12-05-2019 - Cela onde estava Asia Bibi tem outra Cristã condenada à morte, no Paquistão

Os Cristãos são a principal minoria religiosa do Paquistão, compreendendo cerca de 1,6% da população de 210 milhões de habitantes do país muçulmano. O número de acusações de blasfémia contra os Cristãos tem sido cada vez maior por causa do seu estatuto social e associação com o Ocidente.
Bibi foi acusada em junho de 2009 por “blasfemar” contra o profeta Maomé, um crime punível com morte no Paquistão, e foi condenada em novembro de 2010. O Supremo Tribunal do Paquistão absolveu Bibi devido a “contradições e declarações inconsistentes das testemunhas”.
Agora, Kausar está trancada na mesma cela do presídio feminino de Multan, onde Bibi esteve encarcerada. Kausar e o seu marido, Shafqat Masih, de 48 anos, são da cidade de Gojra, onde mais de 100 casas foram incendiadas e 7 Cristãos foram mortos por blasfémia em 2009. Desde então, as tensões entre Cristãos e muçulmanos têm aumentado regularmente.
Masih ficou paraplégico por causa de uma lesão na coluna provocada em 2004. Os seus quatro filhos, com idades entre 5 e 13 anos, eram dependentes de Kausar, que trabalhava como ajudante doméstica até que Muhammad Hussein, líder de uma mesquita local, o acusou de enviar mensagens de texto blasfemas do telemóvel de Kausar com a sua “conivência”. Hussein alegou que, em 18 de julho de 2013, ele estava a rezar na mesquita quando recebeu mensagens de texto blasfemas. Moradores da região cercaram a Esquadra de Polícia de Gojra depois que Kausar e Masih terem sido presos. Manifestantes queriam executar o casal, mas a polícia incluiu acusações mais severas, a fim de dispersá-los.
Malook, seu advogado, disse que a polícia de Gojra também extraiu uma confissão ilegal do casal. Kausar e Masih aguardam há cinco anos que o Supremo Tribunal de Lahore ouça o seu recurso contra o veredito do tribunal. O advogado planeia fazer outra petição para uma audiência.
“O casal é inocente e não há provas legais substanciais que comprovem que eles realmente enviaram mensagens de texto”, disse Malook.
Blasfémia como pretexto
De acordo com um relatório da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, depois que as severas leis de blasfémia terem sido introduzidas no país, de 1987 a 2014, pelo menos 1.355 casos foram registados e 57 pessoas foram mortas extrajudicialmente. Até 2014, apenas 21 casos foram registados contra os hindus, enquanto 187 foram registados contra Cristãos.
Os Cristãos paquistaneses são abominados pela maioria dos muçulmanos por causa de sua origem dalit, considerados no sistema de castas como “intocáveis”. Muitas vezes as acusações de blasfémia surgem de conflitos sobre esse estatuto social. Bibi, por exemplo, foi acusada de tocar na água potável de mulheres muçulmanas.
Malook tem enfrentado muçulmanos paquistaneses desde que começou a defender os Cristãos. Ele chegou a receber um convite de asilo na Holanda, mas recusou. “Estou de volta para defender estas pessoas indefesas”, disse o advogado.
- in Cristianity Today
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