23-09-2019 - Maior estudo internacional já realizado comprova que não existem “genes gays”

Um estudo amplo, feito a partir de pesquisas internacionais, concluiu que não existem “genes gays” que induziriam as pessoas à homossexualidade, mas ao invés disso, uma série de outros fatores influenciam no comportamento sexual, segundo informações do portal Science Mag. O artigo do estudo baseia-se nos resultados apresentados pela mesma equipe em uma reunião de 2018, e enfatiza que os marcadores genéticos não podem ser usados para prever o comportamento sexual.
A partir dos anos 1990, os cientistas relataram tentativas de associar evidências genéticas à orientação sexual . Nos últimos anos, enormes conjuntos de dados com DNA de centenas de milhares de pessoas tornaram possíveis estudos muito mais poderosos.
Para explorar a genética por trás do comportamento sexual, uma equipa internacional co-liderada pelo geneticista Benjamin Neale do Broad Institute em Cambridge, Massachusetts, usou o UK Biobank, um estudo de saúde de longo prazo de 500 mil pessoas do Reino Unido. A equipe trabalhou com cientistas do comportamento e também consultou grupos de defesa de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e Queer (LGBTQ).
A equipa de Neale examinou marcadores de DNA e dados de pesquisas sobre comportamento sexual preenchidas por quase 409 mil participantes do UK Biobank e cerca de 69 mil clientes do 23andMe, uma entidade privada. Todos os participantes do estudo eram de ascendência europeia.
Assim como outras características comportamentais, como a personalidade, não existe um “gene gay” isolado, diz Andrea Ganna, membro da equipa Broad.
Outros pesquisadores alertam que as descobertas são limitadas pelo facto de uma pessoa que teve uma única experiência do mesmo sexo ser considerada não-heterossexual. Ter apenas um desses encontros, por exemplo, pode refletir uma abertura a novas experiências, em vez de orientação sexual, diz Dean Hamer, geneticista aposentado do National Institutes of Health em Bethesda, Maryland. “Essas são descobertas fascinantes, mas na verdade não é um estudo sobre genes homossexuais”, diz Hamer, que em 1993 relatou ter encontrado uma área no cromossomo X que era mais comum em homens gays; essa região não foi encontrada no novo estudo. “Agora estou muito menos empolgado com a possibilidade de obter boas pistas biológicas” para a orientação sexual”, acrescentou.
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