26-02-2021 - Como uma menina inspirou a criação das sociedades bíblicas

Menina vestida como Mary Jones (Foto: Reprodução/Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira)
Há mais de 50 anos a Bíblia ocupa o primeiro lugar no ranking dos livros mais lidos e vendidos no mundo. Ela já foi traduzida para cerca de 3 mil línguas, com mais de 3,9 bilhões de exemplares vendidos, de acordo com a estimativa da Sociedade Bíblica do Brasil. Mas, nem sempre foi assim. Lá pelo século XVIII, no País de Gales na Europa, uma Bíblia era considerada uma relíquia cara e rara, que poucos tinham acesso. Somado ao analfabetismo da maior parte da população galesa, a Bíblia não era um livro popular.
Nessa época e região, nasceu uma menina chamada Mary Jones, por volta de 1785. De origem humilde, ela cresceu numa casa feita de pedras numa vila rodeada por montanhas. Seu pai, um tecelão, pobre e sua mãe dona de casa, não sabiam ler nem escrever e nunca tinham tido um livro em casa.
Aos domingos, Mary ia à Igreja no seu vilarejo com os seus pais, que ficava a cerca de três quilómetros da casa da família Jones. A menina, que ainda não sabia ler, amava cantar os hinos que conseguia decorar, mas tinha dificuldade de entender o sermão do pregador e não conhecia todas as histórias bíblicas que ele contava nos cultos.
Mary estava encantada por aquele livro de capa preta e letras douradas que o pregador lia e ao final dos cultos. Ela aproximava-se sempre da Bíblia para admirá-la melhor, pensando consiga mesma: “Ah! Se eu pudesse ler este livro! Ele tem tanta coisa bonita! Ah! Se eu tivesse a minha própria Bíblia para ler em casa!”.
Quando Mary Jones completou 10 anos, foi inaugurada uma Escola no seu vilarejo e assim ela pôde aprender a ler e a escrever. Uma vizinha de Mary, a senhora Evans, sabendo do amor de Mary pelas Escrituras, disse à menina que agora que ela aprendera a ler, poderia visitar sua casa para ler a Bíblia que a sua família possuía.
Mary ficou muito feliz e grata com a oferta da senhora Evans e num sábado de manhã ela foi pela primeira vez ler a Bíblia daquela família. A menina estava tão emocionada com a oportunidade, que estava até com medo de tocar o livro sagrado. E, limpando as mãos, com todo o cuidado, começou a virar as páginas e ler.
A jornada por um sonho
Ao voltar para a casa naquele dia, um desejo tomou conta do coração de Mary: ter a sua própria Bíblia. Então, ela fez uma resolução; iria trabalhar arduamente e juntar dinheiro para comprar a sua Bíblia. A menina pediu ao pai que lhe fizesse um cofrinho de madeira para guardar as suas economias.
Durante a semana, Mary Jones fazia de tudo para arrecadar dinheiro: tricotava e vendia meias, remendava roupas, criava galinhas e vendia os ovos, carregava água do poço para as casas que pedissem e ajudava os fazendeiros na colheita e na criação dos animais. E aos sábados, ela ia visitar a senhora Evans para ler a Bíblia.
Ano após ano, Mary trabalhou com persistência, economizando todo dinheiro que conseguia e somente depois de seis anos, ela conseguiu o valor para comprar uma Bíblia. A garota ainda teve que viajar até a cidade de Bala para fazer a compra, porque na sua cidade não havia ninguém que vendesse Bíblias.
E assim, Mary percorrer cerca de 40 quilómetros a pé e descalça, atravessando florestas e montanhas, durante um dia inteiro. Cansada, com fome e com os pés a doer e cheios de bolhas, ela chegou a Bala pela noite. Percorreu a cidade, pedindo informações para chegar a casa do pregador Thomas Charles, que ela descobrira que era quem vendia Bíblias.
Depois de um tempo procurando, Mary encontrou a casa de Thomas e bateu na porta, ansiosa para enfim realizar o sonho de ter a sua própria Bíblia. O pregador, mal abriu a porta, a menina começou a falar: “Chamo-me Mary Jones. Eu moro numa vila atrás das montanhas. Andei 40 quilómetros para chegar aqui. Economizei durante seis anos para comprar uma Bíblia. O dinheiro está aqui nesta bolsa. Se o senhor quiser, pode contar. O senhor tem uma Bíblia em galês para mim?”.
