23-07-2020 - China diz aos cristãos para renunciarem à fé em Jesus e adorar o presidente do país

Autoridades da China ordenaram que os Cristãos renuciem à sua fé em Jesus e sejam devotos aos líderes do Partido Comunista. As informações são da Bitter Winter, órgão de comunicação social focado na liberdade religiosa e direitos humanos na China.
Com o impacto do surto do coronavírus na economia da China, os Cristãos de baixos ordenados têm sido coagidos pelas autoridades a renunciar à sua fé e a adorar os líderes comunistas, ou então os seus benefícios sociais serão cancelados.
Um membro de uma determinada igreja vinculada ao Movimento Patriótico das Três Autonomias, órgão que controla as igrejas sancionadas pelo governo, disse ao Bitter Winter que as autoridades locais arrancaram todos os símbolos religiosos. Tudo foi substituído por um retrato de Mao Tsé-Tung, revolucionário comunista e ex-presidente da China.
“As famílias religiosas mais pobres não podem receber dinheiro do Estado por nada — elas têm que obedecer ao Partido Comunista pelo dinheiro que recebem”, relatou o Cristão, lembrando as palavras proferidas pelo agente de autoridade Chinês.
Em meados de maio, um agente de autoridade de uma vila administrada pela cidade de Heze, na província de Shandong, invadiu a casa de um Cristão e colocou retratos de Mao Tsé-Tung e Xi Jinping. “Estes são os maiores deuses. Se você quer adorar alguém, eles são os únicos”, disse o oficial.
Autoridades locais também foram à casa do pregador de uma igreja numa casa em maio, para remover uma cruz e substituí-la por um retrato de Mao Tsé-Tung. “Todas as famílias pobres da cidade foram instruídas a exibir imagens de Mao Tsé-Tung”, disse o pregador. “O governo está a tentar eliminar a nossa fé e quer tornar-se deus, colocando-se no lugar de Jesus”.
Em abril, autoridades da cidade de Linfen, na província de Shanxi, ordenaram a remoção de cruzes, símbolos religiosos e imagens dos lares de Cristãos que recebem assistência social, para substituí-los por retratos de Mao Tsé-Tung e do atual presidente da China, Xi Jinping. Aqueles que protestassem contra a ordem teriam o seu auxílio cortado.
A política está a ser implementada em outras localidades da China. Em abril, o governo da cidade de Xinyu, na província de Jiangxi, sudeste do país, retirou o subsídio mínimo de um Cristão com deficiência e uma pensão mensal por inaptidão de 100 RMB (cerca de 12,5 euros).
“As autoridades disseram-me que seríamos tratados como antipartidários se eu e o meu marido continuássemos a participar nos cultos”, lamentou a esposa do homem.
Um crente de 80 anos de uma igreja do Movimento das Três Autonomias do condado de Poyang, em Jiangxi, foi removido da lista de ajuda do governo porque disse “graças a Deus” depois de receber a sua pensão mensal de 200 RMB (cerca de 25 euros) em meados de janeiro. “Eles esperavam que eu elogiasse a bondade do Partido Comunista”, disse o crente.
- in Guiame
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