sua mãe vinha de uma família de origem escocesa e francesa. Os pais de Palau, Luis Palau Sr. e Matilde Balfour de Palau, tornaram-se Cristãos depois que Edward Rogers, um alto executivo britânico da indústria do petróleo, ter oferecido uma Bíblia à mãe de Palau. Rogers foi uma grande influência espiritual na vida de Palau, durante a sua infância e, quando o pai de Palau morreu de forma inesperada, ajudou financeiramente a família.

     A experiência de conversão pessoal de Palau aconteceu quando ele foi a um acampamento de férias, em 1947, e um conselheiro do acampamento o conduziu à salvação em Cristo.

     “Nós não precisamos de ter uma história de cair o queixo sobre como cremos em Jesus. Ela só precisa de ser sua ”, escreveu Palau mais tarde, num livro de memórias. “Alguns veem uma luz vinda do céu, como a experiência da estrada de Damasco, que os faz passar da condição de ‘o principal dos pecadores’ para os braços de Jesus. Outros são apenas crianças começando a aprender o que significa pecado, e a luz vinda do Céu se parece mais com a luz tremulante de uma lanterna iluminando as páginas da Bíblia, enquanto uma chuva fria cai ao redor. Tudo o que importa na nossa conversão é a sua realidade”.

     Palau aprendeu inglês com os pais, que eram bilingues, quando ele ainda era muito jovem. Grande parte de sua educação também foi em inglês, primeiro em um internato britânico e, depois, em uma prestigiosa academia associada à Universidade de Cambridge.

     Depois de terminar os estudos e encontrar trabalho em uma agência do Banco de Londres, Palau ouviu pela primeira vez a voz de Billy Graham na rádio, quando era um adolescente, na Argentina. Dali a alguns anos, o próprio Palau solicitaria à rádio local um espaço para que ele mesmo fizesse sermões. Inicialmente inclinado a seguir a advocacia, Palau começou a sonhar com um ministério de evangelismo em massa, em escala global, nos mesmos moldes que marcavam as cruzadas de Billy Graham. Mais ou menos na mesma época, ele participou de um estudo bíblico conduzido pelo pregador e escritor americano Ray Stedman, que, nos meses seguintes, instou Palau a se mudar para os Estados Unidos, a fim de se preparar melhoro para o ministério.

     Quando chegou à área da baía de São Francisco, na Califórnia, Palau foi morar com Stedman, que também era mentor do jovem Chuck Swindoll. A orientação de Stedman ia além de indicar livros ou dar conselhos. 

     Em Multnomah, Palau conheceu a sua esposa, Patricia, uma moradora do Oregon que tinha os seus próprios sonhos relacionados com o evangelismo global. Depois que se casaram, mudaram-se para Detroit e, em seguida, passaram um tempo na Costa Rica, Colômbia e México, pela agência missionária Overseas Crusades. À medida que a família cresceu — eles acabaram por ter quatro rapazes —, o casal decidiu criar os filhos no Oregon. Palau continuou a viajar, enquanto Pat ficava em casa. Certa vez, aos 57 anos de casamento, Palau calculou que eles haviam passado 15 anos separados, por causa das suas viagens.“Nunca me esqueci do facto de que muitos dos momentos mais preciosos da vida dos meus filhos ocorreram sem a minha presença”, escreveria Palau posteriormente. “Não me arrependo da escolha que fiz. Mas lamento as muitas memórias que ocorreram sem que eu estivesse presente”.

     Palau teve um breve encontro com Billy Graham, quando o americano visitou a Argentina, mas os seus caminhos cruzaram-se novamente quando Palau estava perto de completar 30 anos. Palau tinha em Billy Graham um exemplo, e imitava a sua estratégia centrada em cidades. No início do seu ministério, Palau traduziu para Billy Graham e, ao longo de seus ministérios de décadas, eles trabalharam juntos em várias ocasiões.

     Nas cruzadas Palau e a sua equipa evangelística procuravam reunir-se com os líderes da região. “Um encontro de doze minutos, agendado com o presidente da Guatemala, Carlos Arana Osorio, durou uma hora; o presidente aceitou uma Bíblia de Palau, declarando que queria estudá-la”, relatou a CT, em 1974.

     Apesar do seu ministério internacional e da turbulência política que a América Latina enfrentou na segunda metade do século 20, Palau ganhou a reputação de raramente fazer comentários sobre política.

     “Aqueles que são chamados a entrar na arena política devem considerá-la um ministério do Senhor. Eu não me importo se ele ou ela é de esquerda, de direita, um ateu ou um líder religioso. Falo sempre aos políticos: ‘A autoridade da sua posição é delegada por Deus e é um ministro de Deus’”, disse Palau, em 1996. “Portanto, eu os incentivo a pensar em justiça e retidão, e a defender os pobres e necessitados. Esse é o papel de um político”.