O pregador, um tanto surpreso, pediu que Mary entrasse para descansar e se acalmar. Thomas ofereceu comida à menina e depois dela se ter alimentado, teve que dar a má notícia: “Lamento muito, Mary, mas a única Bíblia em galês que tenho está reservada para outra pessoa”.
A garota mal podia acreditar no que ouvia. Muito abalada começou a chorar, desabafando desolada: “Terei que voltar para minha casa sem uma Bíblia, de mãos vazias?!”. O pregador, vendo a imensa tristeza de Mary, ficou tocado e resolveu dar a Bíblia em galês que possuia, afinal a pessoa que a tinha encomendado também entendia inglês e poderia ficar com outra Bíblia neste idioma.
Mary recebeu o livro sagrado com muita alegria e gratidão. E na manhã seguinte partiu de volta para casa, abraçada à sua Bíblia. Naquele dia, já em casa com os seus pais, depois do jantar, Mary Jones abriu a sua própria Bíblia pela primeira vez e leu o Salmo 150. Depois, a família Jones ajoelhou-se e agradeceu a Deus por aquele tesouro recebido: uma Bíblia na sua língua.
A criação das sosiedades bíblicas
Enquanto isso em Bala, no seu escritório, o pregador Thomas Charles não conseguia esquecer a menina que bateu à sua porta para realizar o sonho de ter a sua própria Bíblia. Ele ficou a interrogar-se se não haveria outras “Mary Jones” sonhando com Bíblias no seu país.
Anos mais tarde, num encontro de pregadores em Londres, Thomas Charles contou a história de Mary Jones para mostrar a dificuldade de conseguir uma Bíblia no País de Gales. Então, os anciãos das igrejas concordaram em criar uma organização para fornecer Bíblias a preços mais acessíveis para a população galesa. Na ocasião, um pregador chamado Hughes, questionou: “É claro que uma Sociedade deve ser formada com essa finalidade. Mas porque só para o País de Gales? Porque não para Grã-Bretanha toda? Porque não para o mundo inteiro?”.
Assim, naquele encontro que reuniu cerca de 300 pessoas, em 7 de março de 1804, foi criada a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira. Com o passar dos anos, o trabalho desta Sociedade espalhou-se pelo mundo todo. No Brasil, por exemplo, o primeiro carregamento de Novos Testamentos em português foi enviado em 1808.
E em 1948, foi criada a Sociedade Bíblica do Brasil, hoje chamava carinhosamente de SBB, que já há alguns anos tem estado entre as Sociedades Bíblicas nacionais que mais distribuem Bíblias e literatura cristã.
- in Gospel Prime
A Sociedade Bíblica de Portugal
A Sociedade Bíblica de Portugal é uma organização cristã, sem fins lucrativos a operar em Portugal desde 1809, reconhecida como pessoa coletiva de utilidade pública. A sua missão é promover a mais ampla, eficaz e relevante distribuição da Bíblia em português ou em qualquer outra língua, e ajudar as pessoas a interagir com a Palavra de Deus. A Sociedade Bíblica de Portugal está integrada numa fraternidade mundial – as Sociedades Bíblicas Unidas – com 150 Sociedade Bíblicas nacionais em mais de 200 países e territórios
A Bíblia em Portugal
A Bíblia é a Palavra de Deus - fonte de saber que realmente importa, de cultura e valores que realmente interessam. É o maior best-seller. Contudo, existem muitas pessoas no mundo que ainda não têm uma porção das Escrituras traduzidas na sua língua, e outras, que tendo fácil acesso à Bíblia nunca a leram, como é o caso do nosso país onde cerca de 30% da população nunca leu ou interagiu com a Bíblia. Certos de que descobrir a Bíblia é descobrir uma fonte de paz e sentido para a vida, a Sociedade Bíblica trabalha na edição, distribuição e divulgação da Bíblia, procurando colmatar essa lacuna, especialmente em Portugal e nos países africanos de expressão portuguesa.
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NOTA de esclarecimento importante:
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