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18-06-13 - No Médio Oriente, o contacto com novos Cristãos é feito por e-mail

Olho de DeusCorrespondência via e-mail    Ser Cristão no mundo árabe pode significar ser um tanto ou quanto solitário. Novos crentes têm uma necessidade extrema de comunhão e alimento espiritual, porém não sabem onde encontrar. A organização Portas Abertas faz parte do SGRG (Sistema de Gestão de Resposta Global). Diversas organizações participam desse sistema coligindo informações sobre os Cristãos na região árabe.

     Por meio deste sistema, Cristãos de uma das áreas de maior perseguição no mundo podem encontrar alguém para conversar sobre a sua nova fé e, mais importante: eles ligam-se a outros crentes da região. Um colaborador da Portas Abertas partilhou a sua experiência: "Nós esperamos ajudá-los a encontrar um lar dentro da igreja local".

     Chris Millan* tem trabalhado com Cristãos no mundo árabe há quase 30 anos. Como missionário no norte da África, ele observou que as possibilidades para a população local ouvir o Evangelho eram limitadas, e as oportunidades de acompanhar aqueles que porventura se tornassem Cristãos eram pequenas. Por esta razão, ele começou a trabalhar com esses novos crentes através de correspondência.

     Antes da existência da Internet, essa era uma tarefa que consumia muito tempo. "Quando começamos este trabalho usávamos correspondência postal", Chris explica. "Queríamos receber cartas longas, responder às mesmas e enviá-las de volta, e esperar por algumas semanas por uma resposta para podermos continuar o contacto". Hoje em dia esse contacto é muito mais fácil. "Apenas faço login no sistema e vejo as minhas mensagens", diz Chris. "Encontro muitas questões genuínas de novos crentes interessados em manter acesa essa chama, mas também recebo respostas negativas".

     "Porque diz que Jesus é o filho de Deus? Ele é só um profeta!" e "A Bíblia é um livro corrompido, porque o lê?" Estes são alguns dos comentários mais comuns que Chris encontra ao abrir o seu e-mail. "Embora muitas pessoas nos façam essas perguntas, elas querem protestar contra o que veem nos meios de comunicação Cristãos; nós tentamos responder mesmo aos comentários negativos, mas de uma forma gentil, na esperança de tocar o coração dessas pessoas".

     Chris admite que o trabalho, às vezes, pode ser frustrante: "É difícil comunicar à distância e, algumas vezes, parece que não se consegue nenhum resultado". Porém, é gratificante quando ele abre o e-mail e recebe a resposta de alguém. "Ver que eu pude encorajar um Cristão na sua fé e sentir que sou parte de algo grande é a melhor recompensa".

     Ao trabalhar em correspondência com crentes árabes durante tantos anos, Chris notou que o que acontece na região influencia o relacionamento, mesmo à distância: "Vemos isso de uma maneira muito direta no número de respostas que obtemos. Por exemplo, hoje em dia, nós não recebemos mais respostas da Síria. As pessoas têm outras coisas em suas mentes - como sobreviver à guerra".

     Uma época da qual Chris se recorda muito bem foi quando os muçulmanos extremistas estavam em conflito com o governo militar na Argélia, nos anos 1990. Naquela época, coisas horríveis estavam a ocorrer no país: aldeias inteiras foram massacradas. "Pessoas diziam para si mesmas: ’se isso é o Islão, não quero mais fazer parte dele’", relata o colaborador da Portas Abertas. "Alguns correspondentes expressaram claramente a sua revolta". No presente, ele está esperançoso que muçulmanos da região possam ser contestados na sua fé da mesma forma: "Agora a irmandade muçulmana tem dominado algumas áreas, administrando países com ideias islâmicas, políticas, sociais e a situação económica desses países está a piorar. Sem dúvida, isso irá desafiar os muçulmanos a interrogarem-se se essas ideias são verdadeiras ou não".

     Chris agora vive na Europa, sendo que a maioria das várias centenas de pessoas que trabalham no sistema de correspondências são moradores das nações árabes, os crentes locais. Chris está a coordenar uma dessas equipas locais e tenta viajar para a região para conhecê-los sempre que possível. Isso faz com que ele continue a ver o quanto significa o seu trabalho e o da equipe local para os Cristãos que recebem o contato.

     Como exceção à regra, recentemente, ele pôde visitar uma das pessoas com quem ele estava a corresponder-se: "Um homem muito comum, nos seus 40 anos, conduzindo um táxi. Fiquei encantado em conhecê-lo e também a sua família. É bom ver que as pessoas com quem me correspondo estão ligadas aos crentes locais".

     Relacionar novos crentes com os outros irmãos e igrejas do país – se existir – é o objetivo final: "Um novo crente não deveria permanecer por muito tempo ligado à pessoa que responde às suas mensagens; pelo contrário, deverá estar face a face com irmãos que estejam próximos a ele", disse Chris. Esta é a razão pela qual Chris e a sua equipa tentam organizar, o mais rápido possível, o encontro entre o Cristão solitário que envia a carta e o crente local, que atua nesse processo em auxílio a Chris: "Pode parecer um pouco arriscado nas áreas de perseguição, mas, pela minha experiência e fazendo as perguntas certas por e-mail, ficamos a saber se é alguém realmente interessado ou é algum espião".

     A igreja, em alguns casos, acompanha os crentes através do sistema de correspondências durante um longo período: "Há tempos atrás, estava a supervisionar a correspondência com um jovem e com um irmão da igreja local que estava em contacto com ele", recorda Chris, "mais de 200 e-mails foram trocados, o que é excecionalmente longo para o sistema". Este jovem fugiu, andando de país em país, depois de se converter a Cristo. "Ele estava a ser perseguido, passando por uma situação extremamente difícil; mas pudemos apoiá-lo, encorajando-o e colocando-o em contacto com os irmãos por onde passava. Nesses tempos difíceis, o sistema SGRG providenciou a ligação dele com a igreja em todo o mundo".

     Agora, esse Cristão voltou para o seu país de origem e mora com um amigo que não sabe que ele se tornou seguidor de Jesus. "Há poucos meses, o seu correspondente local solicitou uma visita e a rede de acompanhamento local está em processo para que esse encontro seja realizado de forma segura".

     Sem o sistema SGRG é muito difícil os novos crentes encontrarem amizade e alimento espiritual. Chris conta: "Na maioria dos países árabes não se pode simplesmente ir até uma igreja e dizer ‘olá, sou novo aqui’. Mudar de religião para o Cristianismo é algo muito delicado e pode ser bastante perigoso, quando revelado. Além disso, não há muitas igrejas, e mesmo quando há, elas são bastante isoladas da sociedade, não é fácil a um ex-muçulmano entrar".

     O SGRG é um caminho para alguém se ligar aos Cristãos evitando essas restrições: "Deus deu-nos os meios de comunicação Cristãos como uma porta para as pessoas e nós temos a responsabilidade de cuidar daqueles que decidirem passar por ela. Não acompanhar esses novos crentes seria como deixar a morrer um bebé na rua". *Por razões de segurança, o nome do Cristão foi modificado.

 

 

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