10-01-2021 - Pregador alemão condenado por pregar contra homossexualidade na Alemanha

Um tribunal de Bremen, no noroeste da Alemanha, condenou um pregador protestante por “discurso de ódio contra homossexuais”, por dizer que a homossexualidade é pecado, num seminário sobre casamento em 2019.
O pregador Olaf Latzel, pastor na Igreja St. Martini, vinculada à Igreja Evangélica na Alemanha (EKD, sigla alemã), foi condenado a pagar uma multa de 8.100 euros. Latzel irá apelar da sentença.
O tribunal concluiu que o pregador promoveu o ódio contra os homossexuais e atacou sua dignidade num seminário sobre casamento realizado em novembro de 2019, no qual ele chamou às atividades políticas em defesa do movimento LGBT de “homolobby”.
Falando para cerca de 30 casais, Latzel disse: “Os criminosos do Christopher Street Day (Parada Gay de Berlim) desfilam por toda parte. Todo esse lixo de género é um ataque à ordem da criação de Deus, é demoníaco e satânico”. O vídeo foi publicado meses depois no seu canal no YouTube, mas depois foi excluído.
No processo, a defesa de Latzel explica que as visões do pregador baseiam-se na Bíblia e referiam-se à homossexualidade como um conceito. No seu discurso, ele referiu-se aos ativistas LGBT violentos, e não às pessoas homossexuais de maneira geral.
O juiz rejeitou a defesa, alegando que “a orientação homossexual de uma pessoa faz parte da sua personalidade”.
O advogado de Latzel disse que a decisão é uma “catástrofe”, abrindo as portas para se “restringir a liberdade de expressão”. Ele ainda acrescentou que “embora hoje seja um ponto de vista encontrado na Bíblia, amanhã poderá ser qualquer outra opinião”.
Durante a sessão em que a sentença foi anunciada, vários grupos protestaram em frente ao tribunal, tanto a favor como contra Latzel.
Reações
A liderança da Igreja Protestante em Bremen, que já havia “condenado” a conduta de Latzel, disse que estava “preocupada que um pastor da nossa igreja seja condenado por promover o ódio contra um grupo de pessoas”. Eles acreditam que a postura de Latzel poderá atrapalhar a imagem da Igreja Protestante na Alemanha.
Um jurista e colunista do Idea, um site evangélico alemão, referiu-se ao caso como um “julgamento claramente errado”. Em contraste, um colunista de outro site evangélico, Pro Medien Magazin, concluiu que “a violência verbal contra homossexuais pode unir os seus próprios seguidores [evangélicos], mas afastará os de fora para sempre”.
Nas redes sociais, as opiniões também ficaram divididas. Enquanto alguns Cristãos expressaram “alívio” porque o “pregador do ódio” foi finalmente condenado, outros alertaram que os Cristãos estavam a começar a ser perseguidos “apenas por pregar o Evangelho”.
Conservador e popular
Para muitos anos, Latzel tem sido uma figura evangélica conservadora e polémica dentro da Igreja Evangélica na Alemanha, que tem uma tendência teológica liberal.
A sua posição sobre o papel da liderança das mulheres na igreja, o ecumenismo e o islamismo tem chocado com a de outros pastores protestantes. Por causa das posições teológicas de Latzel, foram realizadas duas petições na Internet pedindo à Igreja Protestante de Bremen que o destituísse do cargo.
No entanto, a frequência à Igreja St. Martini cresceu para mais de 400 fiéis nos últimos anos. O pregador também se tornou uma voz ativa na Internet — são mais de 26 mil pessoas inscritas no seu canal no YouTube.
No passado, a Igreja St. Martini relatou ataques com tinta nos seus prédios e ações de grupos LGBT interrompendo os seus cultos.
Em entrevista à CBN News em 2016, Latzel disse que os ataques o tranquilizam e mostram que ele está na guerra entre Cristo e o diabo.
“Este é um sinal de que se está no caminho certo na pregação: quando se começa a ter problemas. Se pregarmos o Evangelho de Jesus Cristo e todos simplesmente nos aplaudirem de pé, então alguma coisa está errada”, destacou.
- in Evangelical Focus
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