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23-11-2018 - Refugiada conta testemunho chocante sobre o regime comunista da Coreia do Norte

 Hea Woo

 

     Saber como é a vida da população em países cultural e politicamente fechados ao mundo, através dos canais populares da TV, não é a mesma coisa que conhecer o testemunho de pessoas que viveram nesses locais, como a senhora Hea Woo, sobrevivente do regime comunista da Coreia do Norte.

     Woo, cujo nome verdadeiro foi omitido por questão de segurança, atualmente vive na Coreia do Sul, de onde conta a sua história ao mundo. O ministério Portas Abertas divulgou um dos seus testemunhos, onde ela afirma como conseguiu superar anos de tortura, humilhação e cenas de morte.

 

Antes e depois da União Soviética

     Até o ano de 1991 a União Soviética (URSS) era o maior bloco socialista do mundo. Composta por 15 repúblicas que ocupavam metade da Europa Oriental e um terço do norte da Ásia, essa potência política tinha recursos para financiar pequenos regimes (ou projetos deles) independentes, como a Coreia do Norte.

     Após se tornar ela mesma insustentável economicamente, a URSS foi dissolvida em 26 de dezembro de 1991, deixando de apoiar às nações dependentes do seu regime. Isso fez com que países como a Coreia do Norte aprofundassem ainda mais a crise em que já estavam.

     “Antes, as pessoas ainda recebiam salários e rações para se alimentar”, disse Woo, lembrando do período em que os norte-coreanos recebiam ajuda da URSS, antes da sua queda.

     “As sopas de arroz eram distribuídas em quantidades muito pequenas porque o governo tinha que economizar. Então, era algo para manutenção simples. Mas até mesmo isso deixou de ser distribuído. Todos dependiam dessas sopas e o governo interrompeu a distribuição”, conta.

     “E as pessoas estavam muito preocupadas sobre como continuar as suas vidas. Naquela época, os pais não tinham sequer condições para alimentar os seus próprios filhos. Então as famílias ficaram prostradas durante semanas, porque não tinham sequer energia para se levantar. Não era questão de saber se algo era saboroso ou não. Nós simplesmente não tínhamos nada para cozinhar e comer”

     Woo ressaltou que a fome causou tantas mortes, que as crianças que saíam às ruas perdiam o medo de ver pessoas mortas espalhadas pelo chão. “Muitas pessoas morreram de fome. Quando íamos às estações de comboio, pela manhã, encontrávamos as pessoas simplesmente deitadas no chão, mortas. As crianças deixaram de ter medo de ver os cadáveres porque viram muitos”, disse ela.

 

Adoração ao Estado e restrição da liberdade civil

     Após ver a sua filha morrer de fome em 1997, com apenas 26 anos, Woo decidiu fugir para a China. Mas ao chegar no território chinês, que apesar de possuir o mesmo regime político do seu país, tinha mais oportunidades de vida, ela foi capturada e deportada para a Coreia do Norte.

     Ao chegar à Coreia, Woo foi presa e levada para um dos campos de trabalho forçado. “Homens e mulheres eram separados; todos os presos pareciam estar sempre prestes a desmaiar”, disse ela.

     “Eles estavam todos sem esperança e em desespero. E mais, eles estavam morrendo de fome. Cada pessoa recebia um punhado de milho podre e não havia mais nada para comer. Era como uma água suja, não poderia nem ser chamado de sopa. Nós recebíamos aquilo como ‘alimento’ durante o ano inteiro. Nada mais”.

     Por fim, ela conseguiu fugir posteriormente durante uma viagem à China, ao cair por acidente no rio Tumen. Antes disso, porém, ela disse que foram as suas orações que a mantiveram fortalecida.

     “O trabalho físico era difícil, mas o pior era que não tínhamos liberdade de fé”, disse ela, segundo a Guiame. “Eu orei para que Deus protegesse a nossa igreja clandestina. E também para que o governo perverso se desmoronasse, e essa liberdade de fé chegasse à Coreia do Norte”.

     “Eu orei para que a idolatria à dinastia Kim, que persistia ao longo de gerações desaparecesse e que as pessoas se pudessem arrepender […]. Deus protegeu-me com a Sua graça. Quando eu orei para que me pudesse tornar luz e sal, Ele mostrou-me que deveria ‘compartilhar e sacrificar’. E ele também me mostrou que deveria evangelizar. Houve muitas respostas que recebi através da minha oração”, conclui Woo.

- in Gospel +

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