11-02-2020 - Há igrejas a usar reconhecimento facial nas pessoas

No fim do ano passado foi realizada a 15ª ExpoCristã em São Paulo, Brasil. Entre shows, simulações virtuais e editoras, duas empresas destacaram-se com produtos tecnológicos semelhantes. A Kuzzma, empresa de inteligência artificial estrangeira, e a brasileira Igreja Mobile apresentaram a ideia de reconhecimento facial para igrejas.
A primeira, além de um estande, teve seu CEO, Marcelo Scharan, realizando uma palestra com o nome “personalização, dados e igreja”. No seu site, afirma que o reconhecimento é feito a partir de uma câmara panorâmica de alta resolução, identificando informações pessoais e assiduidade dos fiéis. Depois disso são gerados relatórios incluindo estatísticas do comportamento e até avisando em casos de atividades consideradas anormais. Já a empresa brasileira, além do reconhecimento que disponibiliza há cerca de um ano, também oferece serviço de transmissão ao vivo de cultos e eventos.
A tecnologia utiliza uma câmara comum para registar as imagens e enviar para um computador capaz de reconhecer rostos e mais informações pessoais. “Conseguimos definir a assiduidade da pessoa, contagem de pessoas, humor da pessoa”, explicou o diretor de desenvolvimento da Igreja Mobile, Luís Henrique Sabatine.
Segundo o diretor, cerca de 40% dos clientes da empresa utilizam o serviço de reconhecimento facial. O Projeto Recomeçar é um dos clientes que utiliza a tecnologia e avalia o serviço de forma positiva. “Nós utilizamos para dar uma maior assistência aos membros que não estão a vir aos cultos”, contou Caio Duarte, responsável pela área de TI da igreja.
Coligir dados sem autorização
Segundo Sabatine, a tecnologia oferecida tem que ser alimentada com os dados dos fiéis e, neste momento, é necessário assinar um termo de consentimento. Porém, o Projeto Recomeçar e outros clientes que firmaram o termo de uso de dados com os fiéis, apenas anunciam que está a ser utilizada a tecnologia nos cultos. Para Duarte, o consentimento do fiel fica definido quando o cliente faz o cadastro com foto no software da Igreja Mobile.
Joana Varon, diretora da organização Coding Rights e especialista em uso de dados pessoais, explica que apenas isso não é o suficiente. Para ela, o fiel pode se sentir coagido a aceitar o termo para continuar a frequentar os cultos. Além disso, Joana afirma que o reconhecimento facial é considerado “sensível” pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP).
Segundo a lei, dados pessoais sensíveis só podem ser utilizados quando “o titular ou o seu responsável legal consentir, de forma específica e destacada, para finalidades específicas”, dessa forma, não sendo suficiente o consentimento não formal.
- in OlharDigital




