21-09-2020 - China: pregador e esposa serão julgados por tentar dar aulas aos filhos em casa

Um tribunal na província de Fujian, no sul da China, convocou o pregador de uma igreja doméstica e a sua esposa por não enviarem os seus filhos à escola pública, optando por ensiná-los em casa.
You Guanda, da Igreja Dianqian na cidade de Xiamen, e a sua esposa devem comparecer ao tribunal no dia 23 de setembro. De acordo com a organização Christian Concern, oficiais do governo local acusaram o casal de “disputas de custódia”.
Facto é que há muito tempo a Igreja Dianqian é um alvo do Partido Comunista Chinês. No segundo semestre do ano passado, por exemplo, as autoridades comunistas desativaram as instalações de adoração da igreja, depois que o pregador e outros crentes terem comprado um novo espaço para o ensino doméstico, adoração e residência, conforme relatou o ‘Christian Post’. Posteriormente, no início deste ano, o local foi demolido.
A notícia da repressão ao pregador chega enquanto o governo chinês está a impor cada vez mais regras profundamente restritivas sobre as igrejas que buscam reabrir no meio da pandemia do coronavírus.
Conforme o site cristão ‘Faithwire’ relatou anteriormente, qualquer uma das congregações dentro da rede de igrejas aprovada pelo governo que planeie retomar os serviços deve atender a uma lista de 42 itens de pré-requisitos.
Incluídos nessa lista estão ordens para “intensificar a educação patriótica” e “estudar a política religiosa da China”. Para a reabertura de igrejas, membresia e liderança também são obrigados a promover a chamada campanha dos “quatro requisitos”, que começou em 2018 como parte da “sinicização” (adequação ao comunismo) da religião pelo governo, na qual as culturas não chinesas são obrigadas a assimilar a influência chinesa.
A revista ‘Bitter Winter’, que cobre questões de liberdade religiosa na China, definiu os “quatro requisitos”. São eles: “erguer a bandeira nacional ritualmente, muitas vezes enquanto se canta o hino nacional; ensinar crenças e promover a constituição, leis e regulamentos chineses; pregar e promover os ‘valores socialistas centrais’; e promover a ‘excelente cultura tradicional da China’”.
- in FaithWire
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