29-10-2020 - Menino, neto de avó Cristã, é resgatado após sobreviver a ritual de sacrifício, no Uganda

Vítima da ação de um feiticeiro que o esfaqueou, o menino Robert Mukwaya sofreu graves lesões na coluna vertebral em 2014 e pensou-se que nunca mais voltaria a andar.
Ele estava a descansar na cozinha da sua avó, no distrito de Mukono, no Uganda, quando o feiticeiro o arrastou para fora e o esfaqueou no pescoço, deixando o menino com uma lesão na coluna e os pés permanentemente voltados para baixo.
Robert ficou paralisado e fez diversas cirurgias para restabelecer os seus movimentos.
A cirurgia mais recente foi feita em 20 de fevereiro de 2020 no Shriners Hospitals for Children, em Salt Lake City, EUA, pode mudar sua história.
O Kyampisi Childcare Ministries, uma organização de caridade Cristã fundada pelo pregador Peter Sewakiryanga, divulgou um comunicado dizendo que a cirurgia do jovem foi "um sucesso".
Ele teve uma "grande operação no quadril, pés e mãos", entre outras áreas.
O comunicado pedia "mais orações pelo seu restabelecimento”. “A sua recuperação pós-operação é longa, mas os médicos estão confiantes de que [Robert] irá melhorar.”
Os Ministérios de Assistência à Criança de Kyampisi ajudam as crianças sobreviventes de sacrifícios e as suas famílias a reconstruirem as suas vidas e a superar o trauma. A organização ajudou mais de dez vítimas desde a sua criação em 2009.
Em uma atualização compartilhada online, Anne Mitchell, que interagiu com Robert nos EUA antes da sua cirurgia na quinta-feira, disse o seguinte:
“Infelizmente, Robert foi cortado no pescoço por um feiticeiro. Ele ficou com muitos problemas, especialmente no andar e no uso dos braços. Ele ficou como um tetraplégico parcial. Esperamos que a sua cirurgia permita que ele ande e se mova muito melhor. Ele precisará de uma reabilitação considerável, mas Robert é um garoto maravilhoso e resiliente. Orando pelo melhor resultado possível.”
Desde 2014, Robert passou por uma série de operações, todas destinadas a pô-lo andar novamente. Em 2017, ele fez uma cirurgia no John hunter Hospital, na Austrália.
Ataque em casa
"Naquele dia, eu deixei-o sozinho em casa e fui à igreja para orar; quando voltei, encontrei-o deitado num tapete numa poça de sangue", disse a avó de Robert, Yowani Nakiwala, à Transterra Media. “O seu pescoço estava quase caindo, os médicos assistiram-no e revestiram-no com um colar em torno do pescoço.”
“A condição em que os encontramos os que morrem é bastante triste; encontramos os seus corpos completamente separados - eles cortam a cabeça e drenam o sangue”, conta o pregador Peter Sewakiryanga à Transterra Media.
Sewakiryanga disse que os feiticeiros podem cortar o estômago e retirar os órgãos das suas vítimas. “São imagens chocantes. Aqueles que sobrevivem precisam de atenção médica enorme”, afirma.
“As crianças são sacrifícios porque existe uma crença crescente de que, quando se sacrifica uma criança, se obtém riqueza, proteção, cura, e essa crença que é uma mentira espalhou-se por todo o país e não houve uma reação do governo ou das pessoas envolvidas para educar as massas de que não é preciso matar uma criança para se obter riqueza ou que não é preciso matar uma criança para se obter proteção”, explica o pregador.
“A riqueza vem do trabalho árduo, a proteção vem de Deus e, como as pessoas são desesperadamente pobres e precisam desesperadamente de questões de riqueza, há um feiticeiro na comunidade que afirma trazer cura, trazer alegria, felicidade e bênçãos. As pessoas procuram os feiticeiros e recebem partes do corpo das crianças [para o ritual]”, conta Peter Sewakiryanga.
- in Guiame
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