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14-02-2021 - Crianças estão a ser usadas como ‘experiência’ em transição de género, alerta psiquiatra

 

Violência contra crianças e adolescentes

Violência contra crianças e adolescentes

 

     Um testemunho médico compartilhado num recente processo judicial contra uma clínica que oferece “tratamentos” para transição de género em Londres foi publicado pela primeira vez no jornal britânico ‘Daily Mail’.

     O depoimento do psiquiatra infantil Christopher Gillberg falou sobre o perigo da prescrição de drogas bloqueadoras da puberdade para menores, agravando a confusão de género nas mentes dos pequenos.

     Os advogados do ‘Daily Mail’ argumentaram que existe um interesse público significativo em divulgar as evidências que os médicos apresentaram durante a revisão judicial contra Tavistock e Portman no final do ano passado, após terem sido impedidos de continuar a prescrever os medicamentos.

     O caso contra a clínica Tavistock foi movido por Keira Bell, uma mulher que se identificou como transexual durante a sua adolescência e chegou a passar pela transição, mas decidiu reverter o processo aos 23 anos de idade.

     Bell argumentou que na época da sua transição ainda não era capaz de compreender os riscos a longo prazo para a sua saúde e estava a fazer escolhas “precipitadas”. A combinação de bloqueadores da puberdade e hormonas do sexo oposto provavelmente deixaram-na estéril. A moça também foi submetida a uma mastectomia dupla, da qual também se declarou arrependida.

 

“Experiência viva”

     O psiquiatra infantil Christopher Gillberg, que testemunhou durante o processo judicial, comparou a prescrição de tratamento hormonal para interromper a puberdade normal em menores a uma “experiência viva” em jovens vulneráveis.

     “Nos meus anos como médico, não consigo me lembrar de uma questão de maior gravidade para a prática da medicina”, disse ele.

     “Deixamos a prática clínica baseada em evidências e estamos a usar medicamentos poderosos para alterar a vida de um grupo vulnerável de adolescentes e crianças com base numa crença”, acrescentou

     Outra informação revelada durante a audiência, foi que os bloqueadores de puberdade prejudicam o desenvolvimento ósseo e cerebral. As adolescentes que passam por uma transição de género medicalizada são orientadas a escolher doadores de esperma para fertilizar os seus óvulos e congelá-los, e os médicos não estão a alertar os pacientes sobre como os tratamentos experimentais colocam em risco a fertilidade.

     Também foi apresentado que as crianças no espetro do autismo estão a ser influenciadas na internet a acreditar que são transgéneros e que os jovens que mais tarde se arrependem da transição acabam “presos” num corpo que foi ferido.

     “Não havia nenhum outro campo da medicina onde tais intervenções radicais fossem oferecidas a crianças com uma base de evidências tão pobre”, disse Stephen Levine, que é psiquiatra clínico em Ohio e desafiou a ideia de que as drogas usadas para a transição de género eram “reversíveis”.

     Na sua petição ao tribunal, Levine também destacou complicações cardiovasculares graves que vêm com as hormonas experimentais, como riscos substanciais de ataques cardíacos em mulheres e coágulos sanguíneos profundos nas veias dos homens.

 

Decisão

     O Supremo Tribunal do Reino Unido manteve na sua decisão que os profissionais médicos não devem permitir que menores com idades entre 16 e 17 anos continuem com os bloqueadores da puberdade sem primeiro buscar o consentimento dos tribunais. Além disso, os médicos que prescreverem tais medicamentos para menores de 16 anos sem autorização do tribunal enfrentarão um grau mais alto de punição por negligência clínica.

     A Baronesa Nicholson, que integra a Câmara dos Lordes, expressou a sua repulsa pelo facto de os jovens estarem a ser tratados dessa maneira.

     “Os bloqueadores da puberdade são uma experiência física destrutiva angustiante em meninos e meninas imaturos. Ele fecha o desenvolvimento normal em favor de uma vida dolorosa e um futuro estéril cerceado. O Serviço Nacional de Saúde nunca deveria ter permitido tal uso de dinheiro público sem pesquisas, em cirurgias irremediáveis em corpos saudáveis”, disse ela.

     Os defensores dos bloqueadores de puberdade como um curso legítimo de tratamento médico, como a diretora da clínica Tavistock, Polly Carmichael, insistiram que atrasar os processos puberais com bloqueadores dá aos pacientes mais tempo “para pensar sobre sua identidade de género”.

     Porém, Sophie Scott, professora da University College London, contestou a afirmação durante seu depoimento no caso, observando o impacto prejudicial que as drogas têm no cérebro.

     “Estou preocupada que o atual regime de tratamento praticado pela Tavistock esteja expondo os jovens a riscos de danos significativos”, disse ela.

 

Contexto

     A decisão contra a clínica Tavistock veio após anos de crescente escrutínio, à medida que denunciantes chamavam a atenção para as práticas internas do Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género (GIDS).

     Numa carta aberta de julho de 2019 dirigida a Carmichael (diretora da clínica), Kirsty Entwistle, que até outubro de 2018 tinha sido psicóloga do GIDS, expressou a sua preocupação com o facto de os médicos estarem a dizer às crianças e suas famílias que os bloqueadores da puberdade eram “totalmente reversíveis”, quando, na verdade, os impactos a longo prazo ainda são desconhecidos.

     Existia um clima de medo dentro da clínica entre os funcionários que estavam preocupados com os protocolos internos, mas não expressaram as suas preocupações por medo de serem rotulados como transfóbicos, ela explicou. Um número desproporcional de crianças tratadas na clínica sofria de uma série de outras comorbidades de saúde mental e vivia na pobreza, disse ela.

- in Daily Mail

 

 

 

 

 

 

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