12-08-2019 - Condomínio despeja viúva idosa por evangelizar vizinhos e oferecer orações

O estado da Califórnia está a investigar um caso em que uma viúva idosa teria sido forçada a deixar o seu apartamento devido às suas convicções religiosas e idade avançada.
Diana Martin, 85 anos, morou no condomínio Windgate Village na cidade de Hanford durante quase 14 anos. Em fevereiro, ela foi informada pelo proprietário John Draxler – que é vice-presidente de Câmara da cidade – que ela seria despejada.
Embora Diana tenha ficado meses no arrendamento anual e a sua renda tenha sido integralmente paga, os seus advogados dizem que Draxler citou a sua prática religiosa de comunicar a sua fé e oferecer-se para orar pelas pessoas como razões pelas quais ela precisava encontrar uma nova casa.
O proprietário sabia que Diana estava a recuperar de sérios problemas de saúde. No dia em que foi informada, a idosa chorou alegando que era inverno e ela não tinha filhos morando perto. Draxler teria dito a ela que esses detalhes não eram problema dele.
Segundo informações da emissora Christian Broadcasting Network (CBN News), um filho de Diana conversou com o proprietário e ouviu dele que os motivos do despejo eram a fé da sua mãe e a idade avançada. No entanto, o principal motivo para que Diana tenha escolhido viver no condomínio após ficar viúva foi que estes apartamentos haviam sido anunciados como residências de idosos.
John Draxler comprou o complexo de apartamentos há alguns anos e, segundo relatos, trouxe inquilinos mais jovens, removendo os mais antigos. Diana Martin saiu com relutância do apartamento dela, e então contactou o Pacific Justice Institute (PJI) para obter ajuda.
Os advogados da PJI ficaram surpresos com o que encontraram. Além das razões discriminatórias oferecidas para o despejo, os advogados notaram que o aviso dado a Diana tinha claros erros quanto ao prazo.
Depois que as negociações com o proprietário foram interrompidas, a PJI entrou com uma acusação de discriminação no Departamento de Emprego e Habitação da Califórnia: “O que aconteceu com nossa cliente, Diana Martin, estava errado em muitos níveis”, disse o advogado da PJI, Matthew McReynolds, em um comunicado à imprensa.
“Ninguém deve ser despejado com base na sua expressão religiosa, e especialmente não no caso de uma bisavó idosa. Estamos esperançosos de que uma investigação do Estado e medidas corretivas garantam que isso não aconteça com ninguém nesta comunidade”, acrescentou McReynolds.
Além das razões discriminatórias dadas para o despejo, o proprietário alegou que Diana era “combativa” com a administração. Um dos conflitos entre ela e o condomínio resultou da tentativa deste tirar o seu espaço de estacionamento de longa data e transferi-lo para outro lugar a uma certa distância da sua porta e ao lado de uma lixeira. Diana havia levantado preocupações de segurança sobre os moradores de rua que procuram comida na lixeira, de modo que a medida parecia uma retaliação, de acordo com a PJI.
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