08-11-07 - Frieza dos números reflecte o declínio da Igreja Católica e deixa católicos apreensivos
Os dados estatísticos da Igreja Católica em Portugal mostram um cenário de transformação cada vez maior.A frieza dos números ajuda, desde logo, a perceber este clima de mudança: o “guia” da Igreja Católica de Portugal confirma, na sua edição de 2007, a quebra progressiva do número de Baptismos e de ordenações sacerdotais, entre outros.
De 2000 a Dezembro de 2005, o número de sacerdotes diocesanos baixou de 3159 para 2934 (menos 225), enquanto que o clero religioso manteve praticamente o mesmo número. A situação de 2005 mostra que por cada dois padres que morrem (nesse ano foram 80), apenas um é ordenado (41 novos sacerdotes). A isto se somam, em média, 5 defecções por ano.
Apesar desta quebra no número de padres, a esmagadora maioria das mais de 4 mil paróquias continuam confiadas à administração sacerdotal (99,54%) e apenas 20 paróquias são administradas pastoralmente por diáconos, religiosas e leigos, número aliás que tem vindo a decrescer de forma consistente.
Os seminaristas de filosofia e teologia também são menos, segundo os últimos dados disponíveis: de 547, entre diocesanos e religiosos, em 2000 passou-se para 475 em 2005.
O número de Baptismos mostra uma redução significativa, mas esse dado deve ser lido à luz da variação do número de nascimentos em cada ano. Em 2000 foram baptizadas mais de 92 mil crianças com menos de 7 anos, e em 2005 esse número ficou-se pelos 79 236. Comparativamente a 2001 (100 256) a quebra é de mais de 20%.
Os Baptismos depois dos 7 anos representam, actualmente, cerca de 6% do total e chegou, em 2005, aos 5301 (5938 em 2000).
Em Portugal, a percentagem de católicos é agora de 89,9% - 9,35 milhões de católicos para uma população de 10,4 milhões de pessoas. O Recenseamento da Prática Dominical, datado de 2001, mostrava que o número total de praticantes não chegava, contudo, aos 2 milhões de fiéis.
O nosso país tinha no final de 2005, segundo os dados da CEP, 50 Bispos, 2934 padres diocesanos, 1050 padres de Institutos Religiosos, 174 diáconos permanentes, 321 religiosos professos e 5890 religiosas professas.
Também deste período data a Lei da Liberdade Religiosa e a criação da Comissão da Liberdade Religiosa, onde a Conferência Episcopal Portuguesa se faz representar por dois elementos. O quadro legal criado não impede, contudo, o crescimento de uma onda secularizante e laicista na sociedade, que tende a remeter a presença da religião para a esfera privada.
Em entrevista à Agência Ecclesia, o Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo considera que "as celebrações continuam a ter pouca beleza. Muitas vezes, as homilias são mal preparadas. A música litúrgica não aumenta de qualidade. As propostas de oferta de celebração não são as mais adequadas. Por outro lado, a formação de cristãos com sentido de vida comunitária também é escassa”.
Nesta entrevista, o Secretário da CEP admite que "quando se fazem actos relacionados com a religião individual - caso das procissões ou grandes festas - as pessoas aderem. Todavia, isto não significa nada do ponto de vista comunitário porque muitas vezes não passa de uma mera religião natural que tem pouco fundamento cristão e evangélico".