     Apesar da sua herança argentina, grande parte do mundo considerava Palau um americano.

     “Ele adota o modelo de Billy Graham. E tem por trás de si essa grande organização que lhe proporciona um sistema de prestação de contas, experiência gerencial, arrecadação de fundos e legitimidade”, disse Daniel Ramirez, professor associado de religião na Claremont Graduate University. “Isso vem dos Estados Unidos. Isso não vem da América Latina”.

     Com o tempo, a presença de Palau nos Estados Unidos tornou-se mais forte — e começou a se diferenciar do modelo que muitos de seus eventos internacionais haviam adotado. Os seus filhos o convenceram a abandonar a palavra cruzada e trocá-la por festival — sugestão à qual ele resistiu no início. Ele, como muitos de seus contemporâneos, começou a trocar os espaços de arenas desportivas por parques localizados no centro das cidades. Muitos eventos também começaram a incluir projetos de serviço comunitário. Durante um recesso de primavera, ele transmitiu a sua programação a dezenas de igrejas, via satélite, encorajando as congregações a alcançarem estudantes universitários por meio de festas na praia, com bandas locais, palestrantes e desportos.

     “Ele era claramente ortodoxo, mas, ao mesmo tempo, sem ser desagradável”, disse Ed Stetzer, diretor executivo do Billy Graham Center, do Wheaton College. “Isso é algo que nem todo mundo consegue [ser] num cenário nacional. Ele conseguiu”.

     Vários anos depois, o seu ministério, baseado na área de Portland, também chamou a atenção por construir relacionamentos intencionais com o então presidente de câmara, homossexual assumido, e por colaborar com uma cidade que ostentava uma reputação secular e progressista. Às vezes, Palau preocupava-se com o facto de que o foco crescente do ministério em servir a comunidade pudesse ofuscar o evangelismo para o qual ele se sentia chamado.

     “Corremos o risco de passar por uma transformação completa e nos tornarmos como os liberais”, disse ele à CT, em 2008. “Não devemos diluir o Evangelho porque estamos almoçando com políticos. Estou comprometido com a pregação do sangue e da cruz de Jesus”.

     Por meio dos seus festivais na América, ele também buscou relacionamentos intencionais com a comunidade latina.

     “Os latinos estão em melhor posição para levar a mensagem do Evangelho a este país, por causa de nosso alto compromisso com a família e porque os hispânicos têm um senso de abandono em prol do Evangelho”, disse Palau. “Mal acabo de citar um versículo da Bíblia e eles já explodem em aplausos!” Nos comícios feitos no Chicago Pavilion, da Universidade de Illinois, Palau citava a primeira parte de um versículo bíblico e o público dizia o restante, em altos brados.

     Palau também acreditava que os latinos poderiam servir de ponte para unir comunidades brancas e negras polarizadas. “Não nos isolamos, como os brancos, dos problemas da cidade, e não temos as mesmas mágoas históricas da comunidade negra”, afirmou.

     “A onda latina no evangelicalismo também mudará a própria igreja evangélica”, disse Palau. “A corrente predominante da igreja evangélica tornou-se muito à vontade nesta cultura. Ela perdeu o seu fogo, o seu senso de convicção de certo e errado”.

     Mesmo com a expansão do seu ministério nos Estados Unidos, Palau lamentava a falta de paixão do Ocidente pelo evangelismo.

     “Na América do Norte e na Europa, no entanto, acho que, embora haja muita discussão sobre evangelismo, é difícil encontrar evangelismo de verdade”, disse ele à CT, em 1998. “Os cristãos evangélicos da América do Norte pagam com satisfação qualquer quantia para ir a um show. Eles lotam centros cívicos para sessões de louvor e adoração, e até mesmo para convenções de batalha espiritual e intercessão. Mas quando se trata da batalha face a face, que consiste em falar às pessoas de maneira gentil, mas direta, sobre sua necessidade de Cristo, esses números caem de forma abrupta. Em muitas igrejas, a resposta ao desafio de proclamar o Evangelho na sua cidade é: ‘Por que devemos fazer isso?’ e ‘Isso é dispendioso’”.Mais de 15 anos depois, Palau reafirmou as suas convicções.

     “Nós, Cristãos — especialmente os anglo-saxões — temos essa ideia de que já sabemos o que o outro está a pensar, antes mesmo de começarmos a falar com ele. Mas, na realidade, não sabemos ”, disse Palau. “O Espírito Santo disse que convenceria o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Crê nisso? Eu creio.”

     Palau deixa esposa, quatro filhos e muitos netos.

- in Christianity Today

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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